quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

ÀS QUINTAS FALAMOS DO CNBDI NO KUENTRO (56) – O FIM DO CNBDI – TEXTO DE JOSÉ RUY

ÀS QUINTAS FALAMOS DO CNBDI NO KUENTRO (56)

O FIM DO CNBDI

Quando já existe a certeza do fim do CNBDI, recebemos o 27º texto de José Ruy sobre o assunto. Noticiámos aqui a inauguração da Bedeteca da Amadora, no dia 3 deste mês, assim como a “visita guiada” às novas instalações pela Presidente da Câmara da Amadora, no dia 13.

Aqui fica então o texto de José Ruy. 
Esperamos fazer pessoalmente uma visita à nova Bedeteca, para reportagem fotográfica, durante o mês de Março.
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TEXTO DE JOSÉ RUY 

«CNBDI»
Centro Nacional de Banda desenhada e Imagem 
ou
«CBDI»
Casa da Banda Desenhada e da Imagem

Em setembro de 2013, escrevi no 26º artigo sob este título o texto abaixo reproduzido, resultante dos rumores alarmantes para todos nós, que amamos e defendemos a Banda desenhada, principalmente a portuguesa.

«Há boatos (e desejo que não passem disso) de quererem integrar o espólio do CNBDI na Biblioteca Municipal, sem condições para o receber nem manter, pois não é essa a sua especificidade pondo assim em risco o ambicioso projeto do Centro, alicerçado durante tantos anos e com tanto trabalho investido. Será que iremos assistir à destruição desta obra por mão desqualificada de alguém (desconheço de quem se trata) que ignora e despreza o verdadeiro valor ali reunido?

É grande o reconhecimento da importância deste Centro por parte de muitas pessoas que constantemente o contactam para doar coleções de revistas sobre BD e obras originais, que instituições em outras Autarquias muito gostariam de possuir. Por isso é preciso que os órgãos do poder apoiem e deem condições adequadas para que seja possível à equipa do CNBDI levar a bom termo o objetivo do seu projeto, de trabalhar esse importante acervo com as escolas e junto do grande público, sempre interessado. Porque esse espólio não pode ficar embalsamado dentro de armários num qualquer armazém.

Deste espaço concedido pelo «Kuentro», prolongamento digital do «BDJornal», dirijo um apelo pessoal e muito particular ao Dr. Luís Vargas, amigo de já longa data, que considero ser o garante da continuidade e defesa do CNBDI criado por si em boa hora, para que impeça que os «boatos» que correm por aí à rédea solta se concretizem.

A verdade é que TODOS seremos responsáveis se nada fizermos para apoiar a estoica direção do CNBDI, que voluntária e graciosamente mantém estas tertúlias na última quinta-feira de cada mês, de fevereiro a maio, todos os anos, das 21 horas até de madrugada.

E é uma madrugada promissora que espero venha a seguir às sombrias noites sugeridas pelos tais boatos.

Aqui deixo o meu apoio incondicional, com a mesma força que sempre dei desde a criação do CNBDI às pessoas competentes e de boa vontade.

José Ruy
Setembro 2013»


Em 13 de fevereiro de 2015 A Senhora Presidente da Câmara Municipal da Amadora, Dr.ª Carla Tavares, e o Senhor Vereador da Cultura, Dr. António Moreira convocaram todos os autores doadores de material que se encontra guardado no Bunker do CNBDI para anunciar a transferência do seu conteúdo para o novo Bunker construído no edifício da Biblioteca Municipal «Fernando Piteira Santos» uma notável figura das letras, natural da Amadora e que também doou todo o seu espólio literário a esta instituição.

Descreverei mais adiante como decorreu essa reunião que culminou num almoço de confraternização.

Mas em novembro de 2014 o Dr. Luís Vargas fez-me um convite para visitar e verificar as instalações preparadas para receber o acervo guardado no Bunker da Avenida do Brasil 52 A, na Amadora.

Percorri os diversos pisos do novo edifício da Biblioteca Municipal guiado pelos responsáveis de cada sector.

Foi-me dado observar, perguntar e testar as condições de segurança do imóvel, que tendo sido construído contra sismos, tem todas as condições para numa situação dessas se manter realmente imóvel, ou ao mover-se não pôr em perigo o seu recheio.

O edifício tem três pisos abaixo no nível do solo do lado da entrada principal, pois a rua detrás tem um desnível considerável. Os dois últimos pisos «menos dois e menos três» são ocupados com o estacionamento de viaturas, uma vantagem para quem precisa de utilizar a Biblioteca e tem dificuldade em arrumar o carro.

Sob a placa do último piso está instalado um sistema de drenagem constante que equilibra o volume dos cursos de água subterrâneos existentes no subsolo da Amadora. Para o caso de uma situação de cheia, existe um tanque a todo o tamanho do edifício com capacidade para muitos milhares de metros cúbicos de água, caso o caudal exceda o volume habitual, isto no caso de haver algum corte de corrente que interrompa o funcionamento desse sistema de escoamento. Serão precisas bastantes horas para que esse tanque fique cheio.

Além disso, se por uma remota hipótese o tanque transbordar, há o último piso inferior para receber alguns centímetros de água que corresponderá a uns milhares de litros.

Todas as portas são de corta-fogo, e em caso de incêndio este será combatido por meio de pó e não com água, como o sistema montado na Avenida do Brasil, 52A.

O novo Bunker está instalado no piso menos um, com espaço suficiente para receber os armários de aço com o acervo do CNBDI, além dos novos que já lá se encontram preparados para receber muito mais material.

A temperatura é estabilizada em todo o edifício, para proteção dos livros e dos originais, preservados igualmente em bolsas de «PH Neutro».

O piso zero é um dos polos de leitura e tem um auditório que há bastante tempo funciona como sala de exposições, lançamentos de livros, exibição de filmes e representação de peças teatrais.

O piso «mais um» é dedicado também à leitura, e o «mais dois» totalmente ocupado com a Bedeteca inaugurada em novembro de 2014, durante o 25º Festival de Banda desenhada da Amadora.

O espaço desta Bedeteca foi, quanto a mim, inteligentemente estudado e muito bem conseguido. Tem ótimas condições não só de leitura como também da possibilidade de expor material e proporcionar eventos, como o lançamento de livros. Para os mais pequenos tem um recanto «do Conto» e uma instalação condigna para «Fanzines». Tem já a notável doação de mais de 2000 fanzines doados pelo Geraldes lino, num local com possibilidade de fazer projeções, em casos pontuais, e que recebeu o nome deste nosso estimado amigo.

Além disso todo o espaço é versátil, podendo em qualquer altura transformar-se em sala de audiência, como no primeiro lançamento ali realizado do meu livro «O Juiz de Soajo» assinalando a segunda edição, 19 anos depois da primeira.

Vão-se aperfeiçoando arestas com a experiência do dia-a-dia e compete a todos nós, profissionais de BD, acarinhar e ajudar a melhorar todo esse espaço, afinal de contas a nós dedicado.

O edifício tem ainda um piso acima que poderá ser utilizado quando for oportuno.

Tudo isto foi-me mostrado pelo Dr. Luís Vargas, e agora também aos meus colegas e amigos pela Senhora Presidente Dr.ª Carla Tavares, e pelo Senhor Vereador Dr. António Moreira, acompanhados pelos responsáveis da Biblioteca, Dr.ª Vanda, Dr.ª Ângela, e pela Bedeteca Dr.ª Cândida e o Arquiteto Nelson Dona.

Foi oficialmente garantido que o Festival de BD é para continuar, pelo menos durante todo o período de mandato da Presidente.

Quanto ao nome «Centro» de Banda Desenhada e Imagem sofre uma modificação pois fica integrado na Bedeteca.

No entanto, alvitro que continue a chamar-se CBDI correspondendo a «Casa da Banda desenhada e Imagem». Para mim, esse espaço e pelo acervo que contém é mesmo a Casa da Banda Desenhada.

Neste local os originais vão ser digitalizados com aparelhagem já adquirida, catalogados e deste modo ficando à disposição de quem quiser consultar e usar para artigos ou estudo.

As exposições itinerantes poderão circular com mais facilidade utilizando provas digitais, preservando os originais para eventos especiais, alcançando assim uma maior divulgação.

Na Biblioteca há pessoal competente e em número suficiente, que trabalhando em equipa conseguirá melhores resultados. Há ao serviço 22 funcionárias/os com especialização.

Considero pelo que observei minuciosamente que o nosso material ali existente vai ganhar muito com isso. Da minha parte há ainda originais que não têm sido recebidos por falta de apoio logístico, pois o contrato de doação que combinei com a Autarquia foi que à medida que for fazendo novos trabalhos, depois de impressos, os originais entrarão no Bunker.

Neste novo núcleo, desejo e espero, que se realizem eventos como aconteciam na velha instalação na Avenida do Brasil 52 A, provisória desde o primeiro dia, e que tão grande prestígio conseguiram alcançar.

A estrada está livre e depende agora de todos nós, que a caminhada a continuar seja conseguida sem esforço mas com determinação.

José Ruy

Biblioteca Mnicipal Fernando Piteira Santos - Amadora

Dois aspectos de um lançamento de livro de banda desenhada efectuado no espaço da Bedeteca no dia 3 de Fevereiro de 2015. Os espaços são versáteis e adaptam-se a vários géneros de eventos. 


Exemplo de uma exposição sobre Aristides de Sousa Mendes, com um debate depois da exibição de um filme de António Cunha dedicado ao Cônsul, que teve a presença e participação dos netos do Cônsul e do Embaixador do Luxemburgo, na sala do piso zero da Biblioteca.

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