domingo, 21 de março de 2010

BDpress #119 (recortes de imprensa sobre BD) – ARMANDO CORRÊA ESCREVE SOBRE VASSALO MIRANDA NO ALENTEJO POPULAR.

Começámos a receber semanalmente o Alentejo Popular, já à algumas semanas, por iniciativa de Luiz Beira (ou seja, Armando Corrêa). Neste periódico de Beja, Armando Corrêa mantém uma página sobre Banda Desenhada, tal como no Diário do Alentejo (mas assinando este como Luiz Beira), que recebemos também durante alguns tempos mas que, a certa altura, deixou de nos ser enviado. Ora as duas colaborações de Luiz Beira (preferimos tratá-lo pelo pseudónimo, pelo qual é conhecido das gentes bedéfilas) são substancialmente diferentes em cada jornal. Enquanto no Diário do Alentejo, o “Espaço BD” é de apenas meia página (duas colunas) e trata sobretudo de livros que lhe vão chegando às mãos – quase sempre de editoras belgas –, no Alentejo Popular, com o espaço “Através da Banda Desenhada” a ocupar uma página inteira, são os autores o tema tratado. A particularidade deste espaço é a apresentação de bandas desenhadas – uma página por semana – recuperadas do arquivo pessoal do escriba.


Alentejo Popular – 11 de Março de 2010

através da banda desenhada

Coordenação de Armando Corrêa

APRESENTANDO UM ARTISTA PORTUGUÊS – Vassalo de Miranda

Na saudosa revista «Mundo de Aventuras», nº 494 de 31 de Março de 1983, a narrativa «O Último Combate», sob autoria de Vassalo de Miranda, foi dada ao público... Uma breve gesta heróica e bem sacrificadamente portuguesa. É essa narrativa que a partir de hoje e mais nove semanas aqui se vai reproduzir, com a gentil autorização do autor.

Vassalo de Miranda, ou seja, António Manuel Constantino, nasceu em Vila Franca de Xira a 21 de Novembro de 1941. Pintor, ilustrador e banda desenhista, tem já uma carreira longa e marcada, sendo estranhamente pouco reconhecido na «nossa aldeia de invejosos e maldizentes». São os rezingões por mero e inútil vício de... rezingar.

É um português vertical e de sete costados, ou seja, não voga sobre as «porcarias de ocasião de não importa que politiquice». Quando foi homenageado ao vivo no salão internacional «Sobreda-BD/2001», em palavras de agradecimento após ter recebido o Troféu Sobredão e perante a presidência (na mesa de honra) de Maria Emília Sousa (a presidente da Câmara Municipal de Almada), fez uma apologia em «carne viva» dos artistas portugueses, sempre subalternizados em Portugal pelas obras dos artistas estrangeiros.

E isso foi muito bem entendido pela presidente da Câmara Municipal de Almada, que de imediato o elogiou publicamente por ter Vassalo de Miranda «posto o dedo na ferida». Mais: nessa edição da Sobreda-BD, o país convidado era a Espanha, então representada ao vivo por Juan Espallardo (o homenageado estrangeiro), Felicisimo Coria e Xabel Areces. Vassalo não os quis ofender, apenas defendeu a honra portuguesa e até, depois, estiveram todos no mais belo coleguismo, em plena confraternização.

Marcando-se bem em aspectos históricos, é perito (a par de seus colegas José Antunes e José Garcês, por exemplo) a reproduzir, ao pormenor, as nossas heróicas naus. É também, até hoje, o único que tem a coragem de fazer banda desenhada localizada na «guerra colonial» (vista por um certo ângulo português, mas não salazarista). Os outros seus colegas, neste aspecto, mantém-se frouxos. Aliás, Vassalo teve vivências na Guiné-Bissau, em Moçambique (onde «explodiu» como banda desenhista) e, fugazmente, na Rodésia (hoje Zimbabue).

Algumas obras suas (nem todas em álbum): «Corrida de Loucos», «O Traidor», «a Epopeia de Forte Laramie», «A Carga», «Amor e Ódio», «Sete de Setembro», «Mamassumá», «Bayete!», «A Loba das Ardenas», «George Guynemer, o Imortal», «O Último Combate», «O Cabo das Tormentas», etc.. E ainda, uma obra de honra e muito especial, o historial da «Fragata D. Fernando II e Glória».


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