quarta-feira, 22 de setembro de 2010

BDpress #179: J.M.Lameiras no Diário “As Beiras” + A Voz de Ermesinde, sobre a matéria de Sergio Bonelli acerca de Tex em Beja no "Tex Tre Stelle”, nº 559 + Pedro Cleto no Jornal de Notícias sobre BLACKSAD

HAPPY SEX, DE ZEP
Diário As Beiras, 11 de Setembro de 2010

João Miguel Lameiras

Depois de ter publicado em português quatro álbuns da série “Titeuf”, a Asa dá a descobrir uma faceta mais adulta de Zep, o seu criador, com "Happy Sex", um álbum de histórias de uma a duas páginas, com o sexo como tema central, um pouco na linha do que o autor já tinha feito com a música rock e pop no álbum “O Inferno dos Concertos”, mas desta vez com um tema muito mais abrangente e universal.

Nascido Philippe Chappuis em 1967, Zep escolheu o seu nome artístico a partir do grupo Led Zeppelin e iniciou-se na BD em 1985 na revista “Spirou”, depois de ter frequentado a Escola de Artes Decorativas de Genebra. Zep é conhecido sobretudo como o criador de "Titeuf", a popular série infantil que, em 10 anos e 9 álbuns, passou da mera promessa para um sucesso espectacular, sustentado pela popularidade de Titeuf junto do público infantil, que naturalmente foi reforçada com a série de animação inspirada na BD, que já passou na RTP. Mas, por mais que a televisão “puxe” pela série, só isso não chega para explicar uma tiragem de um milhão e quinhentos mil exemplares, rapidamente esgotados, tal como a 2ª edição de 100 mil, alcançada por “La Loi du Préau”, o 9º álbum da série.
Daí que se possa pensar que a principal razão para o fenómeno “Titeuf” resida na capacidade de Zep de captar de forma hilariante o mundo infantil, conseguindo chegar da mesma forma aos leitores de 8 a 12 anos, como Titeuf e ao público adulto, que ainda não perdeu o sentido de humor, abordando com grande humor e sensibilidade, temas como a deficiência, o racismo, o desemprego, ou o sexo.

Neste álbum, destinado a um público (naturalmente) mais adulto do que os leitores habituais de Titeuf, o sexo volta a estar bem presente, mas aqui, as personagens, em vez de imaginarem como será, como acontecia com Titeuf e os seus colegas, praticam-no sem grandes tabús. Ou seja, pegando no título de um álbum especial de Titeuf, que a Asa também editou em Portugal, em vez de um "Guia Sexual da Malta Nova", temos um guia sexual para adultos heterossexuais com sentido de humor.

Apesar do conteúdo muito explícito, o grafismo caricatural e delicado de Zep, permite tratar de forma divertida e que não choca, situações que retratadas num estilo mais realista, seriam bastante mais difíceis de aceitar. Muito mais do que excitar o leitor, Zep quer diverti-lo e "Happy Sex" (que devia chamar-se antes "Funny Sex", pois muitas das situações descritas não têm nada de alegre para os protagonistas e é precisamente aí que reside a piada) consegue-o plenamente e de forma brilhante!

(“Happy Sex”, de Zep, Edições Asa, 64 pags, 17,11 €)


Cliquem para ampliar e leiam isto se fazem favor...
Imagens da responsabilidade do Kuentro.

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A Voz de Ermesinde, 15 de Setembro de 2010

6º Festival Internacional de BD de Beja em destaque na edição de Tex Tre Stelle

Sérgio Bonelli

Na edição italiana “Tex Tre Stelle”, nº 559, de Setembro de 2010, o editor italiano de Tex e responsável pela editora com o seu nome, Sergio Bonelli, volta a dedicar um novo editorial de Tex a Portugal.
Desta vez para falar das comemorações do vigésimo quinto aniversário de Fabio Civitelli a desenhar Tex, ocorridas em Portugal, integradas no 6º Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, com realce para nova presença do consagrado artista italiano no nosso país e para a realização de uma mostra pessoal onde estiveram expostas uma vez mais em Portugal, páginas originais de Tex e ainda pelo belo troféu em vidro atribuído pelos fãs e coleccionadores portugueses de Tex a Fabio Civitelli como forma de homenageá-lo por todos estes anos que tem dado a Tex Willer.

Este editorial é mais uma prova inequívoca da importância (e do carinho) que Sergio Bonelli dá à presença de Tex em solo português, mesmo sendo Portugal um país onde Tex não é editado, como o próprio editor italiano já fez referência diversas vezes em anteriores editoriais dedicados a Portugal.

De seguida, damos então a conhecer (na nossa língua*) a todos os interessados, o editorial de Tex Tre Stelle #559. Por: JOSÉ CARLOS FRANCISCO

Caros amigos,

Os mais atentos (mas também os mais veteranos) leitores desta página devem recordar-se dos bons tempos em que, cheio de vontade e dinamismo, eu ganhei a fama de editor sempre presente em todas as manifestações de quadradinhos, da mais modesta e desconhecida àquelas (poucas) universalmente conhecidas. Desde há algum tempo, infelizmente, as energias psicofísicas não são mais as mesmas e, por isso, vi-me forçado a dosear as minhas viagens, e a pesar também a quilometragem dos deslocamentos. Ainda bem que um dos nossos, o desenhador Fabio Civitelli – a mostrar o mesmo entusiasmo e a mesma paixão com que ainda hoje, depois de tanto tempo, desenha as páginas de Tex – assumiu em nome da Editora a tarefa de nos representar em muitas das ocasiões de encontro com o público às quais somos convidados.

Eu já tive oportunidade de falar de algumas viagens de Civitelli a várias localidades italianas e europeias, mas desta vez desejo destacar o relacionamento particular que o simpático desenhador aretino estabeleceu com os nossos colegas de Portugal, realmente incansáveis em organizar eventos dedicados aos quadradinhos. Neste ano, mais uma vez, Fabio foi convidado – e muito bem acolhido – pelo Festival Internacional de BD de Beja (de 29 de Maio a 13 de Junho de 2010), em Portugal, que lhe dedicou uma mostra pessoal e lhe conferiu um merecido prémio (como se vê na foto desta página) pelos vinte e cinco anos passados “sob a bandeira de Águia da Noite“.

Então, não foi por acaso que, numa recente entrevista concedida aos amigos José Carlos Francisco e Júlio Schneider, Civitelli fez um balanço sintético dessa longa experiência, em que disse: «Com o tempo os momentos de dificuldade, que evidentemente existiram, desaparecem na recordação e reforçam-se os momentos agradáveis: conhecer tantos leitores apaixonados, na Itália como em Portugal, o apreço da Editora que me permitiu realizar a edição comemorativa dos sessenta anos, e também viajar por toda a península italiana e ao exterior para promover Tex, a fazer com que eu me sinta um pouco um embaixador dos quadradinhos italianos».

Da minha parte, com uma pontinha de orgulho militar, não posso deixar de constatar como a nossa conquista de Portugal segue rápida. No editorial de “Tutto Tex” n° 436, de Julho de 2007, eu havia fincado a nossa bandeira na cidade de Moura, que havia dedicado ao nosso Ranger (também naquela ocasião com a presença do incansável Civitelli) uma mostra considerável. A continuar o mesmo jogo, hoje tenho o prazer de valorizar o mesmo mapa [de Portugal, reproduzido na revista italiana] com uma segunda bandeirinha sobre a cidade de Beja que, por sua vez, também recebeu afectuosamente o nosso mensageiro. Mas também colho a ocasião para enviar um obrigado a José Carlos Francisco, o amigo que, com a sua obra de paciente promoção e difusão, tornou famosa, na sua terra natal, a personagem de Tex.

Um abraço.

Por: Sérgio Bonelli (*)

(*) Texto traduzido por Júlio Schneider, tradutor e consultor bonelliano da Mythos Editora no Brasil.
Adaptação de “A Voz de Ermesinde”.


Nota do Kuentro: o blogue do Tex, também publicou outro texto, que se segue:

Também na edição brasileira de Tex, Tex Willer, número 490 (O Castelo Sombrio), publicada em Agosto de 2010 pela Mythos Editora, contém nas suas contracapas, uma matéria intitulada “TEX CAVALGA EM BEJA“, onde o editor Dorival Vitor Lopes mostra aos leitores do Brasil, e também de Portugal, a presença de Fabio Civitelli no VI  Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja (Portugal), festival esse que dedicou ao consagrado desenhador italiano, uma exposição alusiva aos 25 ANOS DE FABIO CIVITELLI A DESENHAR TEX, que apresentava ao público lusitano num exclusivo mundial, inúmeras pranchas ORIGINAIS do Ranger que registavam a evolução e a trajectória de Fabio Civitelli neste último quarto de século, conforme se pode vislumbrar de seguida:

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Jornal de Notícias, 17 de Setembro de 2010

BLACKSAD: UM NOVO ÁLBUM E UM FILME

F. Cleto e Pina

As Edições Asa distribuem hoje nas livrarias nacionais, em simultâneo com a edição original francesa, o álbum “Blacksad: O inferno, o silêncio”, quarto tomo desta série escrita por Juan Díaz Canales e desenhada por Juanjo Guarnido.

Com inúmeros prémios conquistados e os favores do público e da crítica, “Blacksad”, que retoma a tradição dos grandes autores do género, é um policial negro ambientado em meados do século XX que já revisitou temas como a intriga em meios cinematográficos, o racismo e o Ku-Klux-Klan ou a caça aos comunistas nos EUA. No novo álbum, que sai após um intervalo de 5 anos, encontramos o detective na Meca do jazz, Nova Orleães, à procura de um pianista toxicodependente.

A principal marca distintiva da série é, no entanto, o grafismo pois, em “Blacksad”, todos são animais antropomorfizados, cujas características correspondem às das personagens que interpretam. Assim, o detective que o protagoniza é um ágil felino, os duros que tem de enfrentar gorilas, ursos ou lobos, as personagens femininas, belas e sensuais, uma gata ou uma leoparda, etc. A par disso, o desenho, hiper-realista e servido por belas cores, é magnífico, notando-se ao nível da composição das pranchas e do ritmo imposto à narrativa, as influências do trabalho de Guarnido como animador nos Estúdios Disney.

Integralmente editada em português, a série inclui ainda um álbum especial - “Blacksad - Os bastidores do inquérito”- com esboços, estudos e desenhos inéditos, em que os autores revelam a génese do herói e a sua forma de trabalhar.

Entretanto, Blacksad pode estar em vias de ser transposto para o grande ecrã, pois o realizador Alexandre Aja (“Piranha 3D”) revelou estar interessado no projecto, em parceria com Thomas Langmann. Este último já esteve envolvido em adaptações cinematográficas doutros heróis dos quadradinhos, nomeadamente Astérix e Blueberry.


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