domingo, 1 de maio de 2011

BDpress #259: PODEROSO THOR + CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DO CRIADOR DE PHANTOM E MANDRAKE – PEDRO CLETO NO JORNAL DE NOTÍCIAS

Jornal de Notícias, 28 de Abril de 2011

PODEROSO THOR

F. Cleto e Pina

Corria o ano de 1962. Stan Lee em plena euforia criativa, lançava as bases do complexo universo Marvel, explorando o conceito de super-heróis com problemas comuns (de personalidade, financeiros, sentimentais…) iniciado um ano antes com o Quarteto Fantástico. Depois de juntar o Hulk à primeira super-família, decidiu alargar o seu conceito explorando um dos temas mais recorrentes na literatura: o confronto entre pai e filho.

Com uma variante: o pai, Odin, reinava em Asgard sobre os deuses nórdicos, e o filho, caído em desgraça, era obrigado a penar junto dos humanos para aprender a humildade e o auto-controle.

Nascia assim o poderoso Thor, cuja estreia se deu no número 83 (datada de Agosto de 1962) da revista “Journey into Mystery”, que, a partir do nº 126 (Março de 1966), assumiria mesmo o título de “The Mighty Thor”. Ao lado de Lee estava Jack Kirby, possivelmente o maior desenhador de super-heróis de sempre, que ajudou a dar a Thor a credibilidade devida a um deus: longos cabelos loiros, olhos azuis, um corpo musculado, imponente, vigoroso e um ar decidido.

Filho de Odin, Thor era o seu herdeiro natural. Apesar dos seus grandes feitos desde a adolescência e de ter recebido Mjolnir, o martelo místico símbolo do deus do trovão, que lhe conferia força e o poder de voar, era obstinado e impulsivo e por isso foi exilado na Terra, com a memória apagada, aprisionado no corpo de Donald Blake. Durante uma década, Thor aprendeu a superar os problemas causados por uma perna defeituosa, formando-se em medicina e tornando-se útil para os seus semelhantes. Induzido por Odin, convencido que ele tinha aprendido a lição, viajou até à Noruega onde, na sequência de um ataque extraterrestre, se refugiou numa caverna onde encontrou um tronco retorcido que utilizou como bengala. Num momento de desespero, bateu com ela no chão, descobrindo que se tratava do seu martelo místico e que esse acto o transformava no poderoso Thor. Só que, ao contrário do que Odin esperava, não renunciou a auxiliar os humanos, assumindo uma existência dividida entre Asgard e a Terra.

Entre os seus principais inimigos, surgiu desde logo Hulk, o único que com ele se consegue comparar em força física, e, principalmente, Loki, o seu meio-irmão adoptivo, invejoso da sua popularidade e desejoso de ocupar o trono em seu lugar. Foi na sequência de um confronto com ele que Thor, involuntariamente, viria a fundar os Vingadores (Avengers), juntamente com o Homem de Ferro, o Homem-Formiga e a Vespa, “um grupo de heróis unidos para combater inimigos que nenhum herói poderia combater sozinho”.

Ao longo de cinco décadas, Thor já assumiu várias identidades terrenas e teve vários substitutos, incluindo uma mulher! Nos anos 80, numa das suas melhores fases, quando foi escrito e desenhado por Walt Simonson, que recuperou a sua mística e a sua grandiosidade, e criou algumas personagens marcantes, foi até transformado em sapo, combatendo um exército de ratos! Mais tarde, substituiu Odin, tornando-se rei de Asgard – reino várias vezes destruído - e chegou a aniquilar a Terra numa realidade alternativa.

E, claro está, fazendo parte do universo Marvel, em que nada é garantido nem absoluto, nem a própria morte, também ele, vencendo a imortalidade inerente à sua divindade – dom que se transforma em fardo quando o leva a sobreviver a muitos dos seus amigos terrenos – faleceu. Para regressar, mais forte e decidido, como um verdadeiro herói, pois ele é o poderoso Thor.

THOR 
o filme em 3D

Thor, o filme, estreia hoje nos cinemas portugueses, uma semana antes dos Estados Unidos, e traz uma novidade: a abertura de uma porta para o lado mágico e místico do universo Marvel e para as suas realidades alternativas, após diversos filmes de tom mais realista, assentes na componente tecnológica e científica.

A par disso, embora seja notória a fidelidade a uma herança aos quadradinhos com quase 50 anos, com a inclusão das personagens mais marcantes e da maior parte dos elementos clássicos, há a preocupação em criar uma cronologia cinematográfica própria, que permita que o filme chegue também a quem não conhece a BD.

Em termos de actores – e há muito que um filme Marvel não reunia nomes tão sonantes – o destaque vai para as prestações de Anthony Hopkins (como Odin), Tom Hiddleston (Loki) e Natalie Portman (Jane Foster), enquanto que o protagonista, um musculado Chris Hemsworth, cumpre o percurso de queda e redenção, de forma competente. A dirigi-los está o veterano Kenneth Branagh, que abraçou o projecto devido ao seu lado shakespeareano.

Se o 3D nada acrescenta ao filme e se há cenas menos conseguidas – como a rápida conversão de Thor ao papel de protector da Terra ou a deficiente exploração da sua rivalidade com Loki – isso é insuficiente para ofuscar os seus pontos fortes: as cenas que decorrem numa Asgard imponente e magnífica, o tom épico das batalhas magistralmente encenadas por Branagh ou o empolgante confronto de Thor com o vilão Destruidor.




Chris Hemsworth e Natalie Portman
Anthony Hopkins (como Odin)
Chris Hemsworth (como Thor)
Natalie Portman (como Jane Foster)

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Jornal de Notícias, 28 de Abril de 2011

CRIADOR DE MANDRAKE E FANTASMA NASCEU HÁ UM SÉCULO

F. Cleto e Pina

A 28 de Abril de 1911 nascia em Saint Louis, no Missouri, Leon Harrison Gross, que viria a ser conhecido como Lee Falk, criador de dois heróis clássicos da BD norte-americana: Mandrake, o mágico e o Fantasma, lidos diariamente por mais de um milhão de pessoas no auge da sua popularidade.

Após os estudos na universidade do Illinois, começou profissionalmente como animador de emissões radiofónicas, antes de criar Mandrake, em 1934, desenhado por Phil Davis. Dois anos depois, seria a vez do Fantasma, em parceria com Ray Moore. Se as aventuras deste último, inspiradas nos mitos e lendas que Falk apreciava, se destacavam pelo exotismo dos cenários e pela acção violenta protagonizada pelo primeiro herói mascarado da BD, no caso de Mandrake foram o suspense, o mistério e as suas capacidades hipnóticas que garantiram o sucesso numa época em que os leitores ansiavam por escapes para a dura vida resultante da Grande Depressão de 1929.

Apesar de escrever duas tiras diárias – tarefa que manteve até à morte – Falk arranjou ainda tempo para ser romancista, dramaturgo, director teatral e produtor, tendo dirigido Marlon Brando, Charlton Heston, Eva Gabor ou Paul Newman.
Teve três filhos de três casamentos, sendo que o último, com Elizabeth Moxley, se reflectiu nos quadradinhos, levando Mandrake e Fantasma a desposaram a princesa Narda e Diana Palmer, as suas noivas eternas.

Falk viria a falecer de um enfarte, a 13 de Março de 1999, terminando a esposa o argumento das bandas desenhadas em curso. Depois, Fred Fredericks, que já desenhava os dois heróis imaginados por Falk, assumiu também os argumentos, juntando-os em aventuras comuns a partir de 2002.

Lee Falk com Fantasma e Mandrake


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Imagens da responsabilidade do Kuentro

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