quarta-feira, 3 de agosto de 2011

BDpress #280: DYLAN DOG NO CINEMA – J.M.Lameiras no Diário “As Beiras”


Diário “As Beiras” (online), 31 Julho 2011

DYLAN DOG NO CINEMA

João Miguel Lameiras

Num verão dominado pelas adaptações ao cinema de histórias e personagens de Banda Desenhada (já tivemos “Thor” e ainda vamos ter “Capitão América”, “Lanterna Verde” e “Cowboys vs Aliens”) eis que chega aos ecrãs portugueses, “Dylan Dog: Guardião da Noite”, filme deKevin Munroe, inspirado na série de culto criada por Tiziano Sclavi para a editora Bonelli, que em Portugal foi distribuída em versão brasileira daEditora Mythos.

Já alvo de diversas referências neste espaço, a série Dylan Dog é, nos seus melhores momentos, um clássico incontornável da BD fantástica, misturando de forma sábia o terror, o humor e a melancolia, em histórias complexas e muito bem escritas, geralmente servidas por excelentes desenhadores, como Corrado Roy, Cláudio Villa, e Angelo Stano, entre muitos outros.

Realizado por Kevin Munroe, que já tinha dirigido o 4º e último filme das Tartarugas Ninja, em 2007, o filme conta com Brandon Routh no principal papel e Sam Huntington no do seu assistente Marcus. Um elenco muito habituado aos filmes inspirados na BD, pois Routh participou no divertidíssimo “Scott Pilgrim Vs the World” e foi o Super-Homem em “Superman Returns” de Bryan Singer, em que também participou Huntington, como Jimmy Olsen. Apesar da reconhecida experiência do elenco na transposição de BDs para o cinema, esta adaptação não prima pela fidelidade à BD original, bem pelo contrário, pois a acção foi transposta de Londres para New Orleans e, por questões de direitos, o ajudante de Dylan Dog na BD, inspirado no actor Groucho Marx teve que ser substituído por Marcus, o personagem de Hutington no filme, responsável pelos momentos mais divertidos, quando é transformado num zombie e tem que aprender a adaptar-se à sua nova condição de morto-vivo.

Mas o humor da personagem de Marcus e de alguns bons diálogos não salvam um filme com um argumento cheio de buracos, uma direcção pouco criativa, efeitos especiais bastante fracos e que não consegue preservar a originalidade de “Dylan Dog”, que distinguia a série de outras abordagens ao género do terror. Ignorado de forma igualmente vigorosa pelo público e pela crítica, nos vários países onde já estreou, não deixa de causar algum espanto que “Dylan Dog” tenha chegado às salas de cinema nacionais, em vez de ir directo para DVD, o destino mais natural para um filme divertido de série B, que se esquece mal se acabou de ver.

Resta a esperança de que graças ao filme, haja mais gente a querer descobrir a série original de BD, editada em inglês pela Dark Horse e fica a certeza de que “Dellamorte Dellamore”, realizado em 1994, por Michele Soavi, continua a ser a melhor e mais fiel transposição do universo de Tiziano Sclavi para o grande ecrã.

(“Dylan Dog: Guardião da Noite”, de Kevin Munroe, com Brandon Routh, Sam Huntington e Anita Briem, Platinum Studios, 2011. Em exibição em Coimbra nos cinemas Zon /Lusomundo Dolce Vita).




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Imagens da responsabilidade do Kuentro
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