sábado, 28 de julho de 2012

BANDA POÉTICA – INÊS RAMOS LANÇA O PRIMEIRO FANZINE CABO-VERDIANO DE POESIA E BANDA DESENHADA


BANDA POÉTICA 
DESIGNER PORTUGUESA LANÇA PRIMEIRO FANZINE CABO-VERDIANO COM POESIA E BANDA DESENHADA

O fanzine “Banda Poética” foi apresentado por Abraão Vicente, no Palácio da Cultura Ildo Lobo com a presença da editora (Inês Ramos), dos autores (Anilton Levy, Álvaro Cardoso, António Lopes Teixeira, Sai Rodrigues, Flor Porto e Heguinil Mendes) e do artista plástica Bento Oliveira.

A sessão de lançamento teve um programa de leitura dos poemas incluídos no fanzine. Exposição dos originais das ilustrações e da Banda Desenhada do fanzine.


 Inês Ramos e os autores


A designer gráfica portuguesa Inês Ramos, fã da banda desenhada, chegou a Cabo Verde há dois anos, para um trabalho na sua área, e acabou por ficar, fascinada com o talento e o mercado cultural do país.

Em novembro de 2011, começou a organizar, todos os sábados, no Centro Cultural do Palácio Ildo Lobo, na capital cabo-verdiana, uma feira de poesia e banda desenhada, percebendo, desde logo, "que havia muito talento perdido".

"Vários jovens vieram ter comigo para me mostrar desenhos e poemas. Senti que havia muito talento", disse à agência Lusa Inês Ramos, uma "freelancer" natural de Lisboa, onde nasceu há 46 anos.

Daí a criar um "fanzine" foi um pulo. Um "fanzine", explicou, "significa uma revista periódica, publicada geralmente por jovens amadores sobre temas como a banda desenhada, cinema, música ou ficção científica".

A palavra "fanzine" vem do inglês, sendo a abreviatura de "fanatic magazine", razão pela qual se torna uma publicação editada por um fã.

Inês Ramos juntou seis jovens - um desenhador, quatro poetas e um poeta/desenhador - e, em apenas mês e meio, surgiu o "fanzine" "Banda Poética", no qual se inclui uma banda desenhada e dezenas de poemas que, "caso contrário, iriam acabar nas gavetas".

Desta forma, o mercado pode abrir-se para os jovens, acrescentou Inês Ramos, sublinhando que o "fanzine", ora dado à estampa - 500 exemplares de 30 páginas cuja tiragem foi financiada pelo Ministério da Cultura cabo-verdiana -, é "aperiódico", isto é, "sairá quando sair".

"Senti que havia uma dificuldade para estes jovens editarem, e que havia muito talento perdido. Achei que um 'fanzine' é fácil de fazer, porque é artesanal - pode ser feito até em fotocópias -, e que era possível reunir esses jovens. Havia apenas uma única exigência: que os desenhos tivessem a ver com poesia e a poesia com desenho ou banda desenhada", explicou.

"Fizeram coisas fantásticas - fizeram poemas acrósticos com a palavra banda desenhada, fizeram bandas desenhadas com um poeta, fizeram desenhos com B.Leza [um dos maiores nomes da 'morna'], e com Eugénio Tavares [considerado o maior poeta de Cabo Verde]. Foi muito emocionante e bonito", acrescentou.

Cinco homens e uma mulher, entre os 22 e os 29 anos, escreveram poesia, Álvaro Cardoso (23 anos), Anilton Levy (22), Flor Porto (29), António Lopes Teixeira (25), desenharam, e Heguinil Mendes (24), fez as duas coisas, ao apresentar um poema e uma banda desenhada sobre a vida de um poeta.

"Tenho contactos em Portugal, no Brasil e noutros países africanos, e convidaram-nos já para participar no Festival Internacional de Banda Desenhada na Argélia. Vamos concorrer ao melhor fanzine. Vamos ver", disse à Lusa Inês Ramos que, por razões profissionais, deixa Cabo Verde no final deste mês, prometendo voltar "em breve".

Autora do blogue de poesia "Porosidade Etérea", Inês Ramos foi frequentadora habitual, entre 2007 e 2010 (até à ida para Cabo Verde), da Tertúlia de Banda Desenhada, fundada e organizada por Geraldes Lino e que, há cerca de três décadas, reúne dezenas de participantes num restaurante do Parque Mayer, em Lisboa, nas primeiras terças-feiras de cada mês.

E pronto, contamos com a “porosidade etérea” da Inês no próximo Encontro da TBD, em 7 de Agosto...

Cidade da Praia

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