quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

BDpress #385: CHARLES SCHULTZ NO DN


Ilustração de Miguel Sousa 

CHARLES SCHULZ:
"OS PERDEDORES COMEÇAM CEDO" 


Diário de Notícias, 24 Novembro 2012 

Por Gonçalo Pereira

"A felicidade não cria humor, ser alegre não tem piada. A tristeza é que cria humor", garantia Charles Schulz, pai dos Peanuts e um dos maiores cartoonistas de sempre. Talvez o maior. Um homem que nasceu faz segunda-feira 90 anos e viveu assombrado por fantasmas que o atormentavam desde a infância, dos quais nunca se libertou.


Apesar do seu enormíssimo sucesso, o sentimento de inferioridade marcou-o para toda a vida. Aí esteve o seu golpe de génio: em vez de se deixar derrotar, utilizou-o para fazer o mundo sorrir.

Há dois cães cuja história ficou para sempre ligada ao espaço. Um foi colocado em órbita e, por causa disso, morreu. O outro chegou à Lua e viverá para sempre. O primeiro ajudou-nos a compreender o espaço. O outro ajudou-nos a compreendermo-nos a nós mesmos e a rirmo-nos dos nossos erros. O primeiro era a cadela Laika, o outro é o Snoopy, dos Peanuts, um símbolo do sucesso do seu pai, Charles Schulz. Um sucesso tão grande que, para o avaliarmos, podemos deixar a Terra e fazê-lo no espaço.

"Sparky", como a família e os amigos sempre o chamaram, tinha tudo para fracassar. Tudo mesmo. Ao atingir a maioridade, aos 21 anos, nunca tinha visto o oceano, nadado no mar, ido a um restaurante de luxo ou dormido num hotel. Não passava de um rapazinho talentoso de uma cidade do interior pouco dada às coisas da cultura e da arte. Mas a sua maior fraqueza era ser desprovido de autoestirna, constantemente esmagado pelo complexo de inferioridade.

Uma das principais causas da sua falta de confiança foi o seu sucesso nos primeiros tempos de estudante. Ele mesmo o contou. "Recebi um diploma especial quando terminei o segundo ano por ser um aluno excecional, e nos terceiro e quinto anos fui passado um ano à frente. Por isso, de repente, eu era o miúdo mais pequeno da turma. De alguma forma, sobrevivi a esses primeiros anos, mas nos primeiros anos de liceu falhei em tudo em que punha a vista. E nos seguintes não fui muito melhor. Eu fui, sem dúvida, o pior aluno de física da história do liceu St. Paul Central, e só quando já era um veterano consegui obter notas respeitáveis."

Uma criancinha em turmas de rapazes e raparigas que mediam mais uns palmos do que ele. Pior do que sentir que os outros não o travam como um igual nem o levavam a sério era o facto de nem ele se levar a sério a si mesmo. Tal como deixou de se sentir em pé de igualdade com os outros, "Sparky" era um corpo estranho na turma, na escola e até na sua família.

A rejeição fazia-se de parte a parte. Schulz sabia o que queria. Sempre o soube. Pretendia desenhar. Tinha orgulho nesse seu talento e a ambição ia além daquilo que tinha pela frente. Sentia-se melhor do que os colegas e do que a família, mas percebia que todos os seus esforços, por não irem ao encontro do que interessava aos outros, eram vãos. O que lhe interessava era acolhido com desinteresse ou troça, que o seu espírito complexado amplificavam. Ninguém lhe dava - provavelmente nunca daria, temia ele - crédito pelas suas qualidades, o que acentuava o seu sentimento de derrota. Era uma competição entre "Sparky" e a seleção do resto do Mundo. Estava condenado. Estaria?

Se há coisa que Schulz nunca fez foi esconder as dificuldades por que passou e de que não se libertou. Ao longo de anos de dolorosa aprendizagem, terá percebido que era mais fácil e produtivo aprender a viver com os seus problemas e até transformá-los em qualidades do que passar a vida a combatê-los e sair derrotado.

Nem todos na família pensavam assim. Talvez, de alguma forma, tivessem mais dificuldade em conviver com essas fraquezas do que o próprio Schulz. O seu primeiro filho, Monte, por exemplo, nunca aceitou que David Michaelis, autor da obra mais completa acerca da vida do pai, tivesse dado tanto destaque aos seus complexos. Também Joyce Halverson, sua primeira mulher e mãe de Monte, se impacientava, pressionando-o para se sujeitar a acompanhamento psiquiátrico. Schulz inspirou-se nela no processo de criação de uma das principais personagens dos Peanuts, Lucy Van Pelt, uma miúda exigente e egocêntrica, de carácter difícil e conflituosa. Como retaliação por Joyce insistir na necessidade de ele procurar tratamento, em 1959 "Sparky" deu a Lucy uma banquinha onde ela dava consultas de psiquiatria no meio da rua.


Assim foi durante o meio século de vida dos Peanuts: a vida real de Schulz era a incubadora das personagens e, muitas vezes inspiração para enredos. Às vezes, as histórias contadas nas tiras eram as suas ou dos filhos, mas sobretudo o que lá estava era ele e os seus receios. Era o mundo visto pela lente das suas fraquezas.

A mãe, pouco afetiva e excessivamente dominadora, também contribuiu para as dificuldades de afirmação de "Sparky".

Dena Halverson, de uma família norueguesa que emigrou para os Estados Unidos, onde vivia da agricultura, conseguiu por via do casamento uma vida confortável. O marido, Carl Schulz, de origem alemã, começara como barbeiro, chegou a explorar três estabelecimentos ao mesmo tempo, mas quando o stresse começou a ter consequências para a saúde, decidiu manter só a primeira barbearia e, para recuperar o estômago, durante um ano comeu apenas papas de cereais. Todas as manhãs as tomava ao pequeno-almoço numa cafetaria. Servia-lhas uma empregada que viria a ser a sua mulher.

Pouco instruída - não foi além da terceira classe -, Dena vivia dividida entre duas versões de si mesma. Uma era a Dena entre os seus familiares noruegueses. Aí, ela era o centro das atenções, uma líder nata a quem recorriam para pedir conselhos. Naquele universo, marcado pela pobreza e pelo alcoolismo, ela tinha um estatuto social superior, pois vivia na cidade, vestia-se de acordo com o que era moda e estava casada com um homem que tinha o seu próprio negócio.

A outra Dena era reservada, não estabelecia laços para além da sua família, por temer não fazer boa figura nem ser bem aceite pelas mulheres da vizinhança ou pelas mães dos amigos de "Sparky". Antevendo a rejeição, evitava aproximar-se de outras pessoas.

Este lado esquivo e medroso da personalidade de Dena vai colar-se a Charles Schulz; como se estivesse programado no seu código genético. Também ele sentirá permanentemente a sombra da rejeição - algumas vezes real, outras imaginária - a pairar sobre a sua cabeça, "Apercebo-me de que, a maior parte do tempo, me sinto deslocado. Em muitas ocasiões tive dificuldade em viajar e tomei-me quase agorafóbico. Sinto-me sempre inseguro. Acho que serei sempre uma pessoa insegura." Não valia a pena escondê-lo.

Depois, há o pai. Também vai ser um modelo para "Sparky". E não o será apenas pelo entusiasmo que Carl Schulz devota aos cartoons dos jornais. A ética laboral que o seu berço germânico ajudou a desenvolver e que é escrupulosamente observada na barbearia de que ele é proprietário funcionará como um mandamento para "Sparky" na sua vida profissional. O brio, o orgulho, a ambição e a paixão pelo trabalho que o pai cultivava vão manter-se vivos no filho, que os levará ainda mais longe.

Carl era o homem mais bem-sucedido da família na sua geração. Um homem respeitado que estava longe de ser rico mas ganhava o suficiente para viver com algum conforto. Charles Schulz tomar-se-á milionário. Não era só uma máquina de fazer cartoons - ele, sozinho, pensou, desenhou e escreveu todas as 17 897 tiras dos Peanuts publicadas entre 2 de outubro de 1950 e 13de fevereiro de 2000. Também se tomou uma máquina de fazer dinheiro.

Os livros, os filmes, os direitos sobre os ziliões de bonecos e jogos anualmente produzidos com base nas figuras que Schulz criou fizeram dele um multimilionário em vida e um dos mortos mais rentáveis.

O fracassado com maís sucesso

Schulz, para quem o mundo era um território imenso e assustador, virou-se para o seu universo interior.

Desde pequeno que grande parte do seu tempo livre era passado a desenhar, embora também fosse um adepto do desporto, em particular hóquei no gelo e baseball. Um curso de desenho que a mãe lhe recomendou e ele optou por fazer por correspondência, porque se sentia demasiado intimidado para apresentar os seus trabalhos pessoalmente, foi um investimento de 170 dólares que o seu pai teve dificuldade em pagar. Mas valeu a pena. Seria o ponto de partida para a carreira, que o levaria a Charlie Brown & amigos. Antes, porém, ocorria a tragédia esperada.



A mãe, que tão profundamente o marcou, não chegaria a ver "Sparky" publicar as suas primeiras tiras. No dia 28 de fevereiro de 1943, na semana em que ele foi recrutado para o serviço militar e iniciou a instrução que antecederia a sua ida para a II Guerra Mundial, foi a casa onde ela, cada vez mais doente, com cancro, estava acamada. Quando chegou a hora de regressar ao quartel, foi despedir-se.

- Acho que chegou a hora de dizermos adeus - disse-lhe ela.

Dena sentia que o fim estava próximo.

- Adeus, "Sparky". Provavelmente não voltaremos a ver-nos.

Nunca mais se viram. Ela morreria logo a seguir, deixando-o arrasado. "Nunca esquecerei aquele momento, por muito que viva."

De regresso da guerra, Charles Schulz iniciaria a vida profissional. Ia assumir as funções de professor na mesma escola por correspondência em que ele tirara o curso. Ao mesmo tempo, a partir de 1948 começava a tentar que alguma publicação comprasse os cartoons que ele começara a criar. Um dos sítios para onde envia desenhos é o United Feature Syndícate, em Nova Iorque, cujo diretor editorial, Jim Freeman, lhe responde por carta a dizer que gostou do que viu e lhe pede para lá ir conversar. "Sparky" mal se continha.

No dia combinado, Schulz chegou aos escritórios antes de qualquer outra pessoa. Quando regressou a St. Paul, tinha cliente para a sua tira diária. Os Peanuts iam ver a luz do dia e ele estava carregado de confiança, Assim que chegou à sua cidade foi ter com Donna Mae Johnson e pediu-a em casamento. Os dois namoravam há três anos e ele achou que era o momento certo para dar o grande passo. Donna ouviu-o e disse-lhe ... não. Isto foi em 1950: Nesse mesmo ano ela casava-se com outro homem.

Assim era a vida de Schulz, dominada pelo sentimento da rejeição e pela rejeição de que ele era realmente alvo. Assim seriam também os Peanuts; porque seriam feitos completamente à sua imagem. Em maior ou menor grau, as personagens são ele mesmo - o exemplo máximo é Charlie Brown - ou alguém que se tenha cruzado com ele. Donna, a mulher que lhe destroçou o coração, também teria o seu lugar: ia ser representada pela menina de cabelo ruivo, por quem Charlie Brown se apaixona, mas que nunca corresponde ao seu amor.


Juntos, "Sparky" e os Peanuts teriam enorme sucesso. O êxito de um está ligado ao dos outros. Virado muito para dentro de si mesmo e, como tal, para o interior das suas personagens, fez que as personagens perdessem extensão de horizontes, mas deu profundidade às suas almas. Ele conhecia bem a mente humana e sabia torná-la interessante para os outros.

Apesar da fortuna, "Sparky" reservou para si as tiras dos Peanuts que criava diariamente. "Nunca tive alguém a trabalhar comigo nas tiras ou nas páginas, em parte porque acho que não haveria muito para fazerem. O desenho é relativamente simples por causa do estilo que adotei, e tenho demasiado orgulho para utilizar as ideias de outros." Assim, o estúdio e a firma tinham muito pouca gente que se ocupava de contratos, contabilidade, licenciamento de produtos e controlo de qualidade.


O fim de Schulz é quase a história da sua infância ao contrário.

Em novembro de 1999, quando está a trabalhar nas tiras que serão publicadas entre 27 de dezembro e 1 de janeiro, sente que está a perder o controlo e as sensações da cintura para baixo. Já não será ele a acabar as legendas. É levado para o hospital, onde lhe diagnosticam uma obstrução na aorta - que tratam - e um cancro metastizado e em fase tão avançada que não há muito a fazer para além de iniciar quimioterapia. A 19 de novembro sai dos cuidados intensivos.

Charles Schulz é idolatrado, tem mais dinheiro do que alguma vez poderá gastar e, embora não consiga admiti-lo, é um artista reconhecido, cuja obra é publicada em 2 600 jornais em 75 países. Trocou notas com Umberto Eco; Elizabeth Taylor e Richard Burton convidaram-no para sua casa; conheceu Federico Fellini. Acima de tudo, o mundo espera mais dele, mas agora é ele quem não é capaz de dar mais ao mundo. Quer, mas não consegue ... A sua revolta deixa de ser contra os outros, que não o compreendem e não o aceitam, e passa a ser contra si mesmo, contra a situação em que está.

Já antes, dominado pela doença de Parkinson que o debilita terrivelmente e firme na sua decisão de nunca entregar os Peanuts a outra pessoa, Schulz decidira reduzir os quadradinhos de quatro para três. Mas o fim aproxima-se. A 23, ainda internado, tenta desenhar o Linus e o Snoopy. Saem tremidos, imperfeitos. Aos tremores que já tinha e que às vezes o obrigavam a segurar-se ao estirador, juntam-se novas limitações. Está enfraquecido e a visão tomou-se enevoada, mal distinguindo alguns traços.

No dia 30 de novembro tem alta, mas regressa ao hospital várias vezes. Os problemas de saúde avolumam-se e está cada vez mais frágil. A 14 de dezembro, toma a decisão inevitável: em janeiro, quando se esgotarem as tiras que já tinha feitas, acabam os Peanuts. O último painel a publicar será o que ele está agora a preparar com Page Braddock, sua diretora criativa, e Amy Lago, editora. "Queridos amigos, tive a felicidade de desenhar o Charlie Brown e os seus amigos durante quase 50 anos. Foi a realização da minha ambição de infância, Infelizmente, já não consigo cumprir o calendário que uma tira diária me exige. A minha família não quer que os Peanuts sejam continuados por outra pessoa qualquer, portanto anuncio que me retiro. Tenho sido grato, ao longo dos anos, pela lealdade dos meus editores e pelo apoio maravilhoso e pelo amor que me foi expresso pelos fãs destes cartoons. Charlie Brown, Snoopy, Linus, Lucy... como poderia eu esquecê-los."

É o fim dos Peanuts. Cumpre-se um desejo de "Sparky". Embora diga que é a vontade da família, a verdade é que Schulz nunca quis que mais alguém fizesse os cartoons e isso ficou contratualmente definido - quando o autor morresse, Charlie Brown morreria também.

Ainda dará uma última entrevista. "Sempre pensei que, provavelmente, conseguiria continuar a fazer estas tiras até aos meus oitenta e poucos. Mas, de repente, acabou-se. Isto foi-me tirado. Não fui eu que decidi afastar-me. Isto é que me foi tirado" - explicou Schulz a Al Roker, do Today, da NBC. Havia na sua voz a amargura que se instalara nestes últimos dias. A amargura de um homem que se sentia traído por estar naquela situação.

"Sparky" piora, até que, a 12 de fevereiro, o coração deixa de bater. Morria um dos maiores cartoonistas do mundo, provavelmente o maior. O homem que criou os Peanuts porque soube transferir para eles todas as suas fraquezas - além de muitas das que encontrava nos outros. Mas que ambicionava ser uma pessoa normal, sem traumas, sem complexos.

Para ele, a felicidade não precisava de ser complicada.

"Costumo guiar até à nossa pista de gelo de manhã, onde como um english muffin com geleia e uma pequena chávena de café. Gosto de ler o jornal da manhã nessa altura do dia. Assim que saio do carro, há dois cães que se apercebem de que sou eu. Vivem numa casa arrendada na esquina e, assim que começo a caminhar na sua direção, correm para a cerca. Um deles é um enorme labrador preto e o outro é um cão muito pequeno - não é bem um beagle -, muito pequeno e animado, e eles reconhecem-me imediatamente. Não sei se é ao carro que eles reconhecem ou a mim.

"O nosso veterinário diz que os cães observam a forma como uma pessoa caminha, portanto há alguma coisa na minha aparência que eles, mesmo à distância, reconhecem-me. Eles sabem que eu tenho um biscoito para cães para cada um deles. À medida que me aproximo da vedação, o grande labrador salta bem alto e balança-se deliciado com a perspetiva deste biscoito. O outro cão pequeno às vezes ladra, mas na maior parte das ocasiões aproxima-se da cerca com a cauda a abanar furiosamente.(...) "Depois, vou pela calçada até à pista onde como um english muffin e uma chávena de café.

É um programa muito recomendável, que eu sugiro às outras pessoas. Arranjem o vosso próprio cão ou tomem-se amigos de algum cão nas vizinhanças. Vão achar muito gratificante."


Da vida real para as tiras de Schulz:

Charlie Brown


A personagem principal dos Peanuts é também a mais autobiográfica. Ele é Charles Schultz, ponto final. E não o é apenas por ambos serem filhos de pai barbeiro. Uma colagem reveladora, mas pouco significativa. Onde criador e criatura se colam é no sentimento e nas situações sucessivas e constantes de rejeição. Falou-se porém num modelo, um amigo de "Sparky", Charles Francis Brown, que mergulho no alcoolismo e na luta para esconder a sua homossexualidade. Schulz sempre disse que a única coincidência entre os dois era o nome.

Franklin 


Uma acusação que perseguiu Charles Schulz é a de que os Peanuts eram racistas. Num país multiétnico, não havia uma só personagem negra. Em plena luta contra a segregação racial e três meses depois do assassínio de Luther King, surge o primeiro afro-americano. A acusação de racismo passou a ser de oportunismo. Até o nome foi alvo de críticas, com os detratores a acusá-lo de ter dado ao desenho o nome de um dos "pais da nação", Benjamin Franklin, para ficar bem no retrato.

Linus van Pelt 


Linus também é um bocado Charles Schultz - embora tenha herdado o nome de um colega e amigo do seu criador, Linus Maurer. É a esta personagem que são confiadas várias vezes as mensagens religiosas, e a forma abusiva como é tratado pela irmã mais velha, Lucy, reflete em grande medida as relações conflituosas entre os primos maternos do autor, cuja companhia ele detestava.

Sally Brown


Há nos Peanuts vários amores impossíveis. Um drama que Schultz sentiu na pele e que foca recorrentemente, como é natural numa BD em que a rejeição tem um lugar central. Um desses amores é o da irmã de Charlie Brown por Linus, a quem ela chama carinhosamente sweet babboo (doce babuíno), o mesmo nome que Jeanie, segunda mulher de Schultz, lhe chama.

Peppermit Patty


Quando o movimento para a libertação da mulher faz ouvir a sua voz, Schulz criou a Peppermit (em 1969), para alinhar as personagens com os tempos que então se viviam. Mas uma pessoa de carne e osso serviu de modelo: uma prima materna chamada "Patty Swanson", que era uma verdadeira maria-rapaz.

Lucy van Pelt


"Ela representa - nas palavras de Schulz - todas as pessoas frias e autossuficientes neste mundo, que não sentem que seja necessário dizer uma palavra simpática a alguém". Mas na personagem cabem pessoas que fizeram parte da sua vida. Parte da insensibilidade era a que ele encontrava na mãe e a sua faceta controladora viria da sua primeira mulher, Joyce.

Snoopy


Fanático por cães, embora tivesse medo quando eles corriam na sua direção, Schulz criou esta personagem logo no início dos Peanuts, ainda que só o tenha posto a falar (com balões de pensamento) dois anos mais tarde. O Snoopy foi inspirado num cão real, um beagle, que Schulz teve.

Woodstock 


De tempos a tempos, Charles Schulz piscava o olho à atualidade e aos grandes movimentos que reuniam muita gente. O passarinho amarelo que se tornou grande companheiro de Snoopy é um desses casos. Nasceu em 1967 sem um nome, mas depois do sucesso do famoso festival hippie, em 1970, passou a chamar-se Woodstock.

Prancha autografada por Schulz arrematada por 50 mil dólares num leilão.

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