segunda-feira, 11 de novembro de 2013

GAZETA DA BD – 16 e 17 – NA GAZETA DAS CALDAS

GAZETA DA BD – 16 e 17 
NA GAZETA DAS CALDAS

 Gazeta da BD (16 e 17) na Gazeta das Caldas, 25 Outubro e 8 de Novembro

Gazeta da BD 16 - Gazeta das Caldas, 25 de Novembro de 2013

O XXIV FESTIVAL INTERNACIONAL 
DE BANDA DESENHADA DA AMADORA


Inaugura-se hoje o XXIV Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, actualmente designado “AmadoraBD”.

Iniciado em 1990 como singelo 1º Salão de Banda Desenhada da Amadora, realizado na galeria Municipal (actual Galeria Artur Bual), passou a “Festival” na segunda edição, no pavilhão da Associação Académica da Amadora, atingindo em 1992 – com a mudança para as antigas instalações da Cometna (entretanto designadas como Fábrica da Cultura) – o estatuto que lhe ficou subjacente até hoje, o de Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora. Depois do colapso físico do mítico edifício da Fábrica da Cultura, o Festival mudou, em 2001 para a Escola Intercultural da Amadora, com edições menos conseguidas, onde se manteve até 2003, tendo depois emigrado para a Estação do Metropolitano da Amadora-Este, na Falagueira, onde residiu dois anos (2004 e 2005). Em 2006, teve nova sede, agora no então inaugurado Forum Luís de Camões, na Brandoa, onde se tem mantido até hoje. Afastando-se do centro da Amadora, mas aproximando-se de Lisboa, o Festival ganhou algumas condições, nomeadamente em espaço – apesar de parte dele ter que ser montado num dos pisos do parque de estacionamento do Forum.

Com uma taxa de visitantes na ordem das 30/40 mil pessoas, apesar da inclusão neste número das visitas de escolas do Município, tornou-se no maior Festival de Banda Desenhada do país, ombreando mesmo com alguns festivais europeus – não chegando claro, nem de perto, aos números de Angoulême, que tem cerca de 300.000 visitantes por ano, em média.

A vertente comercial, perante a magreza editorial do mercado português, precisaria contudo de uma outra abordagem. O AmadoraBD evidencia sistematicamente erros de planificação na montagem dos espaços, especialmente não tendo em atenção a dicotomia expositiva/comercial, onde campeia alguma displicência quanto ao factor comercial, no que toca ao convívio dos visitantes com o produto comercial (em última análise, a BD existe porque é editada em livro).

Mas o AmadoraBD tem, apesar disso, conseguido outros aspectos muito positivos. Fazendo juz a uma das suas imagens de marca, as excelentes cenografias das exposições, mesmo que induzindo em algum erro os visitantes menos esclarecidos (a banda desenhada não é “pintura” para ser vista em exposições, mas para ser lida em livros), o Festival consegue uma adesão positiva por parte daqueles que raramente lêem banda desenhada.

Este ano, em plena crise financeira/económica, o AmadoraBD optou por coisas mais consentêneas com a realidade vivida no país. Centrado no tema “Cenários”, aborda autores nacionais, como Ricardo Cabral (vencedor no ano passado do Prémio Nacional “Melhor Desenho de autor Português” e daí ser o autor do cartaz do Festival deste ano); a obra de Fernando Relvas; depois “Dog Mendonça e Pizzaboy” – um caso paradigmático de sucesso editorial de BD em Portugal –, no lançamento do seu terceiro e último volume; David Soares, caso raro neste país de um argumentista que transforma em sucesso as obras que escreve; Madalena Matoso e as suas ilustrações para crianças; e depois as coisas internacionais: os 75 Anos com o Super-Homem; “Mutts”; os 75 anos de “Spirou”; os Autores Brasileiros; o japonês Yoshiyasu Tamura, etc... nenhum nome internacional de relevo, portanto.

Contudo, o que mais choca no FIBDA deste ano, foi a forma como tratou o magnífico cartaz de Ricardo Cabral (quanto a nós o melhor alguma vez realizado para este Festival), entregue a um gabinete de design que não o soube aproveitar. Cortado e recortado, de forma a formar “novos cartazes” para diversas aplicações, preenchido com “vinhetas” de fundo branco que ocultam o desenho, esta foi, quanto a nós (que possuimos uma pedalada de trinta anos dedicados profissionalmente ao design gráfico), uma inepta abordagem ao que se deve fazer nesta disciplina. Ainda para mais, com os gastos financeiros que deduzimos e se nos afiguram incompatíveis com os tempos que correm.

O cartaz de Ricardo Cabral e... como se destrói um excelente cartaz...
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Gazeta da BD 17 – na Gazeta das Caldas, 8 de Novembro de 2013
O BDjornal – UMA REVISTA 
SOBRE BANDA DESENHADA
O BDjornal #30 (Outubro de 2013) e o #1 (Abril de 2005)

Com o nº 30, posto à venda no passado dia 26 de Outubro, o “BDjornal” comemorou oito anos de existência como a única publicação sobre banda desenhada na península Ibérica (não conhecemos outra, pelo menos). Tudo começou em 2005 quando, depois de algumas experiências, saiu o “BDjornal” nº 1, em formato tabloide – um verdadeiro jornal portanto, precisamente com o formato do “JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias”. Essa primeira fase, com periodicidade mensal, durou exactamente um ano, tendo depois passado a bimestral, com formato mais reduzido, durante outro ano. Finalmente, em Junho de 2007, com o nº 19, surge com o formato actual de revista, mantendo o nome, a que o público já estava habituado. 
Depois do desaparecimento, devido à queda abrupta de vendas, da revista “Selecções BD” (a última revista publicada em Portugal, dirigida por Jorge Magalhães e editada pela Meribérica/Liber), em Maio de 2001, percebeu-se que o público português já não tinha apetência por revistas de BD, preferindo os livros/álbuns, mesmo estes em queda acentuada de vendas. A análise desta contínua demonstração de desinteresse do público pela própria banda desenhada já tinha vindo a ser feita, nos anos noventa do século passado, e que apontavam como causa, o aparecimento de novas tecnologias de entretenimento. Daí que, já em 1998 tivéssemos ensaiado um jornal sobre BD, o “BDinFólio”, de que saíram apenas três números.
Mas foi em 2004, quando começámos a recolher, sistematicamente, os textos sobre banda desenhada que eram publicados em jornais e revistas generalistas – recolhendo mensalmente esses textos num fanzine, o “BDpress”, durante 14 meses – confirmámos que, se calhar, havia mercado para uma publicação sobre (e não de) banda desenhada. Começou assim a saga do “BDjornal”, convidando  todos os críticos e jornalistas que escreviam nos periódicos generalistas a fazê-lo numa publicação específica. Assim, o “BDjornal” #1saíu em Abril de 2005 reunindo uma equipa de oito ou nove jornalistas, críticos, estudiosos e investigadores da Banda Desenhada – que se mantêm até hoje, acrescentada ao longo do tempo por alguns jovens promissores na área da escrita sobre o tema –, o lançamento deu-se no primeiro Festival Internacional de BD de Beja. E porque eles são importantes na escrita sobre Banda Desenhada, devemos deixar aqui os nomes de João Miguel Lameiras, Pedro Cleto, João Ramalho-Santos, Sara Figueiredo Costa, Nuno Franco, Osvaldo Macedo de Sousa (historiador de BD/cartoons),  Leonardo De Sá (investigador), Pedro Vieira de Moura (licenciado com um mestrado em BD), Geraldes Lino (coleccionador e especialista em fanzines), José Carlos Francisco – representante das editoras de “Tex”, Mythos (Brasil) e Sergio Bonelli Editore (Itália) em Portugal, coleccionador de “Tex Willer”, etc... –, Jorge Magalhães (algumas vezes), Edgar Indalécio Smaniotto (licenciado em Filosofia e divulgador/crítico de HQs – Brasil), etc, etc...
A partir da segunda fase do “BDjornal” (2006/2007) passámos a contar com a colaboração de especialistas brasileiros nas páginas da revista, onde se incluiu especialmente Edgar Smaniotto, citado atrás, alargando o leque de leitores ao Brasil, sendo que a procura nesse país é elevada, mas restritiva devido ao elevado custo com que o “BDjornal” lá chega. Daí que estejamos a estudar, com um editor do Rio de Janeiro, a possibilidade de uma co-edição luso brasileira, a partir já deste nº 30, que poderá vir a ser impresso e distribuído em terras do Brasil.
Tudo isto teve, obviamente, altos e baixos. Desde logo com o problema (comum a todo o espectro editorial deste país) da distribuição. Os editores portugueses vivem em sobressalto constante com as distribuidoras que temos, salvo raras excepções. Tendo sempre que contar com o fantasma da falência das empresas distribuidoras, que acontecendo por diversas vezes num passado não muito distante, deu origem a gravíssimos problemas financeiros (e por vezes à falência, por tabela) de diversos editores. O “BDjornal” e a própria Pedranocharco (a nossa chancela editorial) passaram também por problemas desses. Daí que, a certa altura tenhamos optado por uma distribuição mais personalizada e portanto mais restrita, optando por uma única edição anual do “BDjornal” desde 2012. Também, com a instalação da Livraria Pedranocharco online  (http://pedranocharco.shopmania.biz), ficou mais facilitada a aquisição, não só do “BDjornal”, como de vários livros de BD provenientes de diversos editores portugueses.
Resta dizer que o “BDjornal” esteve sedeado na Malveira da Serra (Cascais) entre 2005 e 2009 e, a partir de 2010 nas Caldas da Rainha (onde é vendido nas papelarias Vogal e Alex). Por outro lado fomos desenvolvendo, desde 2003, um blogue (kuentro.blogspot.com), com “posts” bedéfilos quase diários e que se tornou, a partir de 2005 no blogue do “BDjornal”.
Entrevista com Nuno Saraiva no BDjornal #30
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VER AQUI EM BAIXO O COMENTÁRIO DE JORGE MAGALHÃES
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