domingo, 16 de novembro de 2014

GAZETA DA BD #34 (NA GAZETA DAS CALDAS) – Desenhadores Portugueses nos Comics Americanos (2) – NUNO “PLATI” ALVES


GAZETA DA BD #34 (NA GAZETA DAS CALDAS)
Desenhadores Portugueses nos Comics Americanos (2) – NUNO “PLATI” ALVES 

Gazeta das Caldas, 14 de Novembro de 2014
Jorge Machado-Dias

Nuno “Plati” Alves nasceu em Lisboa a 15 de Setembro de 1975 e desde cedo se interessou pela banda desenhada e, por influência de Vasco Granja, também por cinema de animação.

Ainda na escola primária, fugia das aulas para fazer pequenas bandas desenhadas, juntamente com um amigo. No secundário, Nuno usava um blusão que ostentava o nome do então futebolista francês Platini, e os colegas começaram a chamar-lhe "Plati", alcunha que ele passou a usar como pseudónimo.

Mais tarde dá-se o encontro com com diversos heróis da BD: Tintin, Blake e Mortimer, Tio Patinhas (o "Uncle Scrooge" de Carl Barks), Astérix, Michel Vaillant, Ric Hochet, Tarzan (de Joe Kubert), Capitão América, Conan, entre outros. Começando depois a reparar mais nos autores, em que destaca Hermann, Bilal, Moebius, e imagina como seu futuro ideal ser desenhador de BD.

Essa ideia leva-o a ingressar na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, para o curso de Design de Comunicação, mas depressa se desiludiu, o que o leva a abandonar as Belas Artes. Em contrapartida, tenta desenvolver o seu trabalho no desenho animado, e com essa finalidade entra para o Estúdio de Animação Neurones (já extinto), onde teve formação em "storyboard".

Mais tarde parte para Londres, onde faz um curso rápido de Animação. Volta a Lisboa, onde começa a trabalhar como ilustrador em jornais (Expresso, Diário Económico, Jornal de Notícias) e revistas (Visão, Volta ao Mundo, Elle, Activa, Cosmopolitan) e para um diversificado tipo de clientes, entre os quais as firmas Mazda, Lisbon Fashion Week, Omni, Impala... Em 2007 dá-se o “salto” mais importante na sua actividade: o trabalho para a editora norte-americana Marvel.


Numa entrevista, Nuno “Plati”, respondendo a uma pergunta do entrevistador afirma que “(...) para se chegar à Marvel há várias maneiras. Podes apresentar o teu trabalho a editores indo a convenções, podes conseguir o contacto de algum editor e enviar-lhe um e-mail com um link para o teu trabalho, ou simplesmente ter uma presença forte na net em termos de portefólio, ou teres algum trabalho publicado que se destaque e que faça com que o editor te contacte a ti. Mas geralmente o processo mais habitual será apresentar o trabalho pessoalmente a um editor numa convenção, como mencionei anteriormente.

Cheguei ao mercado Americano através da internet, mais especificamente aquando do boom do MySpace e dos blogs de arte. Por volta de 2005, o talent scout da Marvel C.B Cebulski viu o meu trabalho, tanto no myspace como no meu blog e gostou, e na mesma altura, ou pouco depois, o Argumentista Ivan Brandon, também demonstrou interesse no meu trabalho e a bola começou a rolar a partir daí.

Comecei a colaborar com a Marvel em 2007, 2008, e desde então tenho trabalhado esporadicamente com eles ao longo dos anos. No meu caso foi através da net e do meu portfolio online que comecei o contacto com Editores Marvel (...)”.

Após o contacto com o editor e argumentista americano Chester B. Cebulski, da Marvel, começa a colaborar em revistas de comics americanas, designadamente "Anthology 24 Seven" da Image Comics, em seguida na série Avengers Fairy Tales 2, participou no Iron Man Titanium, com o episódio Deadly Commute.

Em 2012 desenvolveu para a Marvel a mini-série “Marvel Universe: Ultimate Spiderman”.

Recorrendo ainda à entrevista referida acima: “(...) Estou a trabalhar actualmente para a Marvel, na mini série Alpha: Big Time.


Por uma série de factores, os prazos relativamente apertados, tendo em conta que estou encarregue de tudo no que diz respeito à ilustração, cores inclusive, as temáticas, que apesar de não fugirem às normas dum comic mainstream da Marvel, têm a particularidade de ser bastante mais intimistas, fazendo com que as cenas de “vida real” sejam mais comuns do que as de acção, o que implica o desenho de todo o tipo de cenários, desde escolas, a cenas de rua, a cenas em laboratórios, a cenas no interior de casa, etc. É de longe o meu maior desafio até agora, mas são 100 páginas em mais menos 5, 6 meses o que me fez necessariamente crescer bastante (...)”.

A opinião de Nuno “Plati” sobre a BD em Portugal e o seu rumo actual?

“ (...) Não sei, sinceramente não sei qual é o panorama. Alguns amigos meus publicam regularmente em Portugal, mas isso sempre aconteceu. Honestamente, não me parece que haja muita qualidade de top, tipo Espanha, França ou Itália. Acho que temos pessoal de valor a publicar lá fora, mas sinceramente é estranho que eu conheça pessoalmente tão bem essas mesmas pessoas e que não cheguem a ser uma mão cheia praticamente. Não creio que haja muito publico, nem muito interesse por BD em Portugal, e em termos de desenhadores de top, porque de argumentistas não posso falar, também não temos muitos (...)”.
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As bases deste texto foram buscadas no blogue de Geraldes Lino Divulgando Banda Desenhada, aquando Nuno “Plati” foi Convidado Especial da Tertúlia BD de Lisboa: http://divulgandobd.blogspot.pt/2010/09/nuno-plati-alves-sintese-biografica-do.html

E na entrevista ao site Virtual Illusion: http://virtual-illusion.blogspot.pt/2013/10/entrevista-com-nuno-plati-ilustrador-da.html
  

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