segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

AMANHÃ – 366º ENCONTRO DA TERTÚLIA BD DE LISBOA – CONVIDADO ESPECIAL: PEDRO CRUZ



Nasci e cresci numa época em que os quiosques ainda tinham paredes inteiras repletas de revistas com “histórias aos quadradinhos” a preços relativamente acessíveis. Tio Patinhas, Pato Donald, Rato Mickey, Petzi, Luluzinha, Riquinho, Gasparzinho, Brazinha, Turma da Mónica, Pelézinho, Astérix, Lucky Luke, Os Estrumpfes, Spirou, Mafalda, Valérian, Fantasma, Mandrake, Flash Gordon, Príncipe Valente, Super-Homem, Batman, Capitão América, Homem-Aranha, O Incrível Hulk, O Poderoso Thor … foram algumas das muitas personagens de banda-desenhada que povoaram o meu imaginário infantil. Paralelamente, também a televisão e o cinema desempenharam um papel importante na minha formação. Os velhos desenhos animados da Warner Brothers, de realizadores como Chuck Jones, Tex Avery ou Friz Freleng, as séries da Hanna-Barbera com design de Alex Toth, as animações japonesas da Nippon Animation, com realização de Isao Takahata ou Hayao Miyazaki, os fantoches de Jim Henson e os filmes da Walt Disney, de Steven Spielberg e George Lucas foram igualmente fulcrais na fertilização da minha mente, imaginação e sensibilidade visual.

Enquanto filho único, passava horas a fio desenhando personagens e aventuras imaginadas ou copiadas das minhas bd’s e/ou séries de animação favoritas, num estilo que tentava reproduzir a mesma estética de todo esse manancial visual que se me apresentava. Os meus pais, com ou sem consciência, alimentavam o fascínio por esse universo, dando-me folhas brancas, cadernos e canetas. Deste modo, o gosto pelo desenho, filtrado pelas experiências da leitura de bd e dos desenhos animados tornou-se uma paixão. Lia muita bd, devorando e colecionando de tudo, presente e passado, europeu, americano e japonês, de um modo muito eclético e voraz. Rapidamente, passei além do interesse pelas personagens ou séries, comecei a seguir autores e a ler revistas de crítica e notícias da bd. Já não me bastavam as ficções, queria descobrir os bastidores, os processos de criação e os modos de fazer.

Já jovem adulto, iniciei a licenciatura em arquitectura pela Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa. Na altura, pareceu-me uma escolha adequada porque tinha as notas necessárias para entrar no curso, porque parecia ter como saída uma profissão interessante e ainda me permitiria desenhar e aprender disciplinas relacionadas com arte. No entanto, nunca me senti plenamente integrado e realizado nesse meio, o qual comecei a considerar um tanto ou quanto snob e adverso, de um modo geral, à bd, e aos seus autores e leitores. Ainda durante os meus anos na faculdade, trabalhei profissionalmente em animação, um sonho antigo, que acabou por se revelar uma desilusão. A animação apresentou-se-me como uma autêntica galera romana, uma máquina onde o indivíduo é reduzido a uma rosca na engrenagem, sem margem para a expressão pessoal, muitas vezes tratado com desrespeito e mal pago. Abandonei esse caminho, concluí a licenciatura, dediquei-me ao ensino, fazendo o mestrado profissionalizante como professor do ensino básico e continuei a desenhar nos meus tempos livres, procurando evoluir e continuando a aprender, lendo e analisando obras dos mais variados autores de bd.

Ganhei dois prémios na modalidade de cartoon do concurso do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora em 2000 e 2003. Colaborei no fanzine Nimbus da FAUTL.

Tive ilustrações publicadas no XL Magazine da Associação de Estudantes do ISEL.
Participei com ilustrações, cartoons e bd’s no DN Jovem.
Desenhei dois capítulos da bd Guard Dogs, escrita por Jason Quinn para o fanzine britânico Starscape.
Desenhei a bd Helljacket escrita por Steve Zegers e publicada na norte-americana Ronin Illustrated #2 .
Auto-publiquei Pedro Cruz: Selected Sketches, uma coleção de desenhos e esboços.
Desenhei o primeiro e único número de The Kirby Martin Inquest e uma bd curta The Semite, com argumentos de Mike Hasselhoff para o selo australiano Nitelite Theatre.
Colaborei regularmente com ilustrações para a editora norte-americana Airship 27, tendo ilustrado os seguintes livros de pulp fiction: Jim Anthony Super Detective, Season of Madness, Jim Anthony Super Detective – The Hunters, Dr. Watson’s American Adventure, Three Against the Stars e Zeppelin Tales.
Participei com a comunicação “Fanzine de bd e literacia visual” nas 3ªs Conferências de Banda Desenhada em Portugal, baseada na minha tese de mestrado.

Desde Julho de 2006, publico semanalmente o meu blogue www.pedro-cruz.blogspot.com, onde tenho colocado textos, desenhos e bandas-desenhadas, destacando-se a este nível, Grace (com argumento de Arya Ponto), Cosmopolis (inacabada), WHYM, Metanoia e The Mighty Enlil. Esta última bd também foi serializada no site norte-americano comicrelated.com, tendo sido publicada em papel pelo selo editorial norte-americano Redbud Studios e pela El Pep em Portugal. A edição nacional deste livro foi nomeada para os prémios do Festival de BD da Amadora 2014 na categoria de Melhor álbum de autor português em língua estrangeira.

No último ano, colaborei com o argumentista André Oliveira em duas bd’s publicadas na revista CAIS, O Inominável Homem-Sapo e O Inominável Homem-Sapo parte II. Também fiz 4 bd’s para o fanzine Efeméride nº6 de Geraldes Lino, desenhando as personagens Conan o bárbaro, Flash Gordon, Homem-Aranha e Watchmen.
Recentemente, criei a bd Young Enlil goes to Hell, uma prequela/sequela de The Mighty Enlil, publicada na antologia CRUMBS da Kingpin Books.

Para o futuro próximo, estão planeadas colaborações com os argumentistas André Oliveira e Fernando Dordio e mais um trabalho a solo.

Posso ser contactado via e-mail através de pedrocruzcomics@gmail.com


Nomeado para o Prémio Nacional de Banda Desenhada – Melhor Álbum de Autor Português em Língua Estrangeira 

The Mighty Enlil, de Pedro Cruz (El Pep):


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