quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

BDpress #306: TURMA DA MÓNICA DE MAURÍCIO DE SOUSA CHEGA AO NÚMERO 500





Público, 16 Dezembro 2011  
MÓNICA 
CHEGOU AO NÚMERO 500

Por Carlos Pessoa

A menina "dentuça" do bairro do Limoeiro e dona da rua onde brinca com Cebolinha, Magali, Cascão e outras crianças é um caso único de sucesso dos quadradinhos brasileiros. A revista 500 relembra o percurso dos heróis criados por Maurício de Sousa.

A personagem de banda desenhada Mônica, rainha da turminha criada pelo argumentista e desenhador Mauricio de Sousa, nasceu em 1963. Quase meio século depois, a publicação mensal com o seu nome e aventuras atingiu o invejável patamar dos 500 números.

Esta edição especial, já em distribuição em Portugal, relembra numa história de 32 páginas os momentos mais relevantes do percurso de Mônica e dos seus amigos. Evoca ainda outros momentos da série, cujas personagens tinham um aspecto gráfico bastante diferente do actual.


O criador brasileiro nunca escondeu que se inspirou na sua própria filha para desenvolver a menina de vestido vermelho, dentes saídos e um temperamento explosivo. Nesse tempo já distante, Mônica era apenas parceira de Cebolinha, o rapazinho de cabelo espetado que troca os erres pelos eles.

Talvez devido a essas qualidades, Mônica acabaria por se tornar a heroína de uma série com o seu nome que fez o seu caminho na imprensa brasileira antes de conquistar a sua própria revista em 1970.

A personagem é uma criança de sete anos que vive no imaginário bairro do Limoeiro, palco da esmagadora maioria das histórias de que c protagonista. Começou como irmã de Zé Luis. outra personagem da série, mas esse laço de parentesco desapareceu mais à frente. Tem Cebolinha, Cascão (o menino que nunca toma banho) e Magali (dotada de um apetite insaciável) como seus companheiros inseparáveis de brincadeiras. Eles dão corpo a um universo narrativo e lúdico que, sendo tipicamente brasileiro, está dotado com todos os ingredientes do imaginário infantil que fazem da série uma criação universal.

Estes protagonistas não estão sós. Coexistem com outros elementos - uns mais brasileiros, como o caipirinha Chico Bento, outros mais intemporais, como Tina ou Rolo, pré-históricas como Horácio e Piteco, surrealistas como Floquinho e o Louco, ou ainda humanizadas como o cão Bidu e o elefante Jotalhão. Fazem todos parte de um universo que partiu um dia à conquista do mercado brasileiro.

Maurício de Sousa, hoje com 76 anos de idade, começou a desenhar ilustrações para os jornais de São Paulo, mas viu-se obrigado a aceitar um lugar de repórter de polícia na Folha da Manhã. Nunca perdeu o desenho de vista e criou, em 1959, uma série de tiras de quadradinhos onde evoluíam as suas primeiras personagens: Bidu e Franjinha. Percorria as redacções dos jornais para colocar as suas histórias, enriquecidas ao longo dos anos com outras figuras que marcavam presença regular nas páginas dos jornais e acabaram por se tornar famosas.

Não foram tempos fáceis, como recordou Mauricio de Sousa em diversas entrevistas. A concorrência do material de origem norte-americano era fortíssima e impedia a afirmação de uma banda desenhada de expressão nacional, como o jornalista e cartoonista Ziraldo pôde comprovar com o fracasso do seu saci Pereré, o "moleque de uma perna só". "A venda de histórias aos quadradinhos, para um jovem que começa, é difícil. Infelizmente, até eu estou concorrendo com os desenhistas brasileiros que estão surgindo por aí. Preciso de vender as minhas histórias pelo preço das histórias americanas, senão não coloco a produção de estúdio...", confessou Maurício de Sousa.

Nascimento de uma revista

Na década de 1960, o artista brasileiro já tinha percebido que só havia uma maneira de vencer: criar a sua própria estrutura de produção e distribuição de banda desenhada. Assim surgiram a Maurício de Sousa Produções.

Em 1970, ocorre um novo salto qualitativo, com o lançamento da revista mensal Mônica (edição da editora Abril), com uma tiragem inicial de 200 mil exemplares. Oois anos depois, surge a revista Cebolinha, a que se seguem as publicações Chico Bento, Cascão e Magali, inteiramente preenchidas com as aventuras das respectivas personagens.

A consolidação e crescimento dos seus estúdios permitiram a Mauricio de Sousa manter uma presença continuada no mercado das suas criações em revistas que passaram da Abril (200 números entre 1970 e 1986) para a Globo (246 edições no período 1987-2006) e desta para a Panini, actual editor das aventuras de Mônica e seus amigos (54 números até à data), num total de 500 edições.

O mais recente passo desta trajectória, narrativamente pouco interessante mas com potencial comercial, consistiu na criação da Turma da Mônica Jovem, uma versão adolescente do universo das bandas desenhadas originais. Num registo que pisca o olho ã esférica das mangas (bandas desenhadas japonesas), as personagens aparecem com o seu peso e estatura juvenis, vivendo os problemas e situações típicas da puberdade e adolescência.

Na década de 1980, a Turma da Mônica evoluiu para o cinema de animação a partir de um estúdio de animação (Black & White) que realizou oito longas-metragens. A crise económica brasileira daqueles anos coarctou o desenvolvimento desta área de trabalho, mas Mauricio de Sousa conseguiu reorientar os negócios noutras direcções - uma delas foi a dos parques temáticos, primeiro em São Paulo e depois no Rio de Janeiro. A par disso, incrementou o merchandising dos produtos baseados nos seus heróis, do sector alimentar à moda, dos produtos escolares aos brinquedos, num total de mais de três mil produtos licenciados em todo o mundo.

O balanço de meio século de actividade editorial e comercial dificilmente poderia ser mais conseguido. Neste período, Maurício de Sousa e os seus colaboradores criaram mais de 200 personagens, venderam mil milhões de revistas e têm a sua obra publicada em 50 idiomas e 126 países.

O que começou como uma singela aventura para criar e ganhar espaço para uma obra de banda desenhada muito pessoal transformou-se num negócio de grandes proporções, levando a imagem de Mônica c dos seus amigos a todos os cantos do mundo.

(Em caixa)

O balanço de meio século de actividade editorial e comercial dificilmente poderia ser mais conseguido. Neste período, Maurício de Sousa e os seus colaboradores criaram mais de 200 personagens, venderam mil milhões de revistas e têm a sua obra publicada em 50 idiomas e 126 países.

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