quinta-feira, 18 de abril de 2013

ÀS QUINTAS FALAMOS DO CNBDI (3) - A FALTA DE IMAGINAÇÃO E... OS TIROS NOS PÉS EM “ÀS QUINTAS FALAMOS DE BD” + AMIGOS DO CNBDI (3), DE JOSÉ RUY


ÀS QUINTAS FALAMOS DE BD 

A FALTA DE IMAGINAÇÃO E... OS TIROS NOS PÉS 

Tínhamos programado que o post de hoje seria dedicado à segunda exposição no CNBDI, Contrastes, de Luís Louro, mas não solicitámos as fotos correspondentes a esta exposição em devido tempo, ao nosso amigo Dâmaso Afonso, daí que fique para a próxima 5ª feira, dia 25 de Abril - já agora.

Por outro lado, o CNBDI programou para amanhã (SEXTA-FEIRA, dia 19) uma edição de Às Quintas Falamos de BD: Abril na BD - O Canto de Intervenção em Portugal e no Mundo...



A nossa perplexidade (e penso que de toda a gente) perante este “tema”, leva-nos a ter que escrever hoje sobre a completa falta de imaginação que grassa na organização do CNBDI, que faz com que os seus responsáveis dêem autênticos “tiros nos pés”, quando sobre si pesa um anátema que eventualmente pode dar maus resultados para o próprio Centro.

Comecemos pelo princípio: na apresentação deste Às Quintas Falamos de BD, no Boletim nº 14 do CNBDI, em Dezembro de 2011, constava:

Às Quintas Falamos de BD é o nome de uma iniciativa que pretende ser um espaço dedicado à apresentação e deba­te de temas relacionados com a caricatura, o cartoon, a banda desenhada, a ilustração e também o cinema de animação.
O objectivo central que esteve na origem da criação destes encontros foi que a selecção dos temas para apresentação e debate fos­se suficientemente abrangente e atractiva de modo a reunir no CNBDI pessoas de outros campos do conhecimento cuja investigação e reflexão pudessem contribuir para a dinami­zação de outros projectos e o estabelecimen­to e reforço de parcerias de trabalho.
De Fevereiro a Maio, e sempre na última 5a feira de cada mês às 21h00, há encontro marcado no CNBDI. Em 2011 foi para apre­sentar livros - E tudo Fernando Bento So­nhou, e Quim e Monecas 1915-1918 - para homenagear uma determinada obra ou artis­ta - como aconteceu com Humor em Abril com SAM e o Guarda Ricardo - ou ainda para debater um tema em concreto - Novos caminhos para a BD.
Para 2012 teremos mais quatro edições para marcar na agenda nos dias 23 de Fevereiro, 29 de Março, 26 de Abril e 24 de Maio. A pro­gramação será divulgada logo que tenhamos todas as confirmações.    Adiantam-se para já alguns dos temas em torno dos quais estamos a trabalhar, designadamente A Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto, As construções de armar, a caricatura, O 25 de Abril e a guerra colonial 50 anos depois.” 


E organizaram-se, em 2012 e 2013, os seguintes encontros:

23 Fev 2012 - POR ESTA PEREGRINAÇÃO ACIMA – com José Ruy e Fausto
29 Mar 2012 - CONSTRUÇÕES DE ARMAR – HOMENAGEM A ANTÓNIO VELEZ
26 Abr 2012 - ENCONTRO ABRIL NA BD - Com Manuel Freire, João Miguel Lameiras e Pava Boléo
31 Mai 2012 - AS DUAS FACES DA GUERRA COLONIAL (filme/documentário de Diana Andringa e Flora Gomes)
28 Fev 2013 - ENCONTRO IMAGINÁRIO COM FERNÃO MENDES PINTO
21 Mar 2013 - FAZER CIÊNCIA COM AS FERRAMENTAS DA BD
19 Abr 2013 - ABRIL NA BD - O CANTO DE INTERVENÇÃO EM PORTUGAL E NO MUNDO

Se o “programa” acima transcrito era ambíguo (ver o segundo parágrafo) sobre o que verdadeiramente se pretendia com estes Encontros, nada faria prever que fossem chamados à liça temas como As duas Faces da Guerra Colonial (sobre o documentário de Diana Andringa e Flora Gomes) e agora este Canto de Intervenção em Portugal e no Mundo... que não têm nada a ver com BD, ilustração, cartoon ou cinema de animação.

Portanto, em sete encontros realizados em dois anos, três foram sobre o 25 de Abril/Guerra Colonial - em apenas um deles se falou em BD -, dois sobre Fernão Mendes Pinto, um sobre Construções de Armar e o outro sobre Ciência e BD... Esperemos que o Encontro de Maio não seja sobre um qualquer outro documentário filmado, porque esta programação - considerando a de 2012 e até agora, a de 2013 - parece seguir a técnica de culinária da “pescadinha de rabo na boca”: começa com Fernão Mendes Pinto e acaba num documentário filmado qualquer, passando obrigatoriamente pelo 25 de Abril e falando ocasionalmente de BD.

Por outro lado não se compreende esta fixação com a comemoração do 25 de Abril, quando isso é da competência da própria Câmara Municipal, que o faz todos os anos, pensamos nós, tal e qual como todas as outras Câmara Municipais do País e o próprio Estado central.

Sabemos que a função do CNBDI não é apenas organizar o Às Quintas falamos de BD - e a ideia é falarmos de todas as suas funções neste espaço - mas é uma pena que estes Encontros não sejam programados numa linha que atraia verdadeiramente as pessoas ao Centro. Já disse isto em relação às exposições, no último post, mas volto à carga: os novos autores (não é preciso estar-se sempre a homenagear alguém), os temas, as correntes estéticas, as diversas formas de fazer BD - nos comics, na mangá, etc... - as próprias técnicas... Enfim, tudo isto daria para realizar Encontros em Às Quintas Falamos de BD durante todo o ano e não apenas em quatro meses, o que é outro dos óbices do programa, porquê apenas quatro meses em cada ano? Bem, para fazer o mesmo que nos dois últimos anos, quatro meses, se calhar até é demais.

E como a intenção inicial deste espaço Às Quintas Falamos do CNBDI era (e é) deixar aqui outras opiniões (pró ou contra - mal-dizer, bem-dizer), aqui fica um pequeno excerto da opinião de Nuno Amado/Bongop, publicada no seu blogue Leituras de BD e que pode ser lida na íntegra AQUI.

“(...) Agora temos mais uma repetição de tema... Abril na BD! Mais uma vez! Não que a data do 25 de Abril não seja de importância maior, mas... outra vez?? Mais... desta vez como poderão verificar no texto [do convite], não tem nada a ver com BD nem com ilustração!

Isto é só tiros nos pés! Não acertam! Como é que querem trazer os jovens para a BD? Como é que querem que estes encontros sejam na realidade únicos e interessantes no ambiente da BD nacional?

Não, isto não é assim que se faz. Lamento mas isto é usar um equipamento que DEVERIA SERVIR para fomentar a BD nacional, e é apenas uma fogueira de vaidades paga com dinheiro público. E onde está a BD neste encontro de celebração política? Não está. Está a poesia, e a música. Num dos quatro únicos encontros anuais desta rubrica sobre BD. (Irra...) 


... 
Mas o "Às Quintas falamos de BD" é para falar de BD! Isto para mim é apenas um comício, mas para isso vão haver comícios maiores na data correcta, com muita gente a falar sobre o assunto (...)”


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AMIGOS DO CNBDI (3) 
Por José Ruy

(... Continuação)

Do outro lado da linha telefónica o Coelho fez uma pausa e ouvi-o falar afastado do bocal, com a Gilda, e por fim disse que aceitava o convite, mas que viria só, pois a Gilda não podia interromper compromissos que tinha com o Geographic Magazine americano, para onde colaborava com trabalhos científicos.

Estalou uma euforia na equipa. O Teixeira Coelho veio receber o troféu de honra e o prémio da amizade de muitos e muitos admiradores. Entrevistado por todos os órgãos de comunicação, foi notícia. Uma boa notícia. Regressou a Itália «um homem diverso», palavras da Gilda. Cheio de entusiasmo e reconhecido.

E como estava já estabelecido, quem ganhasse o troféu num ano, no Festival seguinte tinha uma exposição em destaque. Portanto em 1998 esse privilégio era dedicado ao ETC.

Por isso esta nova e brilhante ideia do Dr. Luís Vargas em conseguir originais do grande artista no «bunker» do CNBDI, era baseada no facto de termos agora mais perto de nós o grande «poeta da linha» como o artista espanhol Emílio Freixas chamou ao Teixeira Coelho.

Mas como abordaríamos esta proposta? A veia sonhadora do Dr. Luís Vargas não tinha limites e pensou em conseguir uma verba, mesmo insignificante, para compensar o ETC dos vários milhares de pranchas a ceder. Mas que valor se atribuiria? Nem ele nem eu estávamos a par da cotação de originais no mercado internacional, e a certa altura lembrou-se de partir do valor que era estabelecido para o seguro, aquando das exposições internacionais nos Festivais. A partir daí, multiplicando pelo número estimado de pranchas, encontrar-se-ia uma quantia. Primeiro que tudo era preciso consultar o presidente da Câmara para ver se concordaria.

O presidente recém eleito marcou um jantar particular num restaurante da Amadora, e munidos de alguns originais, capas e ilustrações publicadas n’O Mosquito que eu conservava, fomos, o Dr. Luís Vargas e eu, ao jantar. Não conhecia ainda bem o presidente, havia trocado algumas palavras por duas ou três vezes, em exposições, e tratei-o por Dr. Joaquim Raposo. De imediato, ripostou que não era Doutor e que o chamasse simplesmente pelo nome. Isso caiu-me bem, pois já nessa altura muitos se intitulavam do que não eram. O Dr. Luís Vargas expôs a ideia, eu mostrei os originais e o entusiasmo do presidente foi imediato. Também sem delongas aceitou a verba encontrada, achando que era uma ninharia em face da qualidade dos originais. Sabíamos, por informação do E T Coelho, que possuía uns milhares de pranchas conservadas na sua casa da Itália e em Paris na posse de Jean Olivier, o seu argumentista e chefe de redação do «Vaillant».

Estimou-se logo ali, sobre a toalha da mesa do restaurante, que a Câmara poderia propor uma compensação de dois mil contos.

No dia seguinte, do escritório da Fábrica da Cultura voltei a ligar ao E T Coelho a sugerir a entrega dos seus originais disponíveis por essa quantia, que em Liras, desvalorizadas na altura, atingia uns milhões. O Coelho apanhado de surpresa passou o telefone à Gilda dizendo ser ela a «ministra das finanças» lá de casa. E a Gilda aceitou. Seriam à volta de três mil originais, juntando os que estavam na minha mão.

Nesse mesmo dia…

(continua...)

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