quinta-feira, 25 de julho de 2013

ÀS QUINTAS FALAMOS DO CNBDI NO KUENTRO (17) – OS BOLETINS #2 E #3 + O TEXTO DE JOSÉ RUY “AMIGOS DO CNBDI” (14)

ÀS QUINTAS FALAMOS DO CNBDI - 17

OS BOLETINS BD'INFORMAÇÃO #2 e #3

Apresentamos hoje os boletins BD’Informação #2 e #3 – como tratam do XV Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (o primeiro dos dois realizados na Estação do Metro da Amadora-Este) deixamos aqui algumas fotos desse FIBDA (ainda não AmadoraBD) para recordar... Transcrevemos também os testos de introdução/editorial, da então Vereadora da Cultura da CMA, Maria João Bual Salvado.


No ano em que se realiza o 15º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora [FIBDA]. Apraz-nos registar a edição no mês de Julho do segundo número do BD’Informação.

Neste boletim vão estar em destaque diversos temas, nomeadamente, a divulgação da futura zona comercial da estação de metro Amadora-Este, informando sobre o local que acolhe este ano o FIBDA e alguns dados referentes à próxima exposição no Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem (CNBDI) do argumentista e escritor Neil Gaiman, que se tem destacado no âmbito da literatura infanto-juvenil [?].

Além disso, são ainda alvo de interesse a sessão de encerramento da exposição BDs de Abril, o 25 de Abril 30 Anos Depois, que contará com a presença da Associação 25 de Abril e de autores de BD que desenharam aquele momento marcante da história nacional, bem como uma matéria relativa às exposições itinerantes do CNBDI, que este ano já passaram ou irão estar presentes em terras espanholas e belgas, correspondendo a mais um sinal das potencialidades da banda desenhada como veículo privilegiado na promoção das linguagens artísticas.

A Vereadora do Pelouro da Cultura
Maria João Bual Salvado


O Boletim nº 3 do Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem (CNBDI) é editado nas vésperas do início de mais uma edição do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora [FIBDA], evento que ano após ano marca indelevelmente o panorama da Banda Desenhada nacional. Nesta 15ª edição, o núcleo central do Festival vai estar localizado na galeria comercial da estação Amadora-Este do Metropolitano, espaço que se distingue pela sua dimensão e capacidade de (re)criar ambientes.

Além de atestar que a festa da banda desenhada nacional resulta do trabalho regular e sustentável que o CNBDI desenvolve ao longo do ano, no qual se destaca o FIBDA, iniciativa que representa o ponto alto da sua actividade, esta publicação confirma ainda a aposta contínua que aquele Centro desenvolve na vertente editorial e no enriquecimento do espólio e arquivo de originais, que foi recentemente dotado com trabalhos de Victor Péon.

A Vereadora do Pelouro da Cultura
Maria João Bual Salvado




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AMIGOS DO CNBDI (14)
José Ruy

Em 2011 a diretora do Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem, Drª Cristina Gouveia teve uma ideia, outro sonho, de organizar umas sessões para dinamizar o espaço. Seriam num dia a meio da semana, pois os ligados aos sábados e domingos têm o inconveniente de impedir a presença de quem passa os fins-de-semana fora. Pensou nas quintas-feiras e à noite, pois durante o dia as pessoas interessadas estão a trabalhar ou ocupadas com alguma tarefa, e ao fim da tarde ficava pouco tempo disponível, porque a partir das sete horas está tudo a pensar no jantar, principalmente quem mora em Lisboa ou noutros locais mais afastados da Amadora.

Confesso que embora apoiando a iniciativa que achei muito boa, fiquei receoso quanto ao número de presenças a conseguir; primeiro porque no dia seguinte as pessoas teriam trabalho logo cedo, e segundo, por recearem andar à noite na Amadora, devido à propaganda exagerada que os chamados «órgãos de informação social» têm feito, dando a impressão tratar-se de uma terra de ninguém, sem lei, onde os transeuntes seriam assaltados ao virar de cada esquina e os malfeitores matassem polícias a tiro de hora a hora. Afinal o que acontece praticamente em todas as cidades, parecia que só acontecia na Amadora, ideia até reforçada negativamente por alguns cómicos com programas na Televisão, que para fazer graça gratuita, brincavam com isso. Tenho o maior respeito pelos palhaços, mas detesto as palhaçadas feitas por alguns «fedorentos».

A confirmar o que digo descrevo o que aconteceu com uma descendente de um autor, que fora convidada a estar presente na inauguração de um dos nossos Festivais de BD. Chegada à Amadora saiu do comboio «aterrorizada» porque tinha de atravessar a avenida que separa a estação do edifício da Câmara onde começa sempre o Evento. Tive de a sossegar e mostrar-lhe que essas informações selvagens eram dadas só com o intuito de conseguirem audiências. Ora as televisões deviam informar corretamente o público e não aterroriza-lo. Tratou-se da filha do Ruy Manso, colaborador de O Mosquito que depois pôde verificar como as pessoas andavam descontraídas na rua até tarde, e o ambiente criado (mal criado) pelos tais órgãos «deformativos» era absolutamente descabido.

Mas o facto é que o medo podia impedir a presença dos interessados nas sessões. E fez-se a primeira, com o lançamento de um livro sobre o ilustrador Fernando Bento. A adesão do público interessado ultrapassou todas as espectativas e a sala ficou cheia. Naturalmente que não é uma grande sala, mas comporta na ordem de 40, 50 pessoas. Dadas as circunstâncias foi muito bom. E vieram de Lisboa, de Queluz e das Caldas da Rainha e de Cascais. Fiquei agradavelmente surpreendido.

Estabeleceu a direção do CNBDI que essas sessões funcionassem na última quinta-feira de cada mês, de Fevereiro a Maio, pois a partir de Junho o Centro está ocupado na realização do Festival BD que se efetua em Setembro e Outubro, com um intervalo em Agosto em que pausa para férias.

Os temas escolhidos têm sido de tal maneira felizes que as presenças se têm mantido demonstrando o interesse pelas sessões. Um pormenor importante, quanto a mim, que demonstra bem o êxito é que depois do final das sessões que têm início às 21 horas, no passeio frente à porta, a conversa sempre se prolonga até à uma da manhã, com o acompanhamento amável da Dr.ª Cristina Gouveia, que não fecha a porta enquanto os convidados se mantêm por perto.

Destaco também que o pessoal do CNBDI não recebe horas extraordinárias por estas sessões. Todo esse tempo é voluntário dedicado às Histórias em Quadrinhos, ou Banda Desenhada e aos seus fans.

Em Março desse ano, na segunda sessão, foi lançado outro livro sobre o «Quim e o Manecas», duas personagens criadas por Stuart Carvalhais e o êxito repetiu-se. Stuart esteve também ligado à Amadora, tendo morado um tempo em Queluz, e era amigo íntimo do Cardoso Lopes, o Tiotónio, um dos diretores de O Mosquito. As suas personagens Quim e Manecas foram publicadas nos jornais da época, e até num suplemento infantil do «Cavaleiro Andante».

Nestas sessões, a direção do CNBDI oferece com simpatia um café e uns bolinhos mas estou seguro não ser esse o motivo que levou o público a aderir à ideia e se tem mantido fiel. São os temas, é a maneira como são apresentados e debatidos, é no fundo o convívio agradável e o clima de amizade conseguido. Sentimo-nos ali em família.

No mês seguinte, em Abril…

(continua...)

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