domingo, 16 de março de 2014

PRÉ 25 DE ABRIL – PASSARAM HOJE 40 ANOS SOBRE O CHAMADO “LEVANTAMENTO (OU “GOLPE”) DAS CALDAS DA RAINHA” A 16 DE MARÇO DE 1974 – ver em Kuentro2:


PRÉ 25 DE ABRIL

PASSARAM HOJE 40 ANOS 
SOBRE O CHAMADO “LEVANTAMENTO (OU “GOLPE”) DAS CALDAS DA RAINHA” 
A 16 DE MARÇO DE 1974 

INTRODUÇÃO

Os Vampiros, de José Afonso, original no “single” Baladas de Coimbra, 1963 – aqui cantado no Concerto “Ao vivo no Coliseu” em 1983
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Salvo erro no início de Março de 1974 (sei que foi antes do “16 de Março”), ouve um “Canto Livre” no Salão de Festas da Incrível Almadense. Não foi tão “livre”, como se deve calcular, uma vez que a sala – cheia à pinha – estava vigiada por agentes da PIDE/DGS, que nós conheciamos bem naquele meio. Mas a coisa decorreu sem grandes incidentes. Foram cantando alguns "baladeiros de intervenção" e grupos corais – mas estávamos à espera de José Afonso (não gostei nunca de lhe chamar “Zeca”) que estava muito atrasado, porque vinha do Alentejo para participar. Fomos sabendo o percurso do cantor, por quem fazia a apresentação do espectáculo no palco, que recebia informações por via telefónica, de alguém que, numa paragem da viatura, ia a uma cabine telefónica (não havia telemóveis na altura, claro) e depois as transmitia ao público presente - "O Zeca está a passar por Grândola", por exemplo. Mas informaram-nos a dada altura que o carro onde ele viajava estava a ser perseguido. Soubemos depois que o cantor teve mesmo que interromper a viagem e esconder-se algures. Decepção geral e grande gritaria e pateada a acompanhar...

Quase no final do espectáculo, já com algumas chamadas de atenção dos referidos agentes da PIDE/DGS, para a organização controlar as coisas (ou seja, não deixar descambar aquilo para o “lado proibido”) e, no meio da muita gritaria de protestos na sala, alguém chegou ao palco e anunciou que tinham recebido, nesse momento e directamente de França, por um “camarada” que entretanto ali chegara, uma nova canção de José Mário Branco.

E foi assim, com um grupo a cantar no palco e o refrão repetido por toda (toda não, quase toda) a gente na sala, que se estreou em público “A Cantiga é uma Arma”. Claro que aquilo terminou com a invasão da polícia - chamada pelos PIDES/DGS - e o esvaziamento forçado do Salão de Festas. 

Não aconteceu nada de especial, ninguém foi preso, ao que eu saiba, mas foi muito giro, pá! 

Resta dizer, a nível pessoal que, nesse dia eu já tinha recebido a notificação para me apresentar na Escola Prática de Cavalaria em Santarém, a 23 de Abril, para “assentar praça”...

Aqui fica a música, na versão do autor, acompanhado pelo Coro da Incrível Almadense... perdão, pelo GAC (Grupo de Acção Cultural), formado maioritariamente por ex-membros do referido Coro da Incrível Almadense, a que eu também pertenci, diga-se de passagem, até Fevereiro desse ano.

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O "GOLPE" DAS CALDAS DA RAINHA
CRONOLOGIA 

A 22 de fevereiro de 1974 vem a público a obra "Portugal e o Futuro", do general António de Spínola, onde este defende que a solução para a guerra colonial deveria ser política e não militar.


A 5 de março ocorre a reunião da Comissão Coordenadora do MFA. Foi lido, e decidido pôr a circular no seio do Movimento dos Capitães, o primeiro documento do Movimento contra o regime e a Guerra Colonial. Intitulava-se "Os Militares, as Forças Armadas e a Nação" e foi elaborado pelo major Ernesto Melo Antunes. 

14 de Março de 1974

Marcelo Caetano recebe Oficiais-Generais dos três ramos das Forças Armadas, numa reunião que ficou conhecida como a "Brigada do Reumático", no intuito de tentar provar que o regime tinha tudo sob controlo.

Marcello Caetano recebe a "Brigada do Reumático"...

15 de Março de 1974

Demissão por Marcello Caetano, dos Generais Costa Gomes e António de Spínola por se terem recusado a participar na "Brigada do Reumático".

 Generais Costa Gomes e António de Spínola

16 de Março de 1974

Tentativa de golpe militar contra o regime. Tropas do Regimento de Infantaria 5 das Caldas da Rainha marcham sobre Lisboa. Apesar de originalmente estar prevista a participação de outras unidades militares, apenas o Regimento de Infantaria nº 5, das Caldas da Rainha, avançou para Lisboa, sob o comando do capitão Armando Marques Ramos. Isolado, o seu avanço foi sustido por unidades leais ao regime já às portas de Lisboa, sem derramamento de sangue. 


O golpe falhou. Foram presos cerca de 200 militares, no quartel da Trafaria, alguns deles decisivamente envolvidos na preparação da chamada "Revolução dos Cravos". Foram libertados no dia 25 de Abril.

A saída em falso do Reg. das Caldas da Rainha a 16 de Março de 1974, deu-se, em princípio, como reacção à demissão de Costa Gomes e de Spínola. Acabou por constituir uma espécie de ensaio militar, não programado, do dia 25 de Abril.

Otelo Saraiva de Carvalho contaria mais tarde (muito depois do 25 de Abril) que, tendo sido informado da progressão da coluna militar depois desta ter saído, na madrugada de 16 de Março, dirigiu-se ao seu encontro. Deparou com uma elevada concentração de unidades militares e GNR à entrada de Lisboa. Terá sido da observação que fez do dispositivo militar governamental, que extraiu a ideia de na «Ordem de Operações» para 25 de Abril, atribuir a Salgueiro Maia a missão de ocupar o Terreiro do Paço, atraindo ali as forças fiéis ao regime e permitindo que os outros alvos militares fossem ocupados e controlados sem oposição.

Alguns historiadores consideram que o 16 de Março de 1974, esteve para o 25 de Abril, como o 31 de Janeiro de 1891 esteve para o 5 de Outubro de 1910 (a imposição da República)...

A reacção de Marcelo Caetano, na sua última “Conversa em Família”:

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