quarta-feira, 10 de setembro de 2014

MENEZES FERREIRA CAPITÃO DAS ARTES – EXPOSIÇÃO NO MUSEU BORDALO PINHEIRO (LISBOA) – INAUGURA DIA 11 DE SETEMBRO


MENEZES FERREIRA
CAPITÃO DAS ARTES
EXPOSIÇÃO NO MUSEU BORDALO PINHEIRO (LISBOA)
INAUGURA AMANHÃ DIA 11 DE SETEMBRO

O Museu Bordalo Pinheiro apresenta uma exposição inédita dedicada à obra do artista militar Menezes Ferreira (1889-1936). Procurou-se olhar de uma forma abrangente as várias facetas da sua obra, incluindo o reconhecido desenho humorístico, sobretudo a caricatura, mas também, a pintura, a ilustração e o notável trabalho gráfico para edição.

Menezes Ferreira foi um jovem membro fundador da Sociedade de Humoristas Portugueses, presidida pelo seu amigo Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro (artista e filho de mestre Rafael), tendo exposto trabalhos de cunho modernista nos vários salões. Oficial de carreira, a sua especial apetência pela temática da esfera militar foi alimentada pela sua presença lúcida em “teatro de guerra”, mas, sem perder o humor no traço. A ilustração histórica e contemporânea e, ainda, grande parte dos seus trabalhos gráficos, insistem neste gosto pessoal da militaria.
A exposição da obra artística de Menezes Ferreira, também, assinala o centenário da Grande Guerra, anos bélicos que registou numa reportagem gráfica intima e didática, utilizando uma linguagem próxima dos quadradinhos da BD.


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Na Hemeroteca Digital existe este texto sobre João Menezes Ferreira:

Em 22 de Julho de 1916 concretizou-se o milagre de Tancos. Em tempo record, o ministro da Guerra,Norton de Matos, reúne, organiza e prepara um contingente de 30 000 homens para a participação de Portugal na Primeira Grande Guerra. Em Janeiro do ano seguinte dá-se início ao embarque das tropas.

'Que nome poderei eu dar aos simpáticos soldadinhos, àqueles trigueiraços que das oito províncias de Portugal acorreram de mochila às costas, sem faltar ao embarque para honra dos seus batalhões? Nem «serrano», nem «lanzudo», nem «gambúzio», nem «folgadinho». Baptizá-lo hei, muito simplesmente, com o nome de «João Ninguem», incarnando assim, nesta modesta alcunha, aquele português que nas horas difíceis tudo faz para maior glória da Pátria e a quem muitos esqueceram, chegada a hora dos benefícios e compensações'.

É desta forma que o capitão do Exército Menezes Ferreira (Lisboa, 1889-1936), autor dos textos e desenhos produzidos entre 1917 e 1919 e editados em 1921 nas Oficinas dos Serviços Gráficos do Exército, nos introduz o protagonista desta história. Mais do que a coragem e a bravura, este autêntico diário da presença portuguesa na Guerra retrata, de uma forma bem humorada, a ingenuidade e a impreparação destes conterrâneos arrancados bruscamente à pacatez da vida civil, a falta de recursos, a fome, o frio, o cansaço, mas também o confronto com outras culturas europeias presentes na Flandres.

Menezes Ferreira fala-nos com a propriedade de quem conheceu a guerra por dentro: integrou a primeira força expedicionária enviada para Angola, participou na batalha de Naulila, acompanhou a preparação do Corpo expedicionária Português e a sua integração na frente de guerra europeia, participou na reorganização das tropas portuguesas após a batalha de La Lys.

João Carlos Oliveira | Lisboa, HML, julho 2014

col. Emílio Ricon Peres

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Recolhemos também mais informação sobre Menezes Fereira no blogue AlmanaqueSilva
aqui fica:

Há um mito sobre a invenção da imagem do Pai Natal pela Coca Cola. O famoso refrigerante consolidou a imagem de um velho bonacheirão de barbas brancas, rotunda pança e uniforme vermelho orlado a peliça branca, em 1931, com a encomenda de uma série de ilustrações a Haddom Sundblom. Mas a iconografia standard da personagem foi na realidade criada pelo caricaturista americano Thomas Nast, no longínquo ano de 1863. Nast desenhou um cartoon para a revistaHarper’s Weekly onde mostra um anafado Santa Claus distribuindo presentes a crianças e soldados num acampamento militar durante a Guerra Civil Americana. Nast e Sundblom inspiraram-se por sua vez no traço físico e psicológico da personagem pincipal do célebre poema de Clement Moore A Visit From St. Nicholas, de 1822. A figura do Pai Natal teve uma pioneira aparição em Portugal num álbum para crianças, edição das Livrarias Aillaud-Bertrand, em 1924. No enredo de Um Conto de Natal, João e Maria, filhos de pobres lenhadores, regressam à pobre choupana onde vivem, deslumbrados com as maravilhas que tinham visto na loja de brinquedos na cidade próxima. Acreditando na história do Velho do Natal, adormecem junto a um pinheiro, aconchegados um ao outro e sonham com a árvore decorada com brinquedos. Acordam sobressaltados para a dura realidade de um pinheiro nu, na desolada paisagem onde neva sem cessar. A história tem final feliz pois o Velho do Natal, que ainda não era Pai de ninguém e distribuía os brinquedos como mordomo de um petiz de vestes diáfanas chamado Menino Jesus, visita os lenhadores carregando uma enorme saca de brinquedos.

O texto e ilustrações são de João Menezes Ferreira (Lisboa, 1889-1936), capitão do exército, Governador do Funchal e ajudante de campo do Alto Comissário Brito Camacho em Moçambique. Participou nos salões do Grupo dos Humoristas e publicou várias obras ilustradas: em 1919, um álbum com impressões humorísticas sobre o quotidiano do Corpo Expedicionário Português na I Guerra Mundial, João Ninguém, Soldado da Grande Guerra; em 1922 Viagem Maravilhosa que Gago Coutinho e Sacadura Cabral Fizeram Pelos Ares ao Brasil; em 1927, À Luz do Lampadário, elegia ao Capitão Humberto de Athayde, combatente mártir na guerra em Moçambique. Menezes Ferreira era um militar de feição humanista e o seu álbum foi também o retrato do assustador empobrecimento que Portugal sofreu nos anos seguintes à Primeira Guerra. O Velho do Natal, ainda sem a bonomia estereotipada do way of life americano, apresentava-se já com os essenciais atributos que hoje todos reconhecemos como parte integrante da nossa tradição cultural.


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