terça-feira, 10 de agosto de 2010

COMEÇOU ONTEM, DIA 9, A 13ª EDIÇÃO DO FESTIVAL “VIÑETAS SOBRE O ATLÂNTICO” NA CORUNHA + A CRÓNICA DE DIOGO CAMPOS DO “VIÑETAS” DE 2009

O cartaz, de Juillard

Começou ontem o Festival “Viñetas desde o Atlántico” na cidade galega d’A Corunha e que é, com os seus cerca de 70.000 visitantes (segundo a informação do seu director, Miguelanxo Prado em entrevista que publicámos aqui no Kuentro no dia 24 do mês passado), o maior Festival do ocidente da Ibéria.

Por outro lado, não sabemos ainda se Diogo Campos vai este ano à Corunha – ele ainda não tinha a certeza quando o abordámos para fazer a reportagem para o BDjornal – mas deixamos aqui a sua crónica do Festival do ano passado, publicada no site da Central Comics. Os meus agradecimentos ao Hugo Jesus, da CC e ao Diogo Campos, por nos autorizarem esta reedição da referida crónica.

Entretanto o programa do Festival tem já o site próprio a funcionar e cujo programa pode ser acompanhado AQUI.

EXPOSIÇÃO DAVE MCKEAN NO PALEXCO – PALÁCIO DE EXPOSIÇÕES E CONGRESSOS




Creador de "Arkham Asylum " e "Cages ", obras de referencia dentro do mundo do cómic
Artista multidisciplinar, Dave McKean é coñecido polo seu labor en diversos campos artísticos, tales como o cómic, ilustración, deseño, fotografía, cine, ou ata pola súa faceta como músico de jazz.

Logo de estudar arte e deseño durante catro anos, McKean lánzase á aventura de converterse en autor profesional dentro da industria do cómic. En 1986, tras unha viaxe a Nova York, coñece ao guionista Neil Gaiman, co que, un ano máis tarde, realiza a novela gráfica titulada "Casos Violentos ". Esta seria a primeira dunha longa lista de colaboracións entre guionista e debuxante.

Precisamente, desta colaboración xorden as portadas que realizou para a mítica serie "Sandman ". Unha simbiose que se alimentou mutuamente, sen saber moi ben que resultaba máis atractivo ao gran público, as portadas ou a propia serie. Neste traballo como portadista, Mckean introduciu técnicas coma o collage, ou o retoque dixital, realizando un hibrido entre debuxo e deseño que desde ese momento sería o seu principal aceno de identidade.
En 1989, con guiones de Grant Morrison, McKean debuxa a novela gráfica, "Arkham Asylum ", con Batman e o seu universo como protagonistas. Este título é todo un éxito de crítica e vendas proporcionándolle ao seu debuxante o empurrón definitivo para colocarse entre os grandes autores do momento.

En 1990, McKean emprende un tour de force creativo e persoal cando se lanza á elaboración dunha novela gráfica de máis de 500 páxinas, na que o artista exercería como autor completo realizando guión e debuxo. O título desta nova obra é "Cages ". Cambiando completamente de rexistro gráfico, o autor sorprende a propios e estraños cunha historia sobre a arte, a creatividade, as relacións persoais e, como non, os gatos. Ao mesmo tempo que realizaba Cages, McKean continua a súa colaboración con Neil Gaiman, vendo a luz títulos como "Orquídea negra ", "Signal to noise " ou "Mr Punch ".

No 2005, McKean, proba sorte como cineasta (unha vez máis en colaboración con Neail Gaiman ) realizando "Mirrormask ", unha proposta cinematográfica onde a imaxe real e a animación mestúranse para contarnos unha historia de corte fantástico.

Como ilustrador, teriamos que destacar os seus traballos dentro do libro infantil en obras como "O día que cambiei ao meu pai por dous peixes de colores ", "Coraline " ou "Os lobos da parede ", así como as súas portadas para discos de músicos como Tori Amos, Testament ou Alice Cooper.

O PALEXCO – PALÁCIO DE EXPOSIÇÕES E CONGRESSOS

A sereia, à entrada do Palexco

 O Kiosco Alfonso

Imagens da responsabilidade do Kuentro.
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NO 12º VIÑETAS DESDE O ATLÁNTICO 2009

Crónica de Diogo Campos

– 8 de Setembro de 2009 Categoria: Crónicas, Diário de Bordo

Celebrando uma dúzia de edições, o festival Viñetas desde o Atlántico volta ao edifício que o viu nascer numa edição que, estando uns poucos furos acima da última, ainda me deu umas quantas dores de cabeça, sempre culpa da organização algo desleixada.

Tudo começou com a promessa de um site oficial do festival com toda a informação acerca do mesmo. A promessa ficou por cumprir e a pouca informação que o blog oficial dava não respondia às principais preocupações que tinha que eram muito simplesmente os horários.

Para os horários das exposições, o visitante era remetido para sites com informação sobre o edifício em causa (um deles tinha tudo, até os metros quadrados de área disponível para exposição, excepto horário de abertura) e horários dos autógrafos, nem vê-los. Foi num comentário de resposta no blog da Biblioteca Municipal da Corunha (obrigado hughes!) que referiam que seriam Sábado de manhã. Horas em concreto fiquei mais uma vez sem saber.

Meti-me à estrada um pouco atrasado e às cegas em relação à situação dos autógrafos. Cheguei a esgalhar as 12:40 e ocorreu um milagre: havia um programa do festival, bem distribuído e com os horários dos autógrafos!! E vendo o programa, constato com apreensão que a organização este ano trocou as voltas tendo eu feito uma longa viagem para descobrir que tinha menos de uma hora de autógrafos pela frente!

Não me chegava estar atrasado para a abertura do festival nesse dia, ainda tive que correr à procura dos autores que este ano mais me interessavam, Emma Ríos e Pasqual Ferry, só descansando quando consegui marcar presença em ambas as filas. Nisto, fiquei estupefacto que dois dos maiores nomes presentes, Scott McCloud, um dos maiores teóricos da BD, e Posy Simmonds, criadora da tira Tamara Drewe que irá ser adaptada para cinema pelo mesmo realizador de “A Rainha”, eram os autores com as filas mais pequenas (no tempo que lá estive a fila para o Scott não deve ter tido mais que 5 pessoas) enquanto que os restantes tinham sempre filas consideráveis. Escusado será dizer que como é habitual e pude experienciar no ano passado, não houve controlo no tamanho das filas. Apesar de estar em Espanha, à boa moda portuguesa, os fãs chegaram perto do final do tempo disponível para os autógrafos obrigando a organização a improvisar um prolongamento de mais meia hora na maratona de desenhos… E mesmo assim não vi ninguém a fechar filas ou barrar a entrada a mais visitantes… Felizmente já estava despachado dos simpatiquíssimos Pasqual e Emma, encontrei a mesa do Scott e Posy vazia e os restantes autores com filas que aposto que se prolongaram muitos depois das excepcionais 14:00. Resignei-me à minha má sorte, desisti e aproveitando a hora da siesta que faz com que a cidade esteja completamente parada entre as 14 e as 18 (ainda para mais sendo feriado), consegui finalmente visitar a famosa Torre Hércules, símbolo do festival e presença constante em todos os cartazes do mesmo.

Classificada como Património da Humanidade pela Unesco há coisa de mês e meio, esta secular fortificação/farol, o único farol romano existente no mundo, tem uma espectacular vista para o oceano e parte da cidade valendo bem a pena subir, nem que seja para matar tempo e fazer exercício… A subida é penosa mas compensa…

Com o tempo de sobra e enquanto as exposições não abriam, tratei de conhecer a “Rua da BD” enquanto uma quantidade incrível de pessoas se concentravam à porta do Kiosk Alfonso para usufruírem do restante programa que incluía uma conferência do Scott McCloud com mais de 2 horas de duração.

A “Rua da BD”, o local ocupado pelas casotinhas das editoras e livrarias especializadas, também não escapou à crise! Pequenas e recentes editoras como a Diábolo Ediciones que pareciam ter firmado um lugar no mercado editorial e até mesmo editoras já calejadas como a Sins Entido não se fizeram representar de forma alguma, nem mesmo nas bancas das livrarias que tinham apenas um ou outro título.

E se à primeira vista me pareceu que o número de bancas não se tinha alterado em relação ao ano passado, a verdade é que sofreu uma significativa redução. A organização providenciou uma tenda, mesas e cadeiras que foram prontamente ocupadas por jogadores de cartas Magic e afins. O que é uma boa ideia para puxar ao negócio, foi também uma forma de maquilhar a falta de bancas preenchendo o espaço em falta com esta grande tenda. Ainda assim o mercado espanhol continua em grande com centenas de editoras que editam de tudo em edições que tantas vezes superam a original. Só para dar um exemplo de um título que inúmeros fãs do argumentista Ed Brubaker desconhecem, para mim foi uma surpresa ver em formato franco belga (!) de capa dura (!) The Fall, desenhado por Jason Lutes, lançado originalmente pela Drawn and Quaterly em 2001 numa edição em formato comic e papel algo fraquito que amarelece com o tempo. Diversos títulos das maiores editoras americanas como Criminal, Arkham Asylum ou Grendel com edições muitos furos acima das originais e a preços bem convidativos, tudo o que se lembrem é editado por lá.

Isto sem esquecer os autores nacionais que não lhes faltam editoras e meios de publicação estando muito bem representados nas bancas com inúmeras obras de todos os estilos imagináveis… E ainda se queixam da crise e do mercado não sei que mais…

Falta referir que este festival também é aproveitado pelas editoras que tratam de correr atrás dos direitos dos livros onde os talentos nacionais a trabalhar para os states estão a dar cartadas. Na última edição lançaram David Aja (primeiro volume do Iron Fist) e Daniel Acuña (Uncle Sam and the Freedom Fighters) e este ano o alvo foi Emma Ríos e a mini-série Hexed que até teve direito a duas edições, uma galega e outra castelhana, apesar da série a que esta mini está ligada, Fall of Cthulhu da editora Boom! Studios, ainda não ter sido lançada em terras espanholas. Falta saber se os leitores irão captar todas as referências.

Se alguma vez forem ao festival e só dispuserem de um dia de fim-de-semana têm que ter muito presente que esse dia traduz-se em apenas 4 horas de portas abertas para ver as exposições e obterem desenhos dos autores. Descontem cerca de 2 horas para os autógrafos e não vos resta tempo para visitar os cerca de 4 edifícios com exposições, ainda para mais se forem assistir a uma conferência. Tive que fazer a escolha e decidi visitar o Kiosco Alfonso onde estão expostos os espantosos André Juillard, Vittorio Giardino e Posy Simmonds além dos hilariantes cabezones (caricaturas satíricas de famosos filmes como Spider-Man, Kill Bill ou Indiana Jones) de Enrique Vegas e o variadíssimo material norte-americano do Álex Cal enquanto decorria a conferência do Scott McCloud, último evento no programa do festival.

No caminho de regresso ainda fiz uma paragem na Casa de Cultura Salvador de Madariaga onde estavam expostos Mariano Casas Gil, vencedor do Premio Castelão de BD 2008, autor que trabalha muito em desenho vectorial, e Emma Ríos, um novo talento que está aí a rebentar e que é a minha aposta para o cartaz do festival do próximo ano já que além de ser um talento local, é tradição do festival encomendar o cartaz do ano seguinte a um dos autores que mais se destacou no ano transacto (o cartaz deste ano foi realizado pelo Daniel Acuña, recentemente incluído no grupo Young Guns 2009, colectivo de novos desenhadores em destaque anualmente na Marvel).

Se no ano passado me martirizei por me ter esquecido da máquina de fotografar, este ano tive o prazer de conviver com a paranóia dos seguranças dos edifícios. É impossível tirar uma foto que seja às pranchas, exposições em geral ou mesmo aos autores mesmo quando estes não se importam de posar ao lado dos fãs!! No Kiosco Alfonso foi um jogo de gato e rato com os seguranças até que o flash da máquina me denunciou enquanto na Casa da Cultura Salvador de Madariaga o único segurança presente avisou-me à saída que só poderia tirar fotos ao tecto do edifício (vitrais bem bonitos por sinal) mas não às pranchas. Mal sabia ele que tirei tudo o que me interessava enquanto ele estava pendurado ao telemóvel.

Além disto, ______ (inserir aqui entidade sobrenatural/extraterrestre com a qual têm algum tipo de afinidade) vos livre de levar mochilas para o Kiosk Alfonso! Estais autorizados a carregar os livros e demais tralha na mão ou até mesmo em sacos de compras. Às senhoras, ninguém as incomodava mesmo se a carteira fosse ligeiramente mais pequena que uma vulgar mochila. Agora mochilas, nem pensar! Quiçá houve muitas queixas de mochilas estragadas ao enfiarem uma ou duas pranchas à força toda para as levarem para casa ou talvez numa edição anterior algum larápio tenha levado a cadeira ou caneta de um autor. Estou aqui a brincar e às tantas já tentaram raptar algum autor levando-o escondido num compartimento secreto dentro dessa maldita invenção do demo… Enfim, não fosse a língua poderia pensar que estava nos Estados Unidos da Paranóia.

Apesar das contrariedades descritas a que já me habituei vale sempre a pena fazer uma visita ao festival e à cidade. Em Agosto celebra-se a Festa María Pita, uma espécie de Padeira de Aljubarrota local que deu o nome à praça central da cidade e tornou conhecida a cidade no séc. XVI. Festa esta onde a cidade vive imensos eventos culturais e este festival se inclui. Um festival com grandes talentos, livros que são bons negócios (se não se importarem de ler em castelhano ou galego) e sempre pronto a receber qualquer bedéfilo com um bom ambiente… se desculparem alguma falta de organização.

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