terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

KOFI BREIKE #4: A TRADIÇÃO DO “CARNISVELARIUM” QUE ALGUNS POLÍTICOS QUEREM APAGAR DESTE PAÍS

O CARNISVELARIUM ou INTROITUS
DA TRADIÇÃO


Já o explicámos uma vez, mas voltamos agora à carga, por causa desta mania de alguns governos deste país, quererem suprimir uma tradição secular – “é preciso acabar com essas tradições, o que é preciso é trabalhar” terá dito um “ilustre” governante português – mesmo depois de, nos anos oitenta do século passado, outro governante, ao que parece da mesma cor partidária, ter tentado fazer o mesmo e ter-se dado mal com isso.

Quase todas as festividades cristãs-católicas são aproveitamentos de festividades mais antigas e, obviamente pagãs, enraizadas nas culturas populares, quase sempre ligadas aos trabalhos da terra. O Carnaval está associado às festas em honra de Ísis no Egipto antigo, às Dionisíacas da Grécia antiga – Bacanais na Roma antiga – (as festas em honra de Baco, ou Dionísio, com a prova do vinho novo), às Saturnais e às Lupercais romanas. Tudo isto eram Festivais que festejavam o fim do Inverno e o início de um novo ano agrícola.

A igreja Católica associou estas festividades ao seu calendário religioso, em que o Carnaval/Entrudo, passou a celebrar a entrada na Quaresma e o início do período em que era proibido comer carne. Daí a que a festividade se designasse carnisvelarium, ou seja o “adeus à carne”. A designação de Entrudo tem também o significado da introdução (introitus em latim) da Quaresma.

Mas actualmente existem os Carnavais de características urbanas, desenvolvidos desde o início do século XX, com características mais comerciais e os Carnavais das zonas rurais mais reconditas, que são os mais genuínos e que, muitos deles têm mesmo origem nas festividades romanas.

O Carnaval que nos parece ser o mais antigo em terras portuguesas, será o de Podence, uma aldeia do Concelho de Macedo dos Cavaleiros, nas profundezas de Trás-os-Montes, perto de Bragança. A tradição remonta, ao que parece, às Lupercais da época romana da Calaecia.

Os habitantes desses lugares representam o suporte genuíno de toda uma ritualidade, por vezes complexa, que nada tem a ver com os padrões modernos dos carnavais com objectivos turístico/comerciais, a atirar para o modelo brasileiro.

Os Caretos de Podence são uma prova disso mesmo.

Os Caretos, rapazes solteiros, cobrem o rosto com máscaras de lata pintada e vestem-se com as tradicionais e garridas colchas de linho, com chocalhos pendurados à cintura, para correrem a aldeia atrás das raparigas solteiras. Quando as agarram, abraçam-nas lateralmente para as “chocalhar”, ou seja, fazendo movimentos rápidos de rotação com a cintura fazem com que os chacalhos que transportam à cinta, batam repetidamente nas nádegas das "chocalhadas", transformados em verdadeiros chicotes. Consta que as raparigas, por vezes ficam cheias de nódoas negras...

Os Caretos não podem atacar as “marafonas” e os “madamos” – homens mascarados de mulheres, com a cara coberta – que são considerados membros da mesma “sociedade”, mas casados. Os Caretos não podem tirar as máscaras, senão quando entram nalguma casa ou adega – aí são obrigados a fazê-lo.

Mas as palavras não chegam para descrever esta loucura chocalheira, é preciso ir lá!







Máscaras de outros Carnavais populares:



E outros Carnavais mais Turístico/Comerciais:





Bem, estas duas últimas máscaras são do Carnaval de Veneza, mas isso... é outra história...

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