domingo, 3 de fevereiro de 2013

CARNAVAL – PARTE I – COM O ZÉ DAS PAPAS


Bacanal, desenho renascentista...


ZÉ DAS PAPAS (16)
CARNAVAL
PARTE I 

Gazeta das Caldas, 1 de Fevereiro de 2013 

Diz o povo que no Entrudo come-se de tudo!

Aproveitando o "balanço" do bolo-rei e do significado da fava, volto às festividades.

Começo pelas generalida­des históricas e guardo para segundas, terceiras e, se ca­lhar, quartas núpcias o Entru­do, na versão "galaico duriense", as respectivas papas e as várias características que apre­senta pelo nosso mundo fora.

As reminiscências carnava­lescas perdem-se no tempo e autores há que chegam a re­montar essas celebrações ao paleolítico.

No mundo, em todas as civi­lizações, o carnaval, sob outras designações e em épocas di­ferentes, é uma época de exal­tação. Foi e continua a ser uma presença popular, mas todas as religiões tentaram sacrali­zar as festas de carnaval.

O carnaval começou por sim­bolizar o período em que os ho­mens comemoravam a boa co­lheita com manifestações mui­to simples.

Foi com o desenvolvimento das civilizações que surgiram as classes sociais.

Na Grécia antiga, as Baca­nais e em Roma as Saturnálias, festas ligadas aos deuses gregos e romanos, podem ser vistas como festejos carnavalescos, período de distensão para evitar uma ação mais drástica das classes menos fa­vorecidas.

Na Grécia as festas eram re­alizadas em homenagem ao Deus Dionísio: os bacanais, onde havia a liberdade para se fazer o que se quisesse.

Em Roma, eram as Saturnálias, em homenagem a Satur­no, de que já me ocupei, em termos muito gerais, no últi­mo texto.

Num caso e noutro é um pe­ríodo de festas regidas pelo ano lunar.

Terá sido o carnaval primiti­vo? Há quem o afirme.

Com o cristianismo, a Igreja Católica começou a reprimir esse tipo de manifestação, pois via essas festas como grandes orgias. Mas não con­seguiu acabar com o carnaval. O reconhecimento oficial do carnaval pela Igreja Católica foi feito no ano 590 d.C. pelo Papa Gregório I, que o "integrou" no calendário cristão, consti­tuindo o momento do ano em que haveria mais liberdade para fazer coisas normalmen­te proibidas.

O carnaval de outrora era, segundo a etimologia da pala­vra latina carne vale, o "adeus à carne", "adeus aos prazeres da carne".

A partir da Quarta-feira de Cinzas, durante toda a Quares­ma e até o Domingo de Pás­coa, a Igreja impunha aos cris­tãos o jejum e a abstinência.

Para alguns autores o carna­val moderno, feito de desfiles e fantasias, é produto da soci­edade vitoriana do século XIX.

Não sei se será bem assim.

Já no Renascimento as fes­tas que aconteciam nos dias de carnaval incorporaram os bailes de máscaras, com ricas fantasias e carros alegóricos. Ao caráter de festa popular e desorganizada juntaram-se outros tipos de comemoração e progressivamente a festa foi tomando o formato atual.

Alguns atribuem a Paris o principal modelo exportador da festa carnavalesca para o mundo. Cidades como Nice, Nova Orleans, Toronto e Rio de Janeiro "inspiraram-se" no carnaval parisiense para im­plantar as festas carnavalescas.

Já o Rio de Janeiro criou e ex­portou o carnaval com desfiles de escolas de samba para ou­tras cidades do mundo, como São Paulo ou Tóquio, entre outras.

No próximo escrito, veremos os festejos carnavalescos que "dão mais nas vistas".

João Reboredo


The Youth of Bacchus (1884), de William-Adolphe Bouguereau (1825-1905)

 Ave, Caesar! Io, Saturnalia!, quadro de Sir Lawrence Alma-Tadema, 1880.

Bacanal, de Peter Paul Rubens

 Carnaval de Paris, Le Petit Journal, 28 de Fevereiro de 1807

 Carnaval de Paris, L'Eclipse, 7 de Fevereiro de 1869


Saturnalia, escultura de Ernesto Biondi, localizada no Jardim Botânico de Buenos Aires.

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