quinta-feira, 13 de junho de 2013

ÀS QUINTAS FALAMOS DO CNBDI NO KUENTRO (11) — A DEMOLIÇÃO DA FÁBRICA DA CULTURA E O PROJECTO DO PARQUE TEMÁTICO DE BD EM “OS AMIGOS DO CNBDI” (9) DE JOSÉ RUY

ÀS QUINTAS FALAMOS DO CNBDI (11)
A DEMOLIÇÃO DA FÁBRICA DA CULTURA E O PROJECTO DO PARQUE TEMÁTICO DE BD EM “OS AMIGOS DO CNBDI” (9) DE JOSÉ RUY

A edição mais recente do Boletim Municipal da Câmara da Amadora dá notícia da construção, para breve, de um Parque Temático de BD, com o nome de Maurício de Sousa (?), no espaço ainda ocupado pela antiga Fábrica da Cultura, o emblemático edifício que albergou o Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora entre 1992 e 2000. Deixamos aqui as páginas do referido Boletim e o texto habitual de José Ruy, que desta vez aborda a construção do tal Parque Temático. E, para reavivar memórias, ou para mostrar àqueles que nunca lá tiveram oportunidade de ir, finalizamos com algumas fotos de edições do FIBDA realizadas na Fábrica da Cultura.
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NO ANO EM QUE SE CELE­BRA O 50.° ANIVERSÁRIO DA MÔNICA, PERSONAGEM INCONTORNÁVEL DA HISTÓ­RIA DA BANDA DESENHADA, A CÂMARA MUNICIPAL DA AMADORA VAI CONSTRUIR UM PARQUE NA CIDADE EM HOMENAGEM AO CRIADOR DA TURMA DA MÔNICA, MAURÍCIO DE SOUSA.

O parque será construído no espaço onde se situa a Fábrica da Cultura, na freguesia da Falagueira, local onde, durante vários anos, foi realizado o Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora.

A construção deste parque permitirá assim requalificar uma zona atualmente degrada da cidade e implementar uma nova referência urbana, com características e voca­ções únicas, e que terá a presença das personagens da Turma da Mónica a uma escala aumentada, estrategica­mente posicionadas em vários locais da zona verde, que possibilitam e incentivam o contato direto e interativo com as crianças.

Com uma área de cerca de 4 mil metros quadrados, o fu­turo parque será ocupado por zonas temáticas ligadas a personagens que marcam a história da banda desenha­da, tais como a Mônica, o Cascão, Cebolinha, Magali, Saci, Zé Lelê, Chico Bento, entre outros.

A construção do Parque da BD vai iniciar-se em breve, depois da Valorsul ter adjudicado a obra à Vedap - Es­paços Verdes, Silvicultura e Vedações, SA, pelo preço global de € 670.408,68.

In Boletim Municipal da Câmara Municipal da Amadora

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AMIGOS DO CNBDI (9) 
José Ruy 

Cumprindo o propósito da criação deste Centro de Banda Desenhada na Amadora, («Nacional» por ser o único no nosso país) a atual direção que está em funções há décadas, tem aberto exposições durante o ano no espaço de tempo que vai de um Festival a outro. Mantém assim a «chama viva» evitando o hiato de alguns meses como acontecia antes. O meu amigo Machado Dias tem estado a publicar aqui no «Kuentro» o historial dessas exposições, que já são muitas, consideradas boas para uns, más para outros e ignoradas por alguns. Mas como satisfazer Gregos e Troianos?

Embora a despesa desses eventos seja mínima, as contenções orçamentais obrigaram a partir de certa altura a fazerem-se menos exposições durante o ano, alargando assim o tempo de abertura ao público. Isso por outro lado tem dado a oportunidade aos que guardam a visita sempre para o último dia, poderem depois do bulício dos Festivais, explorarem com calma o tema, as obras e a encenação cuidadosa que sempre é feita.

E reparo, que neste momento, na Amadora, a «Capital da Banda Desenhada» como lhe chama o eminente Dr. Guilherme de Oliveira Martins grande entusiasta e especialista desta Arte, o CNBDI é o único reduto em que se privilegia a presença portuguesa. Naturalmente que os Festivais sendo internacionais, incluem material nacional, e até com bom destaque. O meu reparo refere-se à notícia tornada pública recentemente, da criação de um Parque BD. Sabia deste projeto pelos «jornais da caserna» e constava que figurariam figuras (estátuas?) de Heróis dos Quadrinhos. Naturalmente que há personagens internacionais incontornáveis e que merecem presença nesta «capital», ombreando com os da terra. Estou a pensar nos «Zé Pacóvio & Grilinho» do artista Tiotónio, tão desprezados, embora os tivessem elevado a troféu de honra dos Festivais da Amadora.

E sobre isso há histórias curiosas, desde premiados que rejeitam receber o «prémio de saloio», tendo a organização de lhe chamar «da Amadora» para não deslustrar o insigne distinguido. Um até me perguntou se o devia receber ou não. Mais de uma vez a organização me pediu para publicamente explicar nos festivais, o que representam essas personagens. Mas cada um está mais virado para o seu umbigo e no evento seguinte já se esqueceu. E chegaram a pensar mesmo em mudar-lhe o nome. Não sei o que fariam às figurinhas que de braço dado, caminham do passado para o futuro, que se encontram em alto relevo no troféu, de autoria do meu amigo António Galvão. Talvez resolvessem colocar nesse sítio retratos de cada um dos que vão receber o prémio. Porque para alguns (felizmente não muitos) não interessa o significado do galardão, mas se fica bem e se condiz com o móvel ou a mesa lá de casa onde vai ser pousado.

Mas como estava a desabafar sobre a notícia oficial desse Parque BD, este é dedicado unicamente a um grande artista e meu particularmente amigo, por isso me encontro à vontade para emitir a minha opinião, Maurício de Sousa. E no Parque, que vai ter vários pavilhões, cada um dedicado a cada uma das personagens da «Turma da Mónica», não tem espaço para o Zé Pacóvio, para O Grilinho ou o para o Quim e muito menos para o Manecas.

Admiro muito a capacidade criativa do Maurício de Sousa (que curiosamente começou a trabalhar no ateliê do nosso português Jayme Cortês, no Brasil) e com quem mantenho boas relações de amizade e de assíduo contacto. Mas mesmo admitindo a remota hipótese da organização da Mónica financiar totalmente o Parque, isso nunca justificaria, a meu ver, que não fossem incluídas personagens portuguesas, já que as temos.

Mas manda quem pode. E eu começo a recear os que têm poder para mandar. Aprendi de muito novo que para se adquirir o direito de mandar é necessário aprender a fundo o que se exige, e nos diversos cargos de responsabilidade que tive a oportunidade de exercer na minha profissão, respeitei sempre essa norma e por isso sempre me dei bem. Mas será que quem passa a mandar tem esse cuidado?

Neste momento, na Amadora, considero o CNBDI como um baluarte Nacional da nossa arte, da minha arte. Ser amigo é defender na hora certa mas também em todas as horas. Por isso o CNBDI precisa de todos os verdadeiros amigos.

(continua)
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3º Festival Internacional de BD da Amadora, 1992 – o primeiro realizado na Fábrica da Cultura:

 
 

8º Festival Internacional de BD da Amadora, 1997:

A escultura gigante do "Hórus" de Enki Bilal esteve presente pela segunda vez no FIBDA...


9º Festival Internacional de BD da Amadora, 1998:

 Foto histórica, de dois autores que não voltaremos a ver na Amadora: José Carlos Fernandes, que se mantém irredutível do abandono definitivo da banda desenhada e Jean Giraud/Moebius, falecido em 2012 e aqui na sua segunda e última presença no FIBDA.

11º Festival Internacional de BD da Amadora, 2000 - o último realizado na Fábrica da Cultura:


Aspectos actuais da Fábrica da Cultura:

Cartaz de António Jorge Gonçalves para o Festival de 1994

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