segunda-feira, 10 de junho de 2013

IX FESTIVAL INTERNACIONAL DE BANDA DESENHADA DE BEJA 2013 — LE GRAND FINALE NA CASA DA CULTURA DE BEJA — CHORUS (4): TÓ TRIPS E PEDRO GONÇALVES – DEAD COMBO SOUND FILES — A SOLO (4 e 5): FRANCISCO PAIXÃO – ARTE E HISTÓRIA NA BD — ANDREIA RECHENA

Andreia Rechena - print à venda no Mercado do Livro

IX FESTIVAL INTERNACIONAL
DE BANDA DESENHADA DE BEJA 2013
LE GRAND FINALE NA CASA DA CULTURA DE BEJA


CHORUS (4)

TÓ TRIPS E PEDRO GONÇALVES – DEAD COMBO SOUND FILES

A SOLO (4 e 5)
FRANCISCO PAIXÃO – ARTE E HISTÓRIA NA BD
ANDREIA RECHENA

Chegamos então ao Grand Finale desta "ópera em 21 actos" (exposições), que está a ser o IX Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja 2013. A apresentação desta nossa reportagem fotográfica aqui no Kuentro vai prolongar-se até ao próximo domingo 
– dia em que encerra o Festival.

TÓ TRIPS E PEDRO GONÇALVES
DEAD COMBO SOUND FILES
SOMBRAS E PALMEIRAS
André Azevedo
No Splaft!

Num qualquer tasco de Lisboa – poderia ser no ficcional Rick's Café Américain em Casablanca ou na La Bodeguita dei Médio em Cuba – um contrabaixo gutural acompanha uma guitarra ébria à procura dos sons dos becos da cidade, do Mediterrâneo, do calor do deserto, numa amplitude sonora sempre curiosa que nos devolve imagens de grandes aventuras, intensas melancolias ou simplesmente de um puto a roubar maçãs.

To Trips e Pedro Gonçalves, o cangalheiro e o mafioso, são duas personagens bem reais que há dez anos atrás resolveram criar os Dead Combo e juntar assim todas as suas vivências musicais e pelo caminho criar outras tantas. Se Carlos Paredes, Ennio Morricone, Astor Piazzola e uma guitarra eléctrica resolvessem criar uma banda numa qualquer realidade alternativa, provavelmente o resultado seria a discografia deste duo, que ao longo da sua carreira foi construindo um cadáver esquisito de diversas sensibilidades, umas obvias e explicitas – as mornas de Cesária Évora – outras mais obscuras e implícitas – o grindcore dos Napalm Death.

Sem nunca aprofundar estilos roubam de forma intuitiva imagens e sonoridades familiares que se tornam suas depois de muito fumo e noites sem dormir. "A malta pensar no que faz é uma coisa muito rara. Tocamos para desbravar caminho, nem sequer falamos. Se quiséssemos pensar íamos beber umas cervejas ao sol. Pensamos depois. Em arranjar unidade entre as músicas, em arranjar-lhes nomes e em arranjar justificativos de histórias para as músicas." refere Pedro Gonçalves.

Com o coração em Lisboa viajam, e levam a viajar, das ilhas Fiji até Berlim, passando pelo delta do Mississipi e paragem obrigatória na Afurada ou no Cais do Sodré, num fim de tarde inundado de gaivotas e cheiro a mar. Tudo isto encontramos em Soundfiles, o surpreendente álbum de banda desenhada de formato italiano recentemente publicado pela Chiado Editora, que relata as peripécias deste duo ambulante numa actualização soturna do Quim e Manecas de Stuart Carvalhais. Com desenhos a preto e branco de Tó Trips e argumentos espartanos de Pedro Gonçalves, são mais de 50 tiras, muitas vezes de carácter humorístico, com observações do quotidiano de uma banda em digressão, que revelam as cumplicidades que vão estabelecendo no mundo da música, entre diversos estados de alma ou desejos tão mundanos quanto transcendentais: um cigarro, um copo atrás do outro ou simplesmente encontrar o local do concerto. Como no bom cinema negro de série B, a cidade de Lisboa é retratada nocturna e misteriosa, ganhando aqui destaque como personagem viva e como ponto de partida e chegada para este duo – trio com a Bety – sempre de cigarros na boca e a correr de um lado para o outro com os instrumentos às costas.

Pode-se ler no inicio do álbum: "No dia 31 de Março de 2003, dois tipos encontraram-se num concerto. Depois dessa noite resolveram formar uma banda. O resto são histórias!"

Venha de lá então mais uma malha, mais um copo e vamos abrir o baile.






Os livros à venda no Mercado do Livro
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FRANCISCO PAIXÃO
ARTE E HISTÓRIA NA BD
José Baguinho
No Splaft!

Francisco Paixão nasceu em Beja em 1967, ( ano cm que foi publicada a obra "Cem Anos de Solidão" de Gabriel Cairia Marques), exerce atualmente a sua atividade profissional como Técnico Superior no Museu Regional Rainha Dona Leonor.

Desde cedo que desenvolveu um gosto especial pela fotografia, gosta de fotografar em particular arquitetura, cidades e património. Vários dos seus trabalhos fotográficos estão editados em livros e catálogos de Museologia, História de Arte, agendas culturais, sites na Internet, jornais e revistas.

Coordena O Atelier de Fotografia Digital e Património do Museu onde trabalha.

Foi também responsável pela rubrica "Photographias" no jornal Alentejo Popular.

Como museólogo colaborou na organização de inúmeras exposições temáticas — Ourivesaria, Azulejaria, Banda Desenhada e História, Arqueologia, Metrologia.

Dedica especial carinho às exposições de fotografia, onde colaborou com autores como Fduardo Gageiro, António Cunha, Pedro Lobo ou Nicola di Nunzio.

Como autor, participou em algumas exposições de fotografia, individuais e colectivas.

A Banda Desenhada é outra das suas paixões. Os seus autores favoritos, entre outros, são: Franquin, Hérge, Hermann, Goscinny, Uderzo, Morris, Russ Maning, Hugo Pratt, Jacques Martin...

Neste trabalho patente no IX Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, Francisco Paixão pretende mostrar diferentes representações de arte, arquitetura e história na Banda Desenhada relacionando esses factos com a cidade de Beja, através das suas ruas antigas, do desenho de alguns dos seus edifícios, como o castelo ou os conventos de S. Francisco e Nossa Senhora da Conceição, a azulejaria barroca, os diferentes períodos históricos: o romano através de capitéis coríntios ou compósitos, os banhos tão caros a esta civilização, as vias romanas que facilitavam a comunicação entre as inúmeras cidades do o império, dando origem ao ditado muito utilizado nos nossos dias, "todos os caminhos vão dar a Roma" ou, ainda, as famosas Villae, propriedades rurais de exploração agrícola, onde não faltava o conforto das melhores residências urbanas; a Idade Média, período por excelência dos castelos e dos confrontos militares, da vida religiosa com os seus luxuosos conventos e admiráveis igrejas góticas que projetaram ao longo dos séculos e continuadamente o destino das cidades.

Muito nos podemos divertir ao ler um álbum de BD, mas também muito podemos aprender sobre a nossa História, por exemplo Alix e o império romano, pela pena de Jacques Martin ou a Idade Média pela arte de Hermann e as suas Torres de Bois-Maury.







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ANDREIA RECHENA (Dona Zarzanga)
UMA AUTORA [R]EJECTED?
Jorge Machado-Dias
No Splaft!

Nasceu em 1979, em Monsanto onde viveu até aos 17 anos. Já agora, a aldeia de Monsanto tornou-se conhecida por ter sido considerada a “aldeia mais portuguesa de Portugal”, num daqueles concursos folclóricos, realizados pelo Secretariado da Propaganda Nacional do Estado Novo, em 1938.

Andreia Rechena foi para Lisboa completar os estudos, fazendo o Curso de Ilustração e Desenho no AR.CO, Lisboa; um curso de Banda Desenhada no CITEN – Fundação C. Gulbenkian coordenado por José Pedro Cavalheiro; curso de Ilustração infanto-juvenil no CITEN – Fundação C. Gulbenkian, coordenado por João Catarino; um estágio em Tecelagem e Fiação no Museu do Traje e o 12º Ano Técnico-Profissional de Design Têxteis e também um curso de Design Gráfico na ETIC (Escola Técnica de Imagem e Comunicação).

Participou numa Exposição colectiva de pintura na Feira do Oculto – Oeiras 2001 e começou a colaborar em diversas publicações amadoras (fanzines) em 2003, iniciando-se no CyberExtractus #01, com a BD O Ciclo (Grupo Extractus, 2003).

Cultivando um estilo muito peculiar, que em certos aspectos nos faz lembrar Robert Crumb e outros autores do underground norte-americano, Rechena expressa-se através de uma estética talvez insólita para a maioria do público português, o que lhe vale alguma incompreensão e por vezes a rejeição absoluta. Mas a sua apetência por experimentar novos grafismos, não só na banda desenhada, mas também na ilustração, tem alguns custos, que implicam, no limite, ser liminarmente ignorada/rejeitada pelos “experts” que pululam no pequeno mundo da BD portuguesa.

Apercebendo-se desta típica “rejeição” pelo seu estilo demasiado insólito, adoptou em 2007 o pseudónimo Dona Zarzanga (que já por si quer dizer muito) e auto-editou alguns trabalhos “rejeitados”, no [R]Eject – Os ficheiros esquecidos, um fanzine onde engloba projectos seus (e de outros autores, como é o caso de Daniel Maia) rejeitados – ou definitivamente “esquecidos” – por causas várias, nem sempre directamente relacionadas com a qualidade.

Participou em diversas exposições: A exposição com os alunos de Banda Desenhada do CITEN na Restart, em 2003. A colectiva de BD Urbe Fictions inserida na Semana da Juventude, Almada 2004. Exposição inserida no XV Encontro de Literatura Infantil na Fundação C. Gulbenkian, 2003. Exposição da BD Transporte, Menção Honrosa no concurso do XV FIBDA – Festival Intenacional de Banda Desenhada da Amadora, 2004.

Em 2004 registou várias outras actividades, como a realização das ilustrações para o mapa de actividades infantis do CEM – Centro em Movimento, Lisboa e diversas colaborações com o grupo Entropia e com os estúdios BD-AJCOI. Em 2005 – Concepção do conceito de Bio-Jogo Caixa de Fósforos, e foi co-autora do mesmo com Eduardo César. Participou no Concurso de BD do XVI FIBDA’2005, com a história curta Polaroíd. Iniciou a sua colaboração no BDjornal (Pedranocharco), com Desconfiança – a primeira de várias colaborações com o BDj. Realizou uma colecção de postais para o Festival Internacional de Gigantones de Pinhal Novo. Publicou A Mega-Espada do Rei, no TertúliaBDZine #93, por ocasião do19° aniversário da Tertúlia BD de Lisboa (organizada por Geraldes Lino). Teve a BD S.E.T.I., seleccionada para a Mostra Jovens Criadores 2005 em Amarante. Exposição da BD Polaroid no concurso do XVI FIBDA 2005. Foi ilustradora convidada na exposição O Menino Triste de João Mascarenhas, no XVI FIBDA, 2005.

Em 2006, criou a imagem de divulgação da exposição Brinquedos, Brincadeiras e outros Segredos do Museu Tavares Proença Júnior em Castelo Branco. Publicou neste ano no prózine AlIgirlzine edição Arga Warga, Mensageiro e em 2009, Annushka. A BD Cinderela, adaptada de um texto de Sérgio Xarepe, foi publicada no Magazine Sketchbook, dos Estúdios BD-AJCOI, Pinhal Novo. Neste ano e também em 2007 publicou no Jornal Mundo Universitário, Interessante Serão Avec Moi e O amor é cego, a obsessão um bocadinho vesga. Iniciou o blog Zarzanza.blogspot.com

Outras obras de Andreia Rechena: Em 2009 realizou as ilustrações Windigo para o fanzine com o mesmo nome, de Zé Lopes. Entre 2007 e 2012 publicou o seu [R]Eject – Zine números 1, 2, 2 1/5, 3 e 4. Em Futuro Primitivo participou no “cadáver esquisito” (Comic Jam) e com a BD Huntings at Fridays (Chili com Carne, 2011). No Efeméride #5 – Corto Maltese no Sec XXI, com a BD Cocó Maltese (Geraldes Lino, 2012). No BDLP #2 com Chip (Extractus,2012). Zoobótica (Dona Zarzanga, 2012). No Efeméride #6 – a ser editado – Heróis de BD no Séc. XXI, escolheu Sandman com a BD Masterpiece (Geraldes Lino 2013).

Fez alguns videos em Stop Motion experimentais e, diz-se, tem um gosto duvidoso por filmes de Terror e aberrações da Natureza.










Material impresso de Andreia Rechena à venda no Mercado do Livro 

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