domingo, 9 de junho de 2013

GAZETA DA BANDA DESENHADA (6) – NA GAZETA DAS CALDAS – PRÉMIOS PROFISSIONAIS DA BD 2013


GAZETA DA BANDA DESENHADA (6)
NA GAZETA DAS CALDAS – 7 de Junho de 2013 

PRÉMIOS PROFISSIONAIS DE BD 2013

Jorge Machado-Dias*

Gazeta das Caldas, 7 de Junho de 2013

Foram atribuídos, no passado dia 24 de Maio, no Auditório da Torre do Tombo, em Lisboa, os Prémios Profissionais de BD 2013. Criados no ano passado e anunciados no Amadora BD 2012, pela organização, constituída por Mário de Freitas (logista e editor de BD, da chancela Kingpin Books), Nuno Amado (responsável pelo blogue Leituras de BD, leitor e coleccionador de banda desenhada), André Oliveira (argumentista de BD e sócio da Associação Tentáculo, que edita a revista Zona), Inês Fonseca Santos (jornalista) e Maria José Pereira (responsável pela edição de BD da Editora Asa).

Aqui ficam os vencedores, por categorias:

ÁLBUM DO ANO
O Baile - Autores: Nuno Duarte (argumento), Joana Afonso (desenho)

ARGUMENTISTA DO ANO
Nuno Duarte (O Baile)

DESENHADOR DO ANO
Joana Afonso (O Baile)

COLORISTA DO ANO
Joana Afonso (O Baile)

LEGENDADOR DO ANO
Mário Freitas (O Baile)

DESIGNER DE PUBLICAÇÃO DO ANO
Mário Freitas (O Baile)

ANTOLOGIA DO ANO
Zona Desenha (Associação Tentáculo)

WEBCOMIC DO ANO
Margem Sul (Pedro Brito)

Ficaram assim a existir, em Portugal, três premiações de banda desenhada. Os mais antigos prémios são os do Festival Internacional de BD da Amadora, designados actualmente Prémios Nacionais de Banda Desenhada e atribuídos há 20 anos (não contamos as duas primeiras edições do Festival, em 1990 e 1991, uma vez que nelas se atribuiram apenas Troféus de Honra a autores – um em cada ano), depois os Troféus Central Comics (realiza-se este ano a 11ª atribuição), do portal online Central Comics e por fim, estes Prémios Profissionais de BD.

Estes três Prémios têm estruturas organizativas diferentes. Enquanto nos do Festival da Amadora os editores têm que enviar previamente seis exemplares dos livros a candidatar – o que sempre reduziu a abrangência destes prémios, pois muitos pequenos editores não querem ou não podem enviar os exemplares exigidos. Depois os livros para votação são escolhidos por um júri de cinco pessoas (uma delas o director do Festival, que tem por atribuição o desempate quando acontece) e a votação era feita por correio, por especialistas (jornalistas críticos, livreiros...) constantes na base de dados do Festival, que recebiam a lista dos nomeados e a devolviam preenchida com as escolhas de cada um. Dizemos atrás “a votação era feita por correio”, porque desde o ano passado que se chegou à conclusão de que é preferível ser o mesmo júri a votar nos livros seleccionados, dada a tremenda trapalhada que aquela base de dados contém.

Por sua vez, os Troféus Central Comics, depois de seleccionados os livros e publicada a lista dos mesmos no site Central Comics, a votação é realizada online, sendo que o sistema adoptado só permite a votação de cada pessoa por uma vez (isto com todas as reticências que possamos ter). No entanto a verdadeira trapalhada estrutural a nível de regulamentos que tem caracterizado os Troféus, especialmente ao nível da designação das Categorias, com designações que têm mais a ver com os comics americanos do que com a BD europeia, tem levado algum descrédito a estes prémios.

Quanto a estes novos Prémios Profissionais de BD, parece-nos que a estrutura regulamentar é simples e eficaz, contemplando apenas oito categorias, sendo que três delas – Colorista do Ano, Legendador do Ano e Designer de Publicação do Ano – por não serem habituais neste tipo de premiações, podem ter a ver com a tentativa de valorização do trabalho profissional dos nomeados e premiados, que raramente são reconhecidos. O esquema de selecção dos títulos nomeados é semelhante às dos outros prémios, sendo que as obras são escolhidas por um júri de 25 pessoas, constituído por jornalistas, críticos, pesquisadores, livreiros e... dez autores (que na nossa opinião poderiam muito bem ser dez leitores escolhidos aleatoreamente). A votação é também assegurada pelo mesmo júri, em que cada elemento tem direito a apenas um voto por categoria, não podendo votar em títulos onde é parte interessada. Cabe à organização rastrear e contar os votos, apurando os vencedores.

Acrescente-se que estes prémios, cuja principal mentora foi Maria José Pereira, nasceram com o principal motivo de divulgar e promover a BD portuguesa, sobretudo a nível internacional, um meio algo difícil mas que aquela directora editorial (agora de saída das Edições Asa) muito bem conhece.

(*) Escreve quinzenalmente a Gazeta da Banda Desenhada para a Gazeta das Caldas.

____________________________________________________

 
Locations of visitors to this page