segunda-feira, 24 de junho de 2013

JOBAT NO LOULETANO (118-119) — FERNANDO BENTO (3 e 4)


NONA ARTE
MEMÓRIAS DA BANDA DESENHADA
(CXVIII - CXVIX)

Fernando Bento (1910 - 1996)

O Louletano, 7 de Janeiro de 2008


FERNANDO BENTO
O MAGNATA DO TEATRO E DO PETRÓLEO – 3
por
ANTÓNIO DIAS DE DEUS e LEONARDO DE SÁ

Em 1946, numa folha volante publicitária ao filme de Robert Vernay de 1942, "Le Comte de Monte-Christo" (com Pierre Richard-Willm), surgiu a respectiva adaptação quadriculada, com a surpreendente assinatura do artista, num estilo rígido aproxima­do à fotografia. Pouco depois Fernando Bento levaria as suas histórias aos quadradinhos para manuais escolares de inglês e fran­cês...

Porém, o acontecimen­to fundamen­tal já tinha sido o começo, em 4 de Janeiro de 1941, de uma das melhores realizações da Empresa Na­cional de Pu­blicidade – a revista infantil Diabrete.

Mestre da maquetização, a maioria das ilustrações e histórias aos quadradinhos sobre ele irão incidir, com argumentos de Adolfo Simões Muller, que se tornaria director da revista a breve trecho, e Maria Amélia Bárcia, sua colaboradora.

A influên­cia de Muller detecta-se prin­cipalmente nas histórias aos quadradinhos de carácter didáctico-histórico ou de adaptações de clássicos da literatura. Desde "O Príncipe e o Pobre" até "S. João de Brito", irão desfilar dian­te de nós "Miguel Strogolff”, “Dois Anos de Férias”, “Um Herói de 15 Anos”, “A Ilha do Tesouro”, “As Mil e Uma Noites”, “A Ilha Misteriosa”, “O Príncipe Feliz”, “Matias Sandorf”, “O Evangelho”, “O Soldadinho de Chumbo”, “O Pajem do Rei”, “Luís de Camões”, “Afonso e Albuquerque”, “As Minas de Salomão”, “Serpa Pinto”, etc. – um nunca mais acabar. 

  

Fernando Bento desforrou-se da “submissão” à História e à Literatura inventando séries cómicas, algumas extraordinariamente longas, como “Bèquinhas, Beiçudo & Barbaças”, “34 Macacos e Eu!”, “Diabruras da Prima Zuca”, “Zé quitolas”, além de muitas tiras e pequenas pranchas cómicas polvilhadas, durante os onze anos de existência do Diabrete. »»



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FERNANDO BENTO
O MAGNATA DO TEATRO E DO PETRÓLEO – 4
por
ANTÓNIO DIAS DE DEUS e LEONARDO DE SÁ

O Louletano, 21 de Janeiro de 2008 

No jornal infantil que se lhe seguiu, logo em Janeiro de 1952, a abundância não é tão grande, mas aparecem-nos as suas melhores obras em HQ, como "Beau Geste", "O Anel da Rainha de Sabá" e, principalmente, "Quintino Durward", que foi a história mais amada pelo próprio Fernando Bento.

Com o findar do Cavaleiro Andante, a sua carreira na arte de quadricular reduziu-se muito, praticamente com uma única interven­ção desportiva em A Capital, com "Um Ho­mem chama­do Joaquim Agostinho", em 1973, já de grafismo mais modernista.

A partir de finais dos anos 70, começámos a assistir à ree­dição de várias das suas obras anteriores. Mas apesar de todo o movimento em volta do seu trabalho, raras foram as novas páginas de quadradinhos que deixou na década seguinte.

Após ter conseguido a proeza de obter a melhor novela gráfica em quadradinhos, com a sua adaptação de "A Ilha do Tesoiro", em 1947, eis que Fernando Bento, no início dos anos 90, agora com o argumentista Jorge Magalhães, se decidir por uma reformu­lação onde já nada há de Ste­venson, além dos nomes em­prestados. E lança-se com tal entusiasmo ao trabalho que completa as primeiras 16 páginas em mês e meio. O álbum Re­gresso à Ilha do Tesouro – volume I, onde o artista alcançou o delírio da compo­sição e movimento totais, poderá ser interpretado como o culminar estilístico do artista. Aos 80 anos consegue surpreender o leitor, apresentando-se sob novas roupagens, com a introdução de suaves e delgados elementos do gé­nero feminino, mais algumas adendas ao gosto do tempo e dos gostos, explodindo os quadradinhos. Encomenda­do, o segundo volume da obra ficará incompleto, por lamentável desleixo da edi­tora, ficando a faltar apenas algumas páginas. Foi a sua derradeira obra-prima, o seu testamento quadricu­lado. Já não poderia ir mais longe, nem na sua arte, nem na sua vida. ■



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O PRÍNCIPE FELIZ 
Baseado num conto de Oscar Wilde - Ilustrações de Fernando Bento
(3 e 4)



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