sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

BDpress #394 - MORREU O AUTOR DE BANDA DESENHADA JOSÉ ORTIZ – por José Carlos Francisco no Tex Willer Blog



MORREU JOSÉ ORTIZ 


JOSÉ ORTIZ MOYA (1932-2013)
Por José Carlos Francisco
(em Tex Willer Blog)

José Ortiz Moya, histórico desenhador (que dizia ser catalão e não espanhol), nascido em Cartagena (no antigo Reino de Múrcia) a 1 de Setembro de 1932, faleceu com 81 anos nesta última segunda-feira, 23 de Dezembro de 2013, em Valência.

O desenhador José Ortiz, um dos grandes nomes da banda desenhada ibérica e vencedor recentemente do “Premio Haxtur al autor que amamos“, prémio integrado no XXXVII Salon Internacional del Comic del Principado de Asturias e que mostra bem a consideração e estima que o decano desenhador tinha por parte dos seus admiradores, faleceu em Valência aos 81 anos de idade devido a um problema cardíaco. Ortiz, criador de personagens icónicos como Hombre, Burton, Cyb e também desenhador de Tex Willer, cujas edições continuam a ser publicadas em diversos idiomas através da Sergio Bonelli Editore, sentiu-se indisposto na semana passada e foi internado no Hospital Universitário e Politécnico La Fe de Valência, onde veio a falecer nesta última segunda-feira.

A propósito do falecimento de José Ortiz, Gianfranco Manfredi já confidenciou: “Acabei de tomar conhecimento somente agora desta triste notícia. “Não sou espanhol, sou catalão”, estas foram as palavras que me disse José Ortiz, quando o conheci, ao apresentar-se. Mágico Vento começou com ele. O seu traço forte parecia-me perfeito para o número 1. Desenhava com uma velocidade vertiginosa. Terminava um álbum em três meses. Sem ele não seríamos capazes de ser pontuais nos quiosques. Devo-lhe muito. Um grande.“

Resumir a carreira de um autor como José Ortiz em poucas linhas é uma tarefa praticamente impossível; de facto para se poder estudar como merece uma trajectória como a sua, requeria-se um livro, mas vamos tentar.

José Ortiz Moya nasceu em Cartagena em 1932. Irmão do também desenhador Leopoldo Ortiz, começou muito cedo a descobrir a sua vocação e ganhou um concurso de desenho realizado para a revista de banda desenhada Chicos em 1951. Nesse mesmo ano começou a trabalhar com a editora Maga, casa para a qual realizaria o grosso da sua produção durante a década de 50: séries como El Espia, Dan Barry el Terremoto ou Pantera Negra. Em 1958 realizou para as Ediciones Toray, Sigur El Vikingo, série que se converteu no maior êxito do início da sua carreira. O início dos anos sessenta marcou também o final da época dourada do tebeo (como os castelhanos chamam às revistas de banda desenhada) popular, o que motivaria que toda uma série de autores voltasse a sua produção para o exterior através de agências. Assim, Ortiz começaria a produzir material através da Bardon Art, principalmente para o mercado britânico.


1973 marcou um dos grandes pontos de inflexão da carreira de José Ortiz, ao começar a sua colaboração com a editora norte-americana Warren. A chegada à Warren do trabalho de toda uma frota de desenhadores “espanhóis” serviu para dar uma difusão internacional ao trabalho de autores/ilustradores como Luis Bermejo, Esteban Maroto, Leopoldo Sánchez ou José Ortiz. Estima-se que Ortiz realizou 119 histórias para a Warren, o que o converteu no desenhador mais profícuo da editora. Revistas como Eerie, Creepy, 1984, Rook ou Vampirella viram aparecer os seus trabalhos – entre eles destaca-se com um brilho próprio Los cuatro jinetes del Apocalipsis; obra que nos serve como exemplo do trabalho de José Ortiz para a Warren, pelo esplendor da sua técnica, vigor narrativo e o seu pessoal e espectacular estilo de “entintar” – aqui pode-se destacar a célebre técnica de “lâmina de barbear”, marca da casa também de outros grandes desenhadores como Dino Battaglia.


A etapa Warren do trabalho de Ortiz durou praticamente até 1981. Simultaneamente realizou também uma série de histórias com argumentos de Josep Toutain, que reproduziam a História de diversas lendas do “Faroeste” norte-americano, que se recompilaram em dois “tomos” sob a epígrafe Grandes mitos del Oeste, e que nos servem para realçar o grande carinho que Ortiz sempre teve pelo género western. A essa etapa pertencem também El pequeño Salvaje, história que contava com argumento próprio, os seus episódios da série El Cuervo e o seu trabalho com Tarzan – em que se destaca o vigor e a vitalidade que Ortiz deu à personagem.



1981 marcou o que é seguramente o ponto chave da carreira de Ortiz: O regresso ao mercado autóctone para realizar uma obra mais pessoal, coincidente com o início da sua colaboração com Antonio Segura (1947-2012). A primeira criação da dupla Segura-Ortiz foi Hombre, uma série de ficção científica próxima e pós apocalíptica que rompeu barreiras na sua época, pelo seu tom lúgubre e desencantado e pelo incrível grafismo de Ortiz, tanto na primeira etapa a preto e branco, como na posterior, colorida.


A assinatura Segura-Ortiz passou a partir de então a ser habitual nas revistas de banda desenhada de vários países durante os anos oitenta e na primeira metade dos anos noventa. Em 1983 embarcaram num projecto editorial próprio que publicou as revistas Metropol, Mocambo e K.O.Comics; Ives foi a série que criaram para a revista Metropol, uma história do género “noir”. No ano seguinte criaram essa obra-mestra denominada Las mil caras de Jack el Destripador, praticamente ao mesmo tempo rebaptizavam Ives como Morgan, uma “nova” série de 23 episódios, todos eles realizados a preto e branco.

Segura (1947-2012) e Ortiz (1932-2013)

Através de Selecciones Ilustradas, a agência de Josep Toutain, criaram em 1987 Burton & Cyb, série cómica e cósmica sobre as andanças de dois enganadores inter-galácticos que beneficiavam de uma cor luminosa e de toda a arte de desenhar de Ortiz na hora de criar e recriar mundos e seres alienígenas com inegável graça. Entretanto a revista Gran Aventurero ofereceu-lhes em 1990 a oportunidade de produzir Juan el Largo, obra composta por dois álbuns e que recuperou o espírito da aventura clássica mediante as andanças de um peculiar grupo de piratas nos mares das Caraíbas. Além do seu trabalho com Segura, Ortiz continuou a trabalhar, através da agência Norma, numa série de histórias para o estrangeiro: como episódios de Rogue Trooper ou Judge Dredd para a editora 2000ad britânica ou episódios para a editora norte-americana Eclipse.

O êxito internacional dos trabalhos da dupla Segura-Ortiz, unido à crise do mercado “espanhol”, fez com que a partir de 1990 produzissem o seu trabalho directamente para a indústria italiana. Desse modo criaram Ozono para a revista L’Eternauta, uma série do género “noir” com um alto conteúdo de denúncia ecológica, e But O’Brien, livro de cabeceira sobre um ex-boxeador metido a guarda-costas, publicado na revista italiana Torpedo. Chegamos então a 1993, ano em que se iniciou a relação de Ortiz com a Sergio Bonelli Editore. Como o próprio Sergio reconheceu, a ideia de convidar José Ortiz para realizar um dos seus Tex Gigantes já estava congeminando desde há vários anos, até que finalmente o conseguiu convencer. A partir desse momento José começou a trabalhar quase em exclusivo para a Sergio Bonelli Editore, realizando uma história em quatro partes, de Ken Parker e vários episódios de Mágico Vento, além de todo o seu trabalho em Tex, não esquecendo a história do detective do pesadelo realizada em 2012 para o Dylan Dog Color Fest nº 8...


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