terça-feira, 17 de janeiro de 2012

BDpress #314: OS 50 ANOS DE IZNOGOUD E OS 65 DE LUÍS CICLONE – PEDRO CLETO NO JORNAL DE NOTÍCIAS



Jornal de Notícias, 15 de Janeiro de 2011

IZNOGOUD
MEIO SÉCULO 
DE FRUSTRAÇÃO POLÍTICA

F. Cleto e Pina

Há meio século, os leitores da revista francesa Record, descobriam Iznogoud, o grão-vizir que queria “ser califa no lugar do califa”. Era o início de uma carreira política repleta de ambição mas também de fracassos.

Nascido num tempo e num local – Bagdade, a magnífica - em que a democracia era uma miragem e o acesso ao poder se fazia de forma hereditária, ao pérfido Iznogoud (trocadilho com o inglês “he’s no good”, “ele não presta”) nada mais restava do que procurar por todos os meios fazer com que o bom (e preguiçoso) califa Haroun El Poussah desaparecesse.

Para isso, experimentou de tudo para destronar o califa, do vudu à invisibilidade, da feitiçaria aos dissolventes, do toque de Midas ao olhar de Medusa, com a ajuda contrariada do seu criado, Dillah Larath, mas acabando sempre como vítima das suas próprias manigâncias. Resta-lhe o consolo de ter retirado ao califa o protagonismo da BD, contrariando a ideia inicial dos autores.

Criação do grande René Goscinny (1926-1977), as desventuras de Iznogoud mantêm, 50 anos depois, a mesma frescura, a mesma capacidade de dispor bem, o mesmo tom irónico e a mesma fina ironia que sempre caracterizou a obra criador de Astérix.

Jean Tabary (1930-2011), que assumiu a escrita a série após o desaparecimento de Goscinny, com o seu traço vivo, dinâmico e expressivo, conferiu a Iznogoud um ar determinado e malévolo que contribuiu para o sucesso da série que totaliza 27 álbuns e foi adaptada em jogos de computador, cinema de animação e, em 2004, no grande ecrã, numa película dirigida por Patrick Braoudé e protagonizada por Michaël Youn e Jacques Villeret.

Em Portugal, Iznogoud estreou-se no Pisca-Pisca nº3, de Março de 1968, tendo passado também pela revistas Flecha 2000 e Jornal da BD, e sido editado em álbum pela Meribérica e, já neste século, pela ASA.










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Jornal de Notícias, 13 de Janeiro de 2011

OS 65 ANOS DE STEVE CANYON
ALIÁS LUÍS CICLÓN

F. Cleto e Pina

Aqueles que a 18 de Agosto de 1949 viram na capa de estreia do Mundo de Aventuras uma prancha de um certo Luís Ciclón (assim mesmo, com sotaque hispânico), estavam certamente longe de imaginar que se tratava de Steve Canyon, uma criação norte-americana.

E também que apanhavam a meio uma aventura de um herói que tinha nascido cerca de dois anos antes, a 13 de Janeiro de 1947, há precisamente 65 anos.

Canyon era um veterano da Força Aérea norte-americana, que dirigia a sua própria companhia de aviação, o que o levou a destinos exóticos na África, Ásia e América Latina.

Aventureiro sensível ao sofrimento e à beleza feminina – embora as mulheres por quem se apaixonou tivessem geralmente tanto de belo como de malvado ou inacessível - voltaria ao activo no início da década de 1950, para participar na Guerra da Coreia (e depois na do Vietname), assumindo então a série um tom que alguns classificam como imperialista e de cariz propagandístico da política dos EUA, mas que deve ser interpretado à luz da Guerra Fria que então se vivia.

A estreia da tira diária de imprensa de Steve Canyon, aconteceu em simultâneo em 168 jornais devido à fama granjeada pelo seu autor Milton Caniff, com Terry e os Piratas, série que abandonara em 1946, desagradado pelo facto de os direitos não lhe pertencerem.

Caniff, um dos maiores desenhadores de sempre a preto e branco, assistido por Dick Rockwell (sobrinho do famoso Norman Rockwell), dedicou-se ao novo herói até à sua morte, a 3 de Maio de 1988, tendo a última tira sido publicada a 4 de Junho desse mesmo ano.

Em Portugal, “Luís Ciclón” (ou Ciclone), marcou presença no Mundo de Aventuras, de forma irregular, até ao final da década de 1980, tendo surgido igualmente em publicações como Ciclone, Condor ou Condor Popular.





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VER TAMBÉM EM AS LEITURAS DO PEDRO

Imagens da responsabilidade do Kuentro

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