segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

BDpress #318: JEAN-CLAUDE DENIS É O GRANDE PRÉMIO DE ANGOULÊME 2012

GRAND PRIX DE LA VILLE D’ANGOULÊME 2012 JEAN-CLAUDE DENIS


JEAN-CLAUDE DENIS É O GRANDE VENCEDOR DO FESTIVAL DE BD DE ANGÔULEME

Público online, 29.01.2012 - 18:29 
Por Lucinda Canelas

Este ano o grande prémio do Festival Internacional de Banda Desenhada de Angôuleme foi para o francês Jean-Claude Denis, autor do aclamado “Quelques mois à l’Amélie” e da série “Luc Leroi”.

“O seu traço meticuloso e sensível, a sua paleta de cores espectaculares, o seu sentido da narrativa e a sua escrita fazem de Jean-Claude Denis um artista incomparável”, disse à AFP o crítico e editor de BD Dominique Poncet, comentando o grande prémio. “Com o seu desenho luminoso e elegante, como ele próprio aliás, aproxima-se do realismo ‘à la’ Peyo [autor belga criador dos Estrunfes].”

O prémio, atribuído este domingo naquela cidade francesa, é considerado o Nobel da BD e distingue um autor pelo conjunto da sua obra. O júri da 39.ª edição foi presidido pelo norte-americano Art Spiegelman, criador do mítico “Maus” - única obra de BD a receber um Pulitzer até hoje – e que recebeu o prémio que agora foi parar às mãos de Denis no festival do ano passado.

Guitarrista, compositor e desenhador, Jean-Claude Denis, 61 anos, parece um chefe de orquestra, procurando conciliar todas as facetas da sua vida com a actividade profissional. “Jean-Claude vive para a banda desenhada, mas é também um grande ilustrador”, garante Poncet.

Formado em Artes Decorativas, Denis fundou com Caroline Dillard e Martin Veyron o Groupe Imaginon, em 1974, colectivo de artistas com que começou a trabalhar numa série de campanhas publicitárias. Dissolvido o Imaginon para que cada um pudesse dedicar-se à sua carreira individual, Denis voltou-se para a BD nas páginas da revista “Pilote”, onde publica pela primeira vez em 1977. Seria o começo de uma carreira brilhante que o levou a trabalhar para editoras prestigiadas como a Casterman (“Les Aventures de Rup Bonchemin”) e as Éditions Albin Michel (“L’île aux Mainates”).

Neste álbum das edições Albin Michel, Denis voltou a explorar o universo dos contos de fadas, à semelhança do que fizera com “André le Corbeau”, série sobre animais que têm de lidar com problemas semelhantes aos dos homens, que viria a ser compilada em três álbuns pela Dargaud (“Annie Mal”, “La Saison des Chaleurs” e “La Fuite dn Avant”).

Muito elogiado pelas aventuras da série “Luc Leroi”, Denis assinou, segundo a crítica, a sua maior obra com o álbum “Quelques mois à l'Amélie”, em que conta a história de Aloys Clark, um escritor que vive uma crise de inspiração, um homem em ruptura assombrado pela morte do pai, que decide isolar-se. Houve quem visse neste livro traços de uma autobiografia que acabaria por chegar com a sua última obra – “Tous à Matha” –, um díptico publicado em 2010 e 2011 pela Futuropolis, baseado nas suas memórias de infância.

Do muito aplaudido palmarés desta edição de Angôuleme fazem ainda parte Guy Delisle (Melhor Álbum por “Chroniques de Jerusalém”, Delcourt), Jim Woodring (Prémio do Júri com “Frank et le Congrés des Bêtes”, L’Association) e Gilles Rochier (Revelação por “TMLP [Ta Mére La Pute]”, Cité sous Terre), entre muitos outros.

Jean-Claude Denis (à direita) após receber o prémio, ao lado do cartoonista canadiano Guy Delisle (Pierre Andrieu/AFP)  







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Imagens da responsabilidade do Kuentro

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