quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

ÀS QUINTAS FALAMOS DO CNBDI (27) – CADERNOS NonArte (4) JOSÉ RUY RISCOS DO NATURAL – Amigos do CNBDI (20) por José Ruy

ÀS QUINTAS FALAMOS DO CNBDI (27)

José Ruy - prova da capa de Peregrinação de Fernão Mendes Pinto (antes da letragem) de 1980, texto adaptado por Adolfo Simões Müller. 

COLECÇÃO NonArte 
CADERNOS DO CNBDI (4)

JOSÉ RUY - RISCOS DO NATURAL 
Leonardo De Sá e António Dias de Deus
Edição Âncora, Lisboa, 2001



NOTA - Neste volume da Colecção NonArte, dedicado a José Ruy, é publicada a história O Demónio Cego, realizada em 2001, com a particularidade de se apresentarem os esboços de construção das pranchas (à esquerda - página par) e as Artes Finais das mesmas à direita, o que nos dá uma percepção do modo de trabalho do autor. 
Transcrevemos também o texto de José Ruy no início destas páginas, para se perceber o como e o porquê das mesmas.

O DEMÓNIO CEGO

E. T. Coelho, ao ter conhecimento dos escritos de A. A. Pienaar, um sul-africano que viveu a sua infância na selva, caçando e estudando o comportamento dos animais selvagens no seu próprio ambiente, inspirou-se neles para criar uma obra ímpar, um verdadeiro tratado artístico da vida animal: "A Lei da Selva" publicada inicialmente n'O Mosquito nos anos 40 do século XX.

Consultando também Pienaar, recolhi os sons estudados por ele, que os animais emitem nas diversas situações da sua vivência, e utilizei-os em onomatopeias nesta história que intitulei "O Demónio Cego".

Desenhar animais do natural é a tarefa mais difícil a que um desenhador possa meter ombros, principalmente se não se limitar a captar o animal em poses estáticas. Mas só do natural é possível estudar as suas formas ao ínfimo pormenor, em descanso ou em movimento, saber quantos dedos certas espécies têm nas patas anteriores e nas posteriores, como andam e saltam, qual o aspecto dos seus dentes e quantos se alinham em suas fauces, de que atitudes e posturas são capazes, bem como o seu comportamento ao longo de um dia.

Esse estudo não se pode confinar a umas semanas ou mesmo a alguns meses. Exige um trabalho dedicado e apaixonante durante anos, se o desenhador não pretende apenas singularizar-se numa única espécie, mas em todas.

Sem dúvida que E. T. Coelho é quem melhor domina esse género de desenho artístico, porque conseguiu o profundo conhecimento anatómico dos animais que desenha, com um realismo e um talento impressionantes.

Pela sua mão iniciei a minha cruzada de desenhar animais no Jardim Zoológico e na Escola do Exército, onde obsessivamente em cada dia do ano, apesar de ainda frequentar o meu curso, trabalhar n'O Mosquito e para O Papagaio, conseguia arranjar o tempo necessário, aproveitado ao máximo.

Lutei sempre por fazer o meu melhor, mas nunca para ser o melhor. Dedico esta história em homenagem, modesta mas sentida, ao meu mestre e querido amigo Eduardo Teixeira Coelho. Mostra talvez os meus limites e também as capacidades possíveis na humilde honestidade de processos. Há mais de duas décadas que alimentava o desejo de a realizar...

José Ruy








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AMIGOS DO CNBDI (20) 
Por José Ruy 

Em abril de 2012 o tema da tertúlia «Às Quintas Falamos de BD» teve por título «Abril na BD». Os organizadores e responsáveis do CNBDI resolveram convidar dois analistas desta Arte para que cada um escolhesse um livro e o comentasse. O Lameiras preferiu o «Salazar Agora, na Hora da sua Morte», de Miguel Rocha e João Paulo Cotrim. Este livro tem a curiosidade de ser graficamente conseguido com deformações de fotografias e de desenhos (bem feitos) da época do «Estado Novo». Portanto uma Banda Desenhada sem ser desenhada, mas no fundo, conseguida.


Foram projetadas imagens do livro. De seguida o Paiva Boléo apresentou o livro «As Paredes têm Ouvidos, sonno Elefante» de autoria de Giorgio Fratini, premiado em Itália em 2008. 


Este autor estivera presente no festival da Amadora em 2009 e interessou-se pelo facto do edifício que acolhera a sede da polícia política em Lisboa ir transformar-se em vários apartamentos de luxo e lojas.

Na opinião de Fratini estes edifícios deviam permanecer como símbolos de organismos de repressão, mantendo viva a presença de um tempo odioso, para que as novas gerações se consciencializassem em não permitir uma possível repetição dos factos.

Também nesta apresentação foram projetadas imagens.

Mas o ponto alto da sessão foi a intervenção de Manuel Freire, autor da música de «Pedra Filosofal», o poema de António Gedeão, pseudónimo de Rómulo de Carvalho. Este músico, além de tocar e cantar, contou com muita graça como fora conseguida essa parceria. Seguiram-se outras canções, dando sempre a conhecer histórias curiosamente saborosas ligadas às criações. Uma delícia.

Manuel Freire, um entusiasta pelas Histórias em Quadrinhos reconheceu, como muitos outros, no CNBDI a Casa da Banda Desenhada.

Para ouvir Manuel freire a cantar a Pedra Filosofal, basta clicar em cima da foto

Efetivamente sentíamo-nos todos num doce lar. Foi gratificante, principalmente pelo facto das pessoas presentes serem na sua maioria de fora da Amadora. Por aqui se pode ver o interesse despertado por estas tertúlias. E como sempre terminou fora de horas, com os anfitriões Cristina Gouveia e José Eduardo Ferreira a acompanharem mesmo fora da porta, os dedicados assistentes e participantes.

(continua)

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