sexta-feira, 31 de maio de 2013

ÀS QUINTAS FALAMOS DO CNBDI NO KUENTRO (9) — AS EXPOSIÇÕES (20) — PEREGRINAÇÃO — EXPOSIÇÃO EM EXIBIÇÃO ACTUALMENTE NA GALERIA DO CNBDI



Nota: devido a poblemas técnicos, não foi possível colocar este post online ontem como estava previsto.

Apesar de termos vindo a apresentar as exposições realizadas na Galeria do CNBDI por ordem cronológica, optámos agora e excepcionalmente, por divulgar aquela que lá está montada neste momento – PEREGRINAÇÃO – para mostrar aos leitores que a mesma está à disposição do público diariamente e vale a pena ser vista. Visitámos esta exposição no passado dia 22 e aqui a reportagem fotográfica.

AS EXPOSIÇÕES — 20 


PEREGRINAÇÃO 
DE FERNÃO MENDES PINTO
27 de Outubro de 2013 a 30 de Junho de 2014


A exposição actualmente instalada na Galeria do CNBDI e cuja exibição se prolongará até meados de 2014, é uma revisitação da Peregrinação de Fernão Mendes Pinto, tendo como ponto de partida a história desenhada por José Ruy entre 1957 e 1959. Depois mostra-nos o que se fez na área da banda desenhada e da ilustração com base neste clássico da literatura portuguesa, desde José Garcez a João Fazenda, passando por Carlos Marreiros e Artur Correia, revisitando também o espectáculo teatral d’A Barraca, com o seu Fernão Mentes?, os azulejos de João Duarte, desembocando no Por Este Rio Acima, de Fausto. Contudo, nesta exposição destaca-se também, pelo seu grau de perfeccionismo, a maqueta da caravela que José Ruy realizou para se apoiar no desenho – é fabulosa!!!

Aqui ficam reproduções do excelente Catálogo da exposição e as fotos que realizámos em meados deste mês, quando visitámos o CNBDI.

UM PONTO DE PARTIDA:
A PEREGRINAÇÃO DE JOSÉ RUY

A Peregrinação de José Ruy começa a ser publicada em 1957, no Cavaleiro Andante, e termina em 1959, dividindo-se pelos números 311 a 388 (a capa saiu no 310). Adaptação directa do texto de Fernão Mendes Pinto, a versão de José Ruy confirma a vocação do autor para o trabalho a partir de textos de grande fôlego, à semelhança do que já havia acontecido com Ubirajara, de José de Alencar, e com O Bobo, de Alexandre Herculano. A essa vocação juntou-se o à vontade no registo de aventuras e o domínio do pormenor e do traço realista que já revelara nos primórdios da sua carreira, características fundamentais para o fôlego exigido na adaptação de uma obra com a dimensão, a variedade de registos narrativos e a dispersão de lugares representados que a Peregrinação revela.

Colocando lado a lado o texto original, de Fernão Mendes Pinto, e a adaptação feita por José Ruy o que se destaca é um processo de transposição narrativa habilmente efectuado. Respei­tando o itinerário geográfico e a cronologia textual, José Ruy conseguiu fazer da sua versão um novo texto onde não pesa o efeito de simples resumo, mas antes o de síntese, harmoniosa e cuidadosamente construída. Os principais episódios, os personagens que desencadeiam as acções e os que permitem as digressões e as reflexões do narrador, assim como os espaços e encontros essenciais não escapam ao processo de leitura e reconstrução que o autor teve de levar a cabo para alcançar um argumento passível de se suportar numa outra linguagem, a da banda desenhada, com um ritmo e um fôlego muito diferentes dos que se verificam no texto de Fernão Mendes Pinto, mas sem nunca se afastar das características discursivas (múl­tiplas e muito diferentes entre si) que definem o texto que serviu de ponto de partida.

Na preparação desta exposição houve oportunidade de contar com a presença do autor numa das sessões de tra­balho, pelo que alguns excertos da conversa que decorreu em torno da adaptação da Peregrinação serão aqui repro­duzidos, devidamente assinalados com aspas, para com­plementar a informação sobre este núcleo da exposição. Nessa conversa ficou a saber-se que a intenção de adaptar a obra de Mendes Pinto para banda desenhada é devida a Eduardo Teixeira Coelho, que chegou a iniciar o empreen­dimento com um conjunto de vinhetas desenhadas (para a Exposição de Literatura Infantil que se realizou no Palácio da Independência, em Lisboa, em 1952), tendo-o abando­nado com a sugestão de lhe dar continuidade oferecida a José Ruy. A oferta foi aceite e o resultado apareceria nas páginas do Cavaleiro Andante, em 1957, como já é sabido. E nesse sentido, tornou-se imprescindível incluir as vinhetas desenhadas por Eduardo Teixeira Coelho nesta exposição, antecedendo o núcleo dedicado ao trabalho desenvolvido por José Ruy, ainda que sejam apenas três.

Os originais da Peregrinação de José Ruy apresentam-se em formato A2, algo que era comum na época "por imposição da arte gráfica, porque o offset - que é uma impressão indi­recta em que o zinco passa a imagem para uma borracha, e essa borracha passa-a para o papel - engrossa o traço. Então, trabalhávamos em maior dimensão para que o traço quando da redução ficasse suficientemente fino de modo a aguentar o que engrossava ao chegar ao papel", como nos explicou o autor...

O CATÁLOGO



 
 



 

 

 

 

 

 

 

 

 A EXPOSIÇÃO
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Comissariado
Sara Figueiredo Costa Cristina Gouveia

Pranchas e ilustrações originais
de José Ruy e Artur Correia da colecção do CNBDI

Selecção documental
Cristina Gouveia e Sara Figueiredo Costa

Textos
Sara Figueiredo Costa

Concepção Cenográfica
Catarina Pé-Curto

Carpintaria
ATN Carpintaria, António Namora

Emolduramento
Jorge Brito, Lda

Projecto Pedagógico
Catarina Pé-Curto com Ângela Ribeiro

Visitas Guiadas
José Eduardo Ferreira

Espectáculo A Peregrinação
Paulo Lajes e Pedro Leitão

Encontros Imaginários, com Fernão Mendes Pinto
Hélder Costa - Parvoíces Produções Artísticas, Lda

Agradecimentos
Fausto Bordalo Dias
Hélder Costa, Grupo de Acção Teatral A Barraca Instituto Camões, na pessoa da Prof3 Doutora Ana Paula Laborinho Impresa Publishing, nas pessoas da Dra Mónica Balsemão e Cristina Batlle Y Font
Luís Gaspar, Audioblogue Estúdios Raposa
A todos os autores que generosamente cederam as suas obras: André Letria, Artur Correia, Carlos Marreiros, João Costa Duarte, João Fazenda e José Garces.
Um agradecimento especial a José Ruy, sem ele esta exposição não teria sido possível.

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