quinta-feira, 2 de maio de 2013

ÀS QUINTAS FALAMOS DO CNBDI NO KUENTRO (5) — COLECÇÃO NONARTE CADERNOS DO CNBDI (1) + AMIGOS DO CNBDI (5), de José Ruy



ÀS QUINTAS FALAMOS DO CNBDI — 5

A COLECÇÃO NONARTE
CADERNOS DO CENTRO NACIONAL 
DE BANDA DESENHADA E IMAGEM
(1)

Tal como José Ruy escreve mais abaixo, na quinta parte do seu texto sobre o historial do CNBDI, foi criada, em 1998, a colecção NonArte para neles se apresentarem os originais arquivados no Centro que fossem sendo mostrados em exposições, mas que constituem também monografias biográficas dos autores.

O segundo e o quinto volumes editados fogem à regra acima mencionada, o Dicionário dos Autores de Banda Desenhada e Cartoon em Portugal — que contém as biografias de mais de 500 autores e o Catálogo de Autores de Banda Desenhada Portuguesa — com a relação das obras de 78 autores.

Passamos a apresentar os volumes editados até agora, começando pelos dois primeiros:

Contracapa e capa de 
E.T.COELHO - A ARTE E A VIDA 
Leonardo De Sá e António Dias de Deus
A preto - 128 págs. 
Edição Época de Ouro, Costa de Caparica, 1998

Contracapa e capa de
DICIONÁRIO DOS AUTORES DE BANDA DESENHADA E CARTOON EM PORTUGAL 
Leonardo De Sá e António Dias de Deus
A preto, 160 págs. 
Edição Época de Ouro, Costa de Caparica, 1999

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AMIGOS DO CNBDI (5) 
José Ruy

(...Continuação)


O recinto destinado à exposição da obra de Teixeira Coelho tornou-se pequeno, porque os comissários Leonardo De Sá e Dias de Deus iam acrescentando cada vez mais e mais material. O Eduardo Nascimento, diretor da Galeria, achava que era preciso espaço entre peças para «respiração», mas a ânsia de mostrar o mais possível sobrepunha-se às regras. Um dos recursos do Leonardo De Sá foi utilizar o espaço aéreo, pendurando do teto, entre dois vidros, pranchas de grande formato, em que o Coelho havia dado a indicação do colorido no verso, para que à transparência os desenhadores litográficos em França pudessem ser orientados na execução manual das cores, pelo processo usado na altura no «Vaillant». 

Dessa maneira o público teve patentes as duas faces, sem ter o espaço ocupado por uma caixa luminosa. Estabelecera-se que os originais entrados no arquivo do CNBDI, além de serem utilizados em exposições seriam apresentados em livro. Criou-se então a coleção «Nona Arte». Essa primeira publicação explanou a vida do autor, Eduardo Teixeira Coelho e uma parte representativa da sua obra, desde os tempos de «O Mosquito» até à sua consagração fora de Portugal. Foi a mostra mais completa, em livro, sobre este magnífico autor, e por enquanto a única, mas na minha opinião impõe-se mostrar numa edição mais vasta ao grande público, o extenso percurso do artista, através do acervo preservado no «bunker» que acolhe a maior parte de toda a sua produção. 

Para que esse grande público pudesse ter um fácil acesso ao arquivo do CNBDI, sem expor o material a um inevitável desgaste ao ser manuseado constantemente, pensou o Dr. Luís Vargas (mais um sonho) em adquirir para o Centro um «scanner» formato A2 para digitalizar os originais, que seriam dessa maneira observados pelo público interessado, tal como jornalistas e investigadores que poderiam facilmente obter cópias digitais para artigos e estudos. Mas era um investimento caro e o sonho só muito mais tarde, aquando da construção de raiz da Biblioteca Municipal, pensando poder criar aí um espaço ainda com melhores condições para o CNBDI, depois de se bater pelo scanner, que os bibliotecários não viam vantagem pois não conheciam o precioso material que justificava o seu uso, a máquina adquirida entrou em incompatibilidade com os computadores existentes e teve de ser devolvida antes de funcionar. Claro que hoje em dia não é preciso um porta-originais tão grande, pois um A4 consegue reproduzir originais formato A2 e maior. A tecnologia avançou. É preciso que a sensibilidade de quem decide avance na mesma proporção. 

No sentido de enriquecer o «bunker» do CNBDI, expliquei aos meus colegas mais próximos a vantagem de doarem os seus desenhos, não só por poderem ser vistos através de exposições como principalmente pela preservação e proteção. Mas de princípio não os consegui aliciar. Diziam que em suas casas também estavam bem guardados, sem pensarem que em caso de acidente, cheia, incêndio ou voracidade das traças, era aquele local o mais indicado para estarem a salvo. 

No final do milénio, o presidente Joaquim Raposo decidiu fazer uma cerimónia para a assinatura do contrato de doação com o Teixeira Coelho e comigo. E realmente reconheço que estas formalidades têm a vantagem de pelo menos fazer convencer os indecisos. Realizou-se uma sessão simpática, junto ao «bunker» onde tivemos oportunidade de dissertar sobre o material em causa, o que representava (e representa) e o Teixeira Coelho até teve uma frase curiosa, «que mais não fosse, as gerações futuras poderiam ver ali o resultado de quando ainda se trabalhava à mão». Referia-se dessa maneira ao já então crescente avanço da informática e a perda do hábito de desenhar do natural e sobre papel. Após a cerimónia, colegas resolveram-se então a doar parte dos originais, ou ceder contra retribuição monetária. Eu nunca recebi um centavo nem um cêntimo do CNBDI, do Festival ou da Câmara. E nunca receberei. Mas desta maneira os armários de aço foram-se enchendo. Alguns autores estrangeiros convidados a virem aos Festivais BD da Amadora, também foram entregando pranchas. Hoje tem cerca de 15 mil originais. Mas a sua riqueza não é só essa… 

A doação:


 Nas fotos: Eduardo Teixeira Coelho, o presidente da Câmara Municipal da Amadora Joaquim Raposo e José Ruy

A Exposição:


O presidente da CMA Joaquim Raposo e Eduardo Teixeira Coelho, na inauguração da exposição, que decorreu entre 23 de Outubro e 8 de Novembro de 1998 (durante o IX Festival Internacional de BD da Amadora)...

(continua...)

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