quinta-feira, 1 de agosto de 2013

ÀS QUINTAS FALAMOS DO CNBDI NO KUENTRO (18) – O BOLETIM BD'INFORMAÇÃO #4 – AS EXPOSIÇÕES (9) – DESENHAR A MÚSICA – DE JOSÉ GARCÊS + O TEXTO DE JOSÉ RUY “AMIGOS DO CNBDI” (15)


ÀS QUINTAS FALAMOS DO CNBDI - 18

O BOLETIM BD'INFORMAÇÃO #4

AS EXPOSIÇÕES (9)
DESENHAR A MÚSICA – DE JOSÉ GARCÊS
27 de Janeiro a 25 de Maio de 2004

Em Janeiro de 2004 inaugurou-se a 9ª exposição na Galeria do CNBDI: Desenhar a Música - de José Garcês, tendo sido editado o respectivo Catálogo (o único que não possuímos) e o Boletim BD'Informação #4. Dado não possuirmos este Catálogo, optámos por transcrever aqui alguns dos textos do BD'Informação #4 sobre José Garcês e a Exposição propriamente dita. Fica também o texto sobre a Associação de Autores de BD (que nunca se concretizou), pelo interesse documental.


Ilustrações de José Garcês - Imagens do Boletim BD'Informação #4

O 4º BD'Informação revela o trabalho contínuo que o Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem [CNBDI] promove ao nível das potencialidades da Banda Desenhada como veículo privilegiado na divulgação de linguagens artísticas. Nesta edição, o destaque vai para a exposição "Desenhar a Música", onde, a par do talento indiscutível das pranchas de José Garcês, agradecemos a colaboração científica do Museu da Música.

Além disso, vai ainda ser apresentada informação acerca da realização do 2º Encontro de Autores de BD, Ilustração, Cartoon/Caricatura e Cinema de Animação. No próximo encontro, serão propostos os estatutos de uma associação, ambição antiga daqueles profissionais. O desafio está lançado, e o BD'Informação apresenta-se cada vez mais como uma peça na construção contínua do projecto de Banda Desenhada no Município da Amadora, onde o desenvolvimento da vertente editorial é uma aposta na resposta às constantes solicitações de informação sobre a nona arte.

A Vereadora do Pelouro da Cultura
Maria João Bual Salvado

José Garcês

José Garcês nasceu em Lisboa em 1928, fez o curso de Artes Gráficas da Escola e Decorativas António Arroio, sem nunca deixar esmorecer o sonho de poder criar o seu caminho artístico. A vocação para o desenho e as artes gráficas em geral, desde cedo se manifestaram, tendo recebido o seu primeiro prémio com apenas 15 anos de idade. A partir de então participou em praticamente todas as publicações e iniciativas de banda desenhada que se realizaram em Portugal.

Os trabalhos que lhe granjearam maior reconhecimento fê-los no âmbito da banda desenhada histórica, na dedicação à ilustração animal e às construções de armar. Mas, José Garcês não é apenas um desenhador de histórias aos quadradinhos. O empenhamento, a dedicação e a preocupação de grande rigor documental que dedicou à sua arte fizeram com que fosse sempre muito solicitado para trabalhar nos mais variados domínios.

Para além desta relação com o Mosteiro da Batalha, encetada em 1980, com uma mostra sobre Alabastros Medievais Ingleses, a que se seguiu A Música no Século XV, participou na XVII Exposição Europeia de Arte Ciência e Cultura (1983), desenhou uma colecção de selos para os CTT, fez ilustração animal para o Museu de História Natural da Faculdade de Ciências e especializou-se em temáticas náuticas e militares, sendo de sua autoria o desenho de uniformes militares publicado pelo Ministério da Defesa Nacional em 1960.

Grande parte da sua obra foi doada à cidade da Amadora e encontra-se no arquivo de originais do CNBDI.

Pela importância que assumiu na promoção da Nona Arte, pela qualidade artística multifacetada que desenvolveu numa carreira de grande coerência, José Garcês foi homenageado pela Câmara Municipal da Amadora com a Medalha de Ouro Municipal e, em 1999, com a atribuição do Troféu Honra Zé Pacóvio e Grilinho. Data ainda desse ano a realização de uma exposição retrospectiva na Galeria Municipal Artur Bual. Na sequência dessa homenagem foi editada uma monografia, em 2002, a que foi dado o título As Fases Diversas, da autoria de Leonardo De Sá e António Dias de Deus.

Nota: O Kuentro dedicará o próximo Às Quintas Falamos do CNBDI no Kuentro ao 4º título da Colecção NonArte, precisamente José Garcês – As Fases Diversas, de Leonardo De Sá e António Dias de Deus.

Desenhar a Música

A abordagem da banda desenhada quer enquanto expressão artística, com uma estrutura narrativa própria, quer na sua relação com todas as outras formas de arte, inciuindo, as mais próximas como a iiustração, a caricatura e o cinema de animação tem sido um dos eixos norteadores do trabaiho desenvoivido no Centro Nacionai de Banda Desenhada e Imagem, e também um dos seus maiores desafios.

Neste sentido, entrados no quinto ano de actividade do CNBDI e, continuando, a linha de orientação assumida, pareceu-nos oportuno encetar uma nova relação, desta vez com a Música, com vista à organização de uma exposição de grande divulgação de um autor português para públicos de todas as idades, animando-a de forma a trabalhar com as escoias em gerai, e as de música em particular e, sobretudo, dotá-la de informação, adequada e rigorosa, sobre a música e os instrumentos musicais representados nas pranchas.

O apoio científico, fundamental num projecto com estas características, foi assegurado através de um protocolo estabelecido entre a autarquia e o Museu da Música, que desde o primeiro encontro se manifestou inteiramente disponível e nos apoiou com informação escrita e iconográfica especialmente produzida e seleccionada para Desenhar a Música.

Também a firma Diapasão aderiu à iniciativa e cedeu os instrumentos musicais que os mais jovens têm à sua disposição. Um agradecimento ainda aos Segreis de Lisboa que nos facultaram a sua música para a realização do diaporama sobre os instrumentos musicais dos sécs. XV e XVI.

Associação de Autores
Encontro dia 26 de Fevereiro

A criação de uma Associação de Autores de Banda Desenhada, Ilustração, Cartoon/Caricatura e Cinema de Animação é o objectivo central do grupo de trabalho que se constituiu em Outubro, no âmbito do Festival Internacional de BD da Amadora, e por proposta de diversos autores.

Na primeira reunião, que se realizou no Auditório Municipal, e que contou com mais de 40 autores, ficou decidida, entre outras propostas, a criação de um fórum de discussão na Internet (http://br.groups.yahoo.com/group/CriadoresImagem/) que, até ao momento, registou inúmeras opiniões e propostas para que a Associação seja uma realidade a breve tempo. Agora, e para dar sequência ao trabalho desenvolvido ao longo destes meses, realiza-se no dia 26 de Fevereiro, pelas IA.30 horas, no Centro Nacional de BD e Imagem, o segundo encontro de autores que servirá para apresentação da Carta de Intenções do Autor, que é um documento no qual se referem os interesses e necessidades dos autores, discussão dos futuros estatutos da Associação, tendo por base soluções encontradas em outros países e, igualmente, a Indicação dos autores que vão integrar os órgãos sociais da Associação.

Neste sentido, fica, desde já, o convite a todos os autores para que compareçam no CNBDI por forma a, em conjunto, se discutir mais amplamente a constituição da Associação, um projecto que ao longo dos últimos anos tem sido debatido mas não levado à prática, por diversos motivos.

Nota do Kuentro: Claro que esta Associação nunca foi avante!!!

Capa do Catálogo da Exposição (reprodução cedida por Dâmaso Afonso)

AS FOTOS DA EXPOSIÇÃO
Do arquivo de Dâmaso Afonso






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No blogue As Leituras do Pedro, de Pedro Cleto, pode ler-se AQUI uma entrevista com José Garcês, de onde foram "sacadas" as fotos abaixo.



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AMIGOS DO CNBDI (15)
José Ruy



Em Abril de 2011, o serão «Às Quintas Falamos de BD» foi dedicada ao SAM, o autor da famosa personagem «O Guarda Ricardo», que se publicou durante bastante tempo no jornal «Notícias da Amadora» e no «Epresso». O seu nome completo era Samuel Azavey Torres de Carvalho.

O Sam era um dotado criador de coisas sem senso. Conheci-o quando estava na Bertrand, na instalação da Venda Nova. Ele trabalhava na «Sorefame» e era amigo do António Ramos, o editor, passando normalmente pela redação nos fins de tarde, fazendo parte de uma tertúlia parecida com a que se formara nas Edições O Mosquito nos anos 40 do século XX. Espantava-se como as legendas da revista «Tin-Tin» eram feitas manualmente, e admirava a destreza do Mário Correia a executá-las. Dizia que se não visse, não acreditava, julgando que esse trabalho era feito à máquina. Juntava-se a ele o José Galvão, que hoje também recorda esses saborosos encontros.

O Sam criava objetos que não serviam para nada, a não ser para provocar o riso a quem os via, como um funil com o bico voltado ao contrário e com a ponta tapada, uma cadeira com falta de uma perna ou sem fundo, uma torneira cuja peça de abertura terminava num nó, impedindo a passagem de qualquer líquido e objetos do género, fruto da sua fértil imaginação.

Mas a sua popularidade ficou a dever-se à figura do «Guarda Ricardo» realizado em traços simples e cheios de movimento, em tiras curtas onde contava pequenas histórias sempre oportunas a propósito de situações vividas no cotidiano. Começou a sua publicação no «Notícias da Amadora em 1971 e depois continuou no semanário Expresso. Mas tinha já publicado outras personagens da sua imaginação, como «Eloisa» na Flama e no Jornal do Comércio.

O ator e encenador Mário Viegas realizou uma série de pequenos filmes inspirados nos cartoons do Sam.

Na apresentação esteve também o diretor do Notícias da Amadora, que na altura tinha já suspendido a sua publicação que se mantivera estoicamente desde 25 de Outubro de 1958.

O grande interesse nestas sessões tem sido sempre a presença de alguém que se recorda de peripécias desconhecidas do grande público ou vai acrescentando mais algum pormenor ao assunto em foco, o que enriquece o evento e lhe empresta um colorido especial.

Como apoio às palestras há sempre uma projeção em vídeo dividindo-se a sessão em duas partes, uma em que os apresentadores vão acompanhando as imagens dando explicações, e depois quando os assistentes passam a participar diretamente. Então o evento transforma-se em verdadeira tertúlia e todos no final saem com maior conhecimento do assunto, incluindo por vezes os próprios palestrantes.

Quanto a mim é a este facto que se deve o êxito comprovado de «Às Quintas Falamos de BD» e como os temas têm sido de grande interesse, o público mantém-se fiel.

Afinal a BD ou HQ está presente em praticamente todos os assuntos que se queiram abordar. Encontra-se sempre um relacionamento a este género de narrativa qualquer que seja o tema escolhido, e a provar isso é a lista de eventos realizados já entre 2011 a 2013 e que irei dando nota nestes escritos.

Na sessão a seguir a esta, a última realizada em 2011, focou-se o aliciante tema: «Novos Caminhos para a BD».

Vejamos no que resultou…

(continua...)

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