segunda-feira, 5 de agosto de 2013

JOBAT NO LOULETANO (124-125) – FINAL DO TEXTO DE JORGE MAGALHÃES SOBRE FERNANDO BENTO E INÍCIO DOS ARTIGOS SOBRE AUGUSTO TRIGO



NONA ARTE
MEMÓRIAS DA BANDA DESENHADA
(CXXIV - CXXV)

FERNANDO BENTO (9)

O Louletano, 25 de Fevereiro de 2008

UM MAGO CHAMADO FERNANDO BENTO (3)
Por Jorge Magalhães

Bento tinha ainda uma qualidade rara. Desenhador prolífico, nota-se em muitas das suas páginas a rapidez do acabamento. Mas a magia inconfundível do traço, o retrato das personagens, a sugestão dos ambientes, o movimento que animava todas as cenas, seduziam sempre os leitores.

Infelizmente, depois do fim do Cavaleiro Andante, em 1962, os caminhos do Artista e da Banda Desenhada pare­ceram separar-se, só voltando temporariamente a unir-se em 1973, quando Bento publicou no diário A Capital a história "Um Campeão Chamado Joaquim Agostinho". Seria preciso esperar quase duas décadas para que ele aceitasse novo desafio, que representava um verdadeiro regresso às origens: recriar as personagens de Stevenson numa nova versão d'A Ilha do Tesouro, adaptada de um obscuro romance de H.A. Calahan, que eu encontrei por acaso num "sebo" (alfarrabista) brasileiro.

Mesmo aos 80 anos, Bento dedicou-se ao projecto com todo o entusiasmo, revelando o mesmo talento e a mesma febril actividade criadora dos seus tempos áureos. Parece incrível, mas é verdade: sem esforço aparente, com uma frescura e uma vitalidade gráfica que surpreendeu todos, chegou a produzir uma média de dez páginas por mês - que eu apreciava sempre com profundo deleite quando ia visitá-lo e levar-lhe os meus textos aos escritórios da BP, na Avenida da Liberdade, onde ele continuava a exercer a sua actividade profissional! E só a crise do sector livreiro, que atingiu dras­ticamente, nesse período, as Edições Asa, impediu que o 2° volume do Regresso à Ilha do Tesouro chegasse às mãos dos leitores em 1995, pouco antes da sua morte.

Ainda estou a vê-lo, de olhos brilhantes, a fala embargada de emoção - como um jovem que acabasse de fazer a sua estreia -, quando saiu o 1° volume, em 1 de Março de 1993.

Contou-me, en­tão, que gos­tava de ouvir as reacções dos seus colegas de trabalho a quem oferecera o ál­bum, postando­-se discretamen­te num canto, de orelha à escuta, sem que os ou­tros dessem por isso. Entusias­mo compreen­sível, pois o Re­gresso à Ilha do Tesouro foi a sua primeira obra de BD publicada directamente em álbum.

Para mim, ter colaborado com Fernando Bento, um dos grandes magos dos meus sonhos juvenis, representou talvez o momento mais alto da minha carreira de argumentista (sem desprimor para nenhum outro Artista com quem tive a honra de trabalhar) e uma experiência tão gratificante que jamais a esquecerei.


 Esboço de Fernando Bento para figura de Regresso à Ilha do Tesouro II - in E Tudo Fernando Bento Sonhou, de João Paulo Paiva Boléo, Cadernos NonArte do CNBDI, Dezembro de 2010

Regresso à Ilha do Tesouro II - Fernando Bento - na revista Selecções BD, nº 14, 2ª série, Dezembro de 1999

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O PRÍNCIPE FELIZ (9)
Baseado num conto de Oscar Wilde
Desenhos de Fernando Bento


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O Louletano, 3 de Março de 2008

CAROS LEITORES

A nova série que hoje iniciamos, "Luz do Oriente", com ar­gumento de Jorge Magalhães e desenhos de Augusto Trigo, nomes sobejamente conhecidos na historiografia da BD Portuguesa, é uma obra de que nos orgulhamos dar a conhecer aos leitores desta secção, porventura não muito familiarizados com a BD nacional, especialmente o s que nela intervêm como argumentistas, ilustradores e divulgadores. Jorge Magalhães, desde sempre ligado às Histórias aos Quadradinhos, como então eram conhecidas as publicações infantis ilustradas, tem sido um precioso e inestimável colaborador nestas páginas, o que nunca será demais realçar, e também colega e amigo de quase meio século. Porém, falemos agora do autor dos desenhos, Augusto Trigo, cujo traço nos relembra os ilustradores clássicos - de entre os quais sobressai Hal Foster, autor da série "Príncipe Valente"-que de certa maneira influenciaram quase todos os artistas nacionais de BD, cujos trabalhos, de alguns deles, já aqui tivemos o prazer de publicar. Tardiamente surgido como ilustrador de BD, Augusto Trigo rapidamente se tornou um nome de referência nesta área, com vasta obra publicada em vários suportes dedicados ao género, sendo homenageado pelo Clube Português de Banda Desenhada, em 1981; Salão da Sobreda, em 1990; e Moura BD, também no mesmo ano. Porém, melhor do que as nossas palavras, as suas ilustrações falarão por si, pois muito ainda há ainda a esperar da sua fecunda veia criativa. L amentamo s que o Portug al de hoje se tenha transformado num quase deserto, especificamente no campo da BD nacional editada, situação que analisaremos em textos futuros, razão da ausência deste, bem como de outros ilustradores, no panorama editorial português. Leonardo De Sá, que os leitores tão bem conhecem, autor do texto biográfico que publicamos, oferece-nos, numa síntese clara e simples, o percurso artístico do autor, bem como as obras que pontilharam a sua carreira. Aos autores aqui referidos, bem como a todos quantos connosco têm colaborado, os nossos agradecimentos pela disponibilidade prestada, sem a qual seria difícil, quiçá impossível, publicitar como desejaríamos uma forma de arte que tanto nos apraz. Desejamos a todos os leitores da 9a Arte agradáveis momentos de entretenimento.

Jobat
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AUGUSTO TRIGO (1)
por: Leonardo De Sá

Augusto Faria Rodrigues Trigo nas­ceu em Bolama, na antiga Guiné portu­guesa, a 17 de Outubro de 1938. Vindo para a metrópole aos sete anos, após a morte acidental de seu pai, estudou escultura, desenho e talha, na Casa Pia, em Lisboa, nomeadamente com o escultor Martins Correia. Trabalhou um pouco como pintor de publicidade, antes de voltar de novo à Guiné em 1958 onde foi desenhador cartógrafo, tendo realizado paralelamente, a partir de 1964, exposições de pintura, aguarela e desenhos.

Foi professor de Desenho e Traba­lhos Manuais, e ilustrou livros didác­ticos. Após a independência, dirigiu o Departamento de Artesanato Nacional, encarregou-se depois também do sector da Cerâmica Artística. »»

(continua...)

Festival Internacional de BD da Amadora 2008 – Esteban Maroto, Augusto Trigo e José Carlos Francisco


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LUZ DO ORIENTE (1)
Jorge Magalhães (argumento) e Augusto Trigo (desenhos)


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