sábado, 5 de abril de 2014

NOVO LIVRO DE PEDRO MASSANO – A BATALHA – 14 DE AGOSTO DE 1385


NOVO LIVRO DE PEDRO MASSANO
A BATALHA – 14 DE AGOSTO DE 1385 
Lançado a 27 de Março, pela Gradiva

Foi lançado a 27 de Março passado, pela Gradiva, mais um excelente livro de Pedro Massano: A Batalha – 14 de Agosto de 1385, evocando a mítica batalha de Aljubarrota. Depois das últimas obras do autor, os dois volumes, quer de A Conquista de Lisboa (a que falta ainda o terceiro) quer de Le Deuil ImpossíbleO Luto Impossível (a que falta também o 3º volume, segue-se esta reconstituição minuciosa da Batalha de Aljubarrota. Graças a esta Batalha, o reino português conseguiu adiar por 195 anos a sua integração na monarquia castelhana, lançando-se nesse espaço de tempo à “Descoberta de Novos Mundos”. Pena que o Rei D. António I não viesse a ter, em 1580, um Condestável como Nuno Álvares Pereira...

A batalha de Aljubarrota, ocorreu a 14 de Agosto de 1385 (fará 629 anos este ano) nos arredores de Aljubarrota, no campo que depois foi chamado de S. Jorge. Com a vitória do pequeno e improvisado exército português – e a ajuda dos aliados ingleses – sob o comando de D. João, Mestre de Avis (filho bastardo do Rei D. Pedro I) e sobretudo do Condestável Nuno Álvares Pereira, pôs-se fim à chamada Crise de 1383-1385. Esta crise (para informar sumariamente os mais jovens leitores, que duvido que saibam alguma coisa sobre isto) originou-se com a morte precoce do rei D. Fernando I (filho de D. Pedro I), deixando como herdeira a sua filha D. Beatriz, casada que estava com o rei de Castela e Leão, Juan I. O Mestre de Avis é aclamado Rei de Portugal nas Cortes de Coimbra, em 6 de Abril de 1385. Contudo o rei de Castela e Leão não desistiu de tomar o trono português para sua mulher e, com a ajuda dos seus aliados, Franceses, Aragoneses e Italianos (não nos esqueçamos que se estava em plena Guerra dos Cem Anos, entre a França e a Inglaterra), invadiu o reino português com um exército composto por cerca de 30.500 homens, sendo travado em Aljubarrota pelo exército português, que não teria mais que cerca de 8.000. Levar de vencida um exército daqueles com tão pouca gente, deveu-se sobretudo à inovadora táctica engendrada pelo Condestável Nuno Álvares Pereira, que consistiu em dispor a sua infantaria armada de “piques” ou "chuços” e protegida atrás de estacas pontiagudas cravadas no chão e apontadas aos cavalos inimigos, num reduzido espaço de campo. Mas isto – e o resto – poderá ser visto e lido neste soberbo livro de Pedro Massano.

Adiantando-nos um pouco à época (e para relevar a importância de "Aljubarrota"), diremos que, em 25 de Outubro de 1415, em Azincourt (França) – se deu a batalha decisiva da Guerra dos Cem Anos – a cavalaria francesa sofreria uma pesada derrota contra os ingleses, que usaram um estratagema muito semelhante ao de Nuno Álvares em Aljubarrota. O exército francês era composto por 50.000 homens, o inglês por 11.800 – uma proporção mais ou menos parecida com a de Aljubarrota!

ENTREVISTA COM PEDRO MASSANO
Conduzida por Geraldes Lino

Geraldes Lino - Pedro Massano: Tenho acompanhado o teu imenso trabalho de realização da obra em BD "A Batalha - 14 de Agosto de 1385", que está terminada e prestes a ser lançada pela editora Gradiva.

Sei que se trata de encomenda de uma importante instituição. Podes contar-me em pormenor como, quando e por quem te foi apresentado este projecto?

Pedro Massano - Fui contactado por um responsável da Fundação Batalha de Aljubarrota, e o projecto deveria fazer parte do conjunto de documentos que o CIBA – Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota tem vindo a editar para esse fim.


GL - O argumento e respectivo guião de "A Batalha" são de tua autoria. Como sei quão elevado é o teu nível de exigência e de rigor histórico, calculo que tiveste de te basear em textos escritos por autores dignos de crédito. Quais?

PM - Em primeiro lugar, obviamente, Fernão Lopes: uma dor de cabeça para restabelecer a cronologia, porque ele anda para trás e para diante, ao “sabor da pluma”, sem nenhuma consideração por nós – pobres leitores da era dos filmes e do híper texto – baralha tudo, volta a dar, e o leitor que se desenrasque. Para além disso, mascara alguns pormenores sem os quais o desfecho quase não se percebe. Esta foi a parte que mais trabalho me deu na preparação, mas o F. Lopes é sempre de uma riqueza e de um colorido fantásticos.

Depois, Froissart, que tem dois relatos; um primeiro, quase inócuo, escrito pouco depois do acontecimento, a partir de relatos de sobreviventes franceses. E um segundo, resultante de uma entrevista ao filho do Diogo Lopes Pacheco na Flandres – aonde se deslocou para o encontrar – que, esse sim, complementa e traz nova luz à leitura de Fernão Lopes.

Por último, e de enorme interesse, a carta de D. Juan (rei de Castela) aos murcianos, que é um quase pedido de desculpas pela derrota sofrida, e os escritos de Pêro Lopes Ayalla (cronista de D. Juan) que visam desculpar o rei perante a posteridade.

Fiz questão de ler os textos nas transcrições dos originais, porquanto nas adaptações e nas traduções perde-se sempre muita coisa.

GL - Trata-se de uma obra de grande envergadura. Quantas pranchas fizeste?

PM - O número de pranchas desenhadas é de 86.

GL - Lembro-me de ter visto no teu estúdio umas pranchas duplas. Sempre foi possível incluí-las no livro?

PM - Todas as pranchas são duplas.
Gosto do efeito de alguns desenhos passarem de uma página para a outra, mesmo que isso possa dar algum trabalho às gráficas e, houve alguém que me disse, um dia, com muita graça, que eu não era capaz de respeitar os quadrados e de deixar os desenhos sossegados lá dentro.
As únicas pranchas singulares são a 1 e a 86. 


GL - A obra é completamente tua, incluindo a legendagem e a colorização. Quanto tempo investiste na sua execução?

PM - Demorei cerca de dois meses com o texto, e mais um ano e pouco a desenhar tudo a lápis, para o conjunto poder ser aprovado pelo historiador que, à altura, tinha essa responsabilidade por parte da Fundação, o prof. Mário Barroca.

Para a execução final não me comprometi expressamente com prazos – e isto tenho de agradecer à Fundação – porque sabia e queria que a obra me desse o trabalho que merecia. Demorei cerca de 4 anos.

GL - Sendo a legendagem escrita por ti, gostaria de saber se usaste a ortografia antiga, a do acordo de 1945 (AO45), ou se a escreveste em conformidade com o novo acordo de 1990 (o AO90).

PM - Usei a antiga, embora o que haja mais na “Batalha” sejam “espetadores".

GL - Sei que a capa com que é editado o livro não foi a primeira que fizeste. Por que foi substituída essa capa inicial?

PM - Foi um daqueles acidentes que acontecem, às vezes, nestes percursos. O editor achou que a primeira capa “não vendia”… Mas, para quem passou a vida a trabalhar para clientes, uns com ideias, outros sem, até poderia fazer uma terceira.

Primeira versão da capa...

GL - Estás satisfeito com o resultado final, ou pensas que poderia ter ficado melhor em algum aspecto?

PM - Penso que houve cuidado, de todas as partes envolvidas, em respeitar o mais possível o que estava feito. Quero salientar o empenho da Multitipo – amigos que já não via há 30 anos! – no resultado final da cor.

GL - A edição será posta à venda na totalidade, ou haverá uma parcela reservada para a Fundação?

PM - Quanto a isso não seria elegante, da minha parte, estar a comentar acordos que desconheço entre a Gradiva e a Fundação. A pergunta deve ser-lhes dirigida.

GL - Quando e onde será lançada a obra?

PM - Também não faço a mais pequena ideia.

GL - Agradeço-te a disponibilidade.

in DivulgandoBanda Desenhada, 23 Março 2014



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