sábado, 14 de abril de 2012

BDpress #336: MÚSICA AOS QUADRADINHOS – MOVIMENTO PUNK EVOCADO EM O MENINO TRISTE PUNK REDUX – Pedro Cleto no JN



Jornal de Notícias, 26 de Fevereiro de 2012

MÚSICA AOS QUADRADINHOS

NOVO ÁLBUM DE O MENINO TRISTE EVOCA MOVIMENTO PUNK

F. Cleto e Pina

“Punk Redux”, o novo álbum de O Menino Triste, anti-herói da BD nacional criado por João Mascarenhas, tem como tema base o movimento punk dos anos 70, cuja génese o autor viveu de perto.

Quarto livro de O menino Triste, baseia-se nas “memórias da primeira visita a Londres, no Verão de 1976, e dos contactos com pessoas envolvidas no punk”, contou Mascarenhas ao JN (ver caixa). Se pelo seu tom semi-documental, esta BD se apresenta como caso único entre nós, não foi a primeira vez que os quadradinhos lusos se cruzaram com a temática musical.

O exemplo mais próximo é a colecção BD Pop Rock Português que o JN disponibilizou aos seus leitores no Verão passado, em que cada um dos 15 tomos inclui um CD, com originais de intérpretes como os Xutos & Pontapés, GNR, Rui Veloso, Clã ou Trabalhadores do Comércio, e uma BD que reconta a sua história ou ilustra alguns dos seus temas mais conhecidos, da autoria de Nuno Saraiva, Rui Lacas ou António Jorge Gonçalves.

Numa colecção semelhante, dedicada ao jazz, já com meia dúzia de anos, encontramos Frank Sinatra e Chet Baker ilustrados por Pedro Zamith e João Fazenda.

Como acordes de outras sonoridades, em registos diversos, ficam “Andamentos de uma vida”, a biografia do maestro Fernando Lopes Graça, escrita e traçada por Ricardo Cabrita, “Movimentos Perpétuos – BD para Carlos Paredes”, álbum colectivo de homenagem ao grande mestre da guitarra portuguesa, e os painéis sobre a música no século XV da autoria do veterano José Garcês.

No campo da ficção pura, salientam-se três obras: a trilogia “Loverboy”, de Marte e João Fazenda, que narra o percurso iniciático de um jovem entre a adolescência e a idade adulta, que integra uma banda de garagem; “SuperFuzz #1 – Vai sonhando, Paiva… Vai sonhando!”, de Esgar Acelerado e Rui Ricardo, cujo protagonista trabalha numa loja de discos, sendo frequentes as referências ao meio musical; e a incontornável “A Pior Banda do Mundo”, cuja total inépcia musical dos seus membros serve de fundo a José Carlos Fernandes para traçar de forma incisiva e mordaz um retrato caótico da nossa sociedade decadente.

Entre ficção e realidade, registe-se a curiosa homenagem feita por Arlindo Fagundes a António Variações, ao convidá-lo para personagem do seu álbum “La Chavalita”, pelo facto de o músico ser barbeiro tal como o seu herói, Pitanga. A morte de Variações, ocorrida antes da publicação do livro, seria evocada na abertura de “A Rapariga do Poço da Morte”, numa vista de Pitanga à campa do cantor no cemitério de Vila Verde.

(caixa)
O Punk visto de perto

Nascido em Angola, em 1960, engenheiro mecânico de formação, João Mascarenhas em 1976 conheceu em Londres Malcolm Mclaren, a Siouxie de Siuoxsie and the Banshees ou Soo Catwoman” que prefacia “Punk Redux”, livro que confirma o Menino Triste como “alter-ego” de Mascarenhas, pois nele estão os seus “pensamentos, preocupações, vivência e experiências enquanto ser humano”, revelou o autor ao JN.
Isto não significa que tudo o que ele narra seja factual. Mascarenhas confessa que, ao contrário da sua personagem, que foi “o impulsionador de símbolos do punk, como as botas Doc Martens!”, não chegou a tocar no concerto no 100 Club retratado na BD porque “a Siouxie queria actuar com a cruz nazi! Não me identifiquei com a questão e saltei fora”.

“A saída do álbum nesta altura”, diz o autor, “não podia ser mais oportuna pois nele são abordadas questões que fizeram despontar o movimento punk e que são similares às que actualmente estamos a viver por toda a Europa”, considerando “que o momento presente reúne as condições para o aparecimento de um movimento equivalente”.

Punk Redux”, editado pela Qual Albatroz, “não fala apenas da música, mas de todo o enquadramento envolvente, incluindo a realidade sociocultural do Portugal da altura”.

Mais de 30 anos depois, Mascarenhas afirma que continua a “ser punk, não exteriormente, mas porque a máxima “Do it yourself” continua a ser muito forte” em si, por isso continua “a ser empreendedor e a fazer coisas e não só na BD”.





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Imagens da responsabilidade do Kuentro

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