quinta-feira, 26 de setembro de 2013

ÀS QUINTAS FALAMOS DO CNBDI NO KUENTRO (24) – A FÁBRICA DA CULTURA JÁ FOI DEMOLIDA – AS FOTOS + AMIGOS DO CNBDI (17) por José Ruy


ÀS QUINTAS FALAMOS DO CNBDI (24)

A FÁBRICA DA CULTURA JÁ FOI DEMOLIDA
AS FOTOS 

Segundo o site da Câmara Municipal da Amadora, o Parque da BD (que irá incluir figuras das personagens do brasileiro Maurício de Sousa) está quase pronto a ser inaugurado! Assim, as fotos que inserimos abaixo (excepto a primeira) são as que constam no dito site da CMA, documentando a demolição da antiga Fábrica da Cultura (antigas instalações da Cometna). Naquele espaço realizaram- se nove Festivais Internacionais de Banda Desenhada da Amadora, de 1992 a 2000, deixando uma imagem indelével na memória dos frequentadores do Festival nessa época – devido ao ambiente que ali se criava todos os anos e nunca mais foi repetido. Em 2001 o FIBDA seria realizado já na Escola Intercultural da Amadora.



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AMIGOS DO CNBDI (17)
por José Ruy

A razão porque não chegaram até hoje originais das Histórias em Quadrinhos do António Cardoso Lopes, o Tiotónio, diretor artístico de O Mosquito, deve-se ao facto de nos anos 30 e 40 do Século XX, ele desenhar sobre «papel cromo» (uma espécie de papel de seda gomado de um lado) onde se aplicava uma tinta preta litográfica para ser «transportado» diretamente para a chapa de zinco Offset. Dessa maneira, após a estampagem na chapa, a base do desenho desfazia-se ficando só o traço na chapa de zinco. Por isso esses originais nunca puderam ser expostos.

Este processo evitava a despesa da reprodução e só depois de passado ao zinco, era possível tirar uma prova, que figurava então como «original», tal e qual o que acontece hoje com o desenho em computador, cujo «original» será uma prova scanerizada, após o seu acabamento. Mesmo quando existem originais a tinta-da-china que são moldados nos programas informáticos, a arte final é sempre uma reprodução digital. Isto tem criado grandes dúvidas entre os «puristas» que não consideram as provas como originais, chegando a não aceitar essas bases para exposições.

Mas mesmo quanto ao nosso trabalho analógico todo executado sobre papel, a Arte Gráfica impôs sempre o modo como tínhamos de fazer a execução. Desenhávamos ao dobro do formato da publicação, porque o processo Offset (impressão indireta) engrossava o traço, devido à tintagem da chapa de zinco no cilindro da borracha, que por sua vez ia estampar no papel. A redução fotográfica permitia tornar o traço bastante fino sem perder a opacidade, devido ao nitrato de prata da composição da emulsão, compensando o que ia engrossar na impressão.

Com o evoluir do processo da reprodução fotográfica e das máquinas impressoras esse problema foi sendo ultrapassado e foi-nos permitido começar a desenhar em dimensões menos grandes, embora fazendo-o maior que o tamanho da impressão. Isso deu-nos a vantagem de beneficiar da redução para melhorar o traço.

O mesmo passando-se com as cores. Enquanto que primitivamente estas eram desenhadas diretamente nas chapas de Offset separadas umas das outras, desde o aparecimento da fotolitografia passámos a poder colorir as páginas sobre papel, mas ainda sem serem sobrepostas ao traço negro. A seleção era feita fotograficamente. A partir dos anos 1980 o constante aperfeiçoamento do parque gráfico permitiu que a aguarela pudesse ser executada mesmo sobre o original a tinta-da-china. A entrada em funcionamento desse novo processo (para as HQ) deu-se na oficina da ASA, e coube-me a mim testá-lo com o livro «Levem-me Nesse Sonho», a História da Amadora, pois o diretor Américo Augusto Areal sabendo da minha formação gráfica e da constante atualização, achou que era mais prudente ser eu a começar. E tinha razão, pois embora a tinta-da-china que tem na sua composição goma laca, em princípio não devesse alastrar depois de seca no papel, o facto é que se trabalharmos com a aguarela um pouco diluída os traços negros esborratam sujando as cores, chegando a inutilizar os originais. Prudentemente, passei a usar a aguarela com o mínimo de água evitando tocar nos contornos. Avisei assim os meus colegas desse pormenor. Tínhamos no entanto ganho um grande avanço. Onde havia mais perigo, era nas grandes manchas de tinta-da-china aplicadas no desenho, mananciais para derramar sujidade nas cores mais próximas. Então pensei em aplicar nessas manchas com marcadores de tinta preta a álcool que haviam surgido no mercado. Esses não se diluíam com água. Mas com o tempo, seis meses ou um ano, esse negro começa a perder intensidade, principalmente se o original estivar exposto à luz.

O debate dessa «Quinta-Feira no CNBDI» foi muito interessante, pois conseguiu-se mostrar que outros caminhos estavam a ser iluminados, permitindo aos autores que utilizam os recentes processos gráficos, uma abertura para os seus originais serem aceites nos Festivais da modalidade.

Em Fevereiro de 2012, foi apresentado um tema que havia sido já preparado desde o ano anterior…

(continua...)

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