terça-feira, 11 de janeiro de 2011

INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO “TINTA NOS NERVOS – BANDA DESENHADA PORTUGUESA”. MUSEU COLECÇÃO BERARDO – CENTRO CULTURAL DE BELÉM, ONTEM, 10 JANEIRO 2010

É todo um mundo estendido pelas diversas salas do piso -1 do Museu Colecção Berardo, no Centro Cultural de Belém. Que merece e precisa ser visto pelo maior número possível de visitantes, porque é uma oportunidade única para aceder a tão vasta (embora não auto-conclusiva) informação sobre a actual BD portuguesa.


Haverá lá mais para diante, aqui no Kuentro (e também no BDjornal #27), texto crítico sobre esta exposição. Mas precisaremos de fazer mais uma ou duas visitas ao Museu Colecção Berardo, sem a balbúrdia da inauguração, e mergulharmos na leitura atenta dos textos do Catálogo. Mas à partida, a filosofia de que partiu esta abordagem à Banda Desenhada – tratando-se especialmente da portuguesa –, é algo com que estamos plenamente de acordo e cuja visita deveria ser obrigatória para os directores dos Festivais de banda desenhada em Portugal, para perceberem como fazer um festival de BD de larga abrangência e potencialmente cativador de maiores e mais variados públicos. Isto apesar de, diga-se de passagem, Paulo Monteiro, o director do Festival de Beja, ter vindo propositadamente de Beja para esta inauguração, sendo que é também, um dos autores expostos…

Para já, deixo ficar apenas uma nota sobre a feliz escolha por Pedro Vieira Moura, da expressão que melhor define a BD portuguesa actual: banda desenhada de autor! Nada mais apropriado, uma vez que os portugueses são especializados em algumas áreas “de autor”, sendo o cinema a mais conhecida. E tal como o cinema português é parcamente visto pelos portugueses, também a BD portuguesa sofre do mesmo mal: vende-se pouco! E isto não é uma crítica, é uma constatação. Aliás a Sara Figueiredo Costa aborda alguns pontos desta questão no texto que produziu para o Catálogo desta exposição – o porquê das fracas vendas da BD portuguesa. Mas reservo a minha opinião, para o tal texto que acima prometi.


Aqui ficam algumas fotos e elementos da inauguração de Tinta nos nervos – Banda Desenhada Portuguesa:


O Comissário Pedro Vieira Moura recebe o venerando autor Victor Mesquita à entrada da exposição...





























Folheto distribuído aos visitantes (frente e verso):




Texto deste folheto:

A banda desenhada é um campo artístico encontrado sobretudo em suportes dirigidos ao acto da leitura: livros, revistas, fanzines ou plataformas digitais. Em termos históricos, é algo que encontra raízes disseminadas numa série de técnicas ou outras linguagens de várias origens, mas é sobretudo durante o segundo quarto do século XIX que se consolidaria a disciplina que viria a ser conhecida como “banda desenhada'.

Apesar da sua história e diversidade, a sua legitimação cultural não tem conhecido a mesma fortuna que áreas como as da fotografia ou o cinema, dado que a percepção social sobre ela lhe lança um denominador comum básico, assimilando-a à literatura de massas, ao entretenimento infanto-juvenil, ao escapismo, etc.. Tinta nos Nervos é uma mostra de 41 artistas portugueses, na sua larga maioria ainda hoje activos, que exploram esta arte de um modo particularmente pessoal, expressivo e atento a questões estéticas contemporâneas. Em consonância com um número substancial de artistas internacionais, estes são alguns dos nomes na cena nacional que contribuem para uma contínua expansão e diferenciação enriquecedora das potencialidades artísticas do campo da banda desenhada. Mais ou menos afastados de um certo consenso da “banda desenhada comercial', “de entretenimento” etc., estas são obras que poderemos considerar como "bandas desenhadas de autor”. A leitura poderá não ser completa, mas o acesso à arte original será uma forma de dar a conhecer um panorama alargado e diversificado, e estimular os visitantes a procurar as suas bandas desenhadas.

Tinta nos Nervos inclui autores reconhecidos pela crítica especializada e pelo grande público, mas também referências de círculos mais circunscritos. Alguns empregam metodologias e processos relativamente convencionais, e de fácil identificação, ao passo que outros provocam encontros entre algumas das especificidades deste campo com outras disciplinas artísticas. E há casos mesmo de objectos que não procuram qualquer tipo de consenso, surgindo antes como modos de permitir um movimento centrifugo e expansivo em relação à noção de banda desenhada.

Internacionalmente, a banda desenhada tem conseguido conquistar espaços de divulgação cada vez mais diversificados, provando ser um campo de verve e em franca expansão. Em Portugal, os autores também atingem uma marcada vivacidade, e Tinta nos Nervos demonstra um retrato dessa vida.

O Catálogo e um exemplo do interior:



Catálogo Tinta nos Nervos – banda desenhada portuguesa, 21 x 27 cm, 198 pág., 138 ilustrações, € 25,00 – com textos de Pedro Vieira Moura, Sara Figueiredo Costa e Domingos Isabelinho. Biografias de todos os autores expostos. Distribuição Chili Com Carne.

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