segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

BDpress #207: NIGHTRUNNER, O HERÓI DE ORIGEM ARGELINA COLOCA A FRANÇA EM POLVOROSA + COMO VAI O MERCADO DOS QUADRINHOS…

Variando um bocado, vamos dar uma vista de olhos ao outro lado do Atlântico, onde O Globo online noticía, a “confusão” que está a acontecer em França com o herói argelino mascarado, amigo do Batman… 


Claro que o material está escrito "naquela estranha língua que eles 
falam lá no além-mar", eh, eh...


O Globo, 2 Janeiro 2011

HERÓI LIGADO AO BATMAN PÕE A FRANÇA CONTRA HQS DA DC COMICS

Longe de Gotham City, em território francês, o Homem-Morcego tem pela frente um problemão para Coringa algum botar defeito: enfrentar o preconceito étnico contra seu mais novo aliado nos gibis, o vigilante de origem argelina Nightrunner. Lançado na mais recente série do cruzado de capa, batizada de "Batman Inc.", o novo personagem é um muçulmano sunita chamado Bilal Asselah. Ele tem despertado o ódio de uma ala mais radical de leitores da França, por representar uma reação das histórias em quadrinhos à xenofobia contra imigrantes islâmicos no Velho Mundo. Alvo de reclamações em blogs e sites especializados, Asselah vem motivando fotomontagens na internet com a fusão do rosto de Osama Bin Laden com o capuz do Batman, que pagou o pato pela intolerância alheia.

Desrespeitosa contra o roteirista David Hine, que escreve as atuais HQs do Batman, a associação entre Nightrunner e Bin Laden inflamou o debate acerca do preconceito contra o Islã nos gibis. O estopim da polêmica aconteceu quando Hine divulgou que descartou a ideia de escalar como "protegido" do Homem-Morcego na Europa o Mosqueteiro, um super-herói de Paris pouco expressivo entre os gibimaníacos americanos, mas querido na França.

Originalmente, antes de vestir o uniforme de Nightrunner, Asselah era apenas um morador da periferia de Paris, que cresceu na região de Clichy-Sous-Bois, testemunhando agressões da polícia parisiense contra moradores egressos da Argélia, do Marrocos e da Tunísia. Uma noite, após um atentado contra uma delegacia na qual seu melhor amigo morre, Asselah decide que é preciso reagir para proteger sua vizinhança. Ele inicia então um treinamento em parkour (modalidade esportiva de saltos de risco) e em técnicas de luta.


Torre Eiffel em pedaços

Entre os gestos de retaliação a Nightrunner, o mais agressivo foi a criação de uma capa "pirata", desenhada por leitores, na qual Batman se lamenta da aliança com o justiceiro ao descobrir que ele explodiu a Torre Eiffel num ato terrorista. Em entrevistas, David Hine explicou que Asselah não surgiu como provocação e sim como um convite à reflexão sobre a exclusão contra grupos estrangeiros de diferentes etnias.




Por uma grande coincidência, o texto da primeira prancha que apresentamos aqui acima, parece quase "tirado" de O Espião Acácio, de Fernando Relvas, publicada na revista Tintin nº 30 (11º ano), 1978 e que reproduzimos no BDjornal #26, na matéria sobre este autor português. Ora comparem!
__________________________________________________________

Diário de Pernambuco, 1 Janeiro 2011-01-03

EDITORES FALAM DO MERCADO PARA QUADRINHOS NACIONAIS E DÃO DICAS

O interesse e o espaço para as histórias em quadrinhos no Brasil têm crescido ano a ano na última década. Reflexo disso é o maior número de títulos nacionais publicados. Essa expansão tem revelado novos nomes e reforçado o talento dos veteranos. Também é possível perceber a chegada de obras mais ambiciosas ao mercado, fato que tem ajudado, e muito, a ampliar o público leitor e atingir quem antes não tinha interesse pelo assunto.

São trabalhos que atraem leitores jovens e, especialmente, maduros, e fogem dos padrões mais comerciais de histórias em quadrinhos — se aproximando das HQs de autor europeias e americanas. Dentro dessa proposta, Xampu — Lovely loser (80 páginas), de Roger Cruz; Memória de elefante (226 páginas), de Caeto; e Cachalote (280 páginas), de Daniel Galera e Rafael Coutinho foram os destaques do ano.




Segundo André Conti, editor do selo Quadrinhos na Cia. (da Cia. das Letras), Cachalote está na segunda impressão — o que significa que aproximadamente 5 mil exemplares já foram vendidos. “O nosso investimento em quadrinhos brasileiros valeu e continua para os próximos anos”, adianta Conti.

Editor de quadrinhos da Conrad, Rogério de Campos comemora a diversidade do material publicado no país atualmente: “Os quadrinhos brasileiros já viveram momentos editoriais muitos fortes no passado, como, por exemplo, a grande produção de terror, na virada da década de 1950 para 1960, ou a cena de humor em torno do Pasquim. Mas era isso: o momento do terror, o momento do humor… O que me surpreende agora é a variedade de autores e temas”.

Campos se diz surpreso com a boa resposta aos lançamentos da editora. “Recentemente lançamos Peixe peludo numa livraria e todos os exemplares disponíveis ali se esgotaram no mesmo dia”, conta. Para ele, o fim dos preconceitos contra os quadrinhos tem facilitado a configuração do atual cenário. “Até porque hoje em dia os quadrinhos são muito mais do que Pato Donald e super-heróis — cujas vendas, aliás, estão em crise há algum tempo. Isso ajudou no crescimento dos quadrinhos autorais e a atrair um público antes consideravelmente menor, como o feminino”, contextualiza o editor.

Obra de arte

A qualidade do material nacional, infelizmente, ainda não acompanha proporcionalmente a quantidade de títulos publicados. “Um estigma que sempre assombrou os quadrinhos nacionais acabou dando as caras novamente: falta de bons roteiros. Se por um lado é ótimo a conquista de espaço entre tantas obras estrangeiras, por outro, é triste ver que muitos autores continuam não dando atenção aos textos, à história em si”, avalia Leando Luigi Del Manto, editor de quadrinhos da Devir Livraria. “Tem autores que estão começando e nunca pegaram um quadrinho clássico para aprender, para descobrir o ‘como se faz direito’, sabe? Todo mundo acha que já sabe tudo. Daí, a qualidade de suas obras acaba sendo comprometida por falta de humildade e de experiência”, argumenta o editor.

Del Manto continua: “Acho que os quadrinistas precisam pegar grandes obras dos grandes mestres e dissecá-las, desconstruí-las, pra poderem descobrir o rumo das coisas. Isso não significa copiar fulano ou beltrano, mas estudar realmente os quadrinhos”. E conclui: “É preciso ler um quadrinho como quem olha para uma obra de arte num museu. É preciso apreciar a HQ e entender o que o autor quis dizer com ela”.

Editor da Zarabatana Books, Claudio Martini concorda com o colega. Ele lembra que durante muitos anos, poucos leitores podiam ter acesso a quadrinhos de autor da Europa ou os alternativos dos Estados Unidos. “De uns cinco anos para cá, esse atraso vem sendo recuperado e eu creio que é muito importante conhecer esses novos trabalhos e também os clássicos para se produzir bons quadrinhos. E uma HQ, mesmo com um tema bem brasileiro, pode atingir outros mercados, e deve ser criada tendo isso em mente”, aconselha Martini.

Do Correio Braziliense


___________________________________________________________

As Imagens são da responsabilidade do Kuentro

____________________________________________________________

VER NO BLOGUE AS LEITURAS DO PEDRO, A VERSÃO ALARGADA DO TEXTO PUBLICADO NO JN - O QUE VAMOS PODER LER EM 2011 - DO QUAL FIZEMOS AQUI UM RECORTE (BDpress #204)
____________________________________________________________


 
Locations of visitors to this page