sábado, 29 de janeiro de 2011

Bdpress #222: ANGOULÊME 2011: A OPINIÃO DOS CRÍTICOS - CARLOS PESSOA NO PÚBLICO (2) + A IMPORTÂNCIA DOS LIVROS NO FESTIVAL DE ANGOULÊME: LA PLUS GRANDE LIBRAIRIE DE BANDE DESSINÉE DU MONDE


ANGOULÊME 2011: A OPINIÃO DOS CRÍTICOS

26.01.2011 - Por Carlos Pessoa

Três especialistas franceses de banda desenhada respondem às perguntas do PÚBLICO sobre o 38º Festival Internacional de BD de Angoulême.

1 – Quais são os pontos fortes da edição deste ano?
2 – Que espera do festival e o que gostaria de encontrar na programação?
3 – Qual é o segredo da transformação de Angoulême numa espécie de Meca da BD francófona?

Didier Pasamonik (Chefe de redacção do “site” ActuaBD)

1 – A falência de Le Comptoir des Indépendants, a distribuidora do editor L’Association. E também a progressão no crescimento desde há 16 anos, sem quebra, mesmo havendo um abrandamento (veja-se o relatório Ratier).

2 – Uma grande presença dos países “emergentes” na BD : Turquia (e Arménia), Hong Kong, Taiwan, BD africana, finlandeses...

3 – O êxito do Festival de Angoulême deve-se a uma diversidade de factores, mas há um que talvez tenha sido decisivo: a simpatia imediata dos tenores da BD belga por este recanto acolhedor onde o conhaque se mostrava tão caloroso como os seus habitantes. É possível que Maurice Tillieux, autor de Gil Jourdan e figura emblemática do “Journal de Spirou”, tenha convencido Franquin, Jijé, Morris, Peyo, Roba e outros a encontrarem-se uma vez por ano num terreno neutro onde poderiam encontrar os “colegas” das outras editoras: Le Lombard, Casterman, Dargaud, Fleurus Presse, Pif, Glénat... e falarem sobre a “profissão” numa altura em que as tentativas de sindicalização animadas por Goscinny e Charlier nos anos 1960 tinham aberto as hostilidades.

Laurent Mélikian (Crítico e animador)

1 – Em primeiro lugar, uma presidência sob a égide de Baru. Fala-se de um olhar social na banda desenhada, é certo. É também um sinal de que este ano nos interrogaremos mais sobre o fundo de uma banda desenhada do que sobre a sua forma, e isso não me desagrada.

2 – Para mim, Angoulême é sempre um momento de reencontro com uma banda desenhada que não conheço, seja francesa mas, sobretudo, estrangeira. Ora, este ano há uma quantidade de delegações estrangeiras presentes. Pela minha parte, venho com autores arménios e o meu amigo Didier Pasamonik está com os turcos. Quem sabe o que irá resultar deste “big bang”!... Na verdade, quando se verificará o regresso dos portugueses e dos brasileiros?

3 – Desde o começo, os três fundadores de Angoulême depositaram grandes ambições neste festival, a começar pela escolha do final de Janeiro, um momento em que nenhum outro evento cultural ou desportivo pode desviar as atenções dos “media”. Depois, a posição de Angoulême foi reforçada por François Mitterrand [ex-Presidente da República], natural da região, que deu o Centro Nacional da BD a Angoulême. E, por fim, a França tornou-se neste país com uma produção impressionante – embora países como a Itália não tenham nada a invejar-lhe –, e é aí que está o ponto mais importante – a banda desenhada obtem o maior reconhecimento institucional. O mundo da banda desenhada precisa de um grande encontro anual encorajado por apoios públicos. Era Angoulême ou nada...

Patrick Gaumer (Crítico e autor do “Larousse de la BD”)

1 – Angoulême reflecte todos os gostos e géneros, associando, por exemplo, a obra de Baru, Grande Prémio da Cidade, e um “blockbuster” como Lanfesut de Troy, o espaço Mangá ou o pólo de juventude; a sua ambição, nunca desmentida, era mesmo a de casar o lado comercial e a “arte e ensaio”. O amante de BD clássica encontrará ali, sem dúvida, o que procura, e os mais curiosos poderão descobrir novos autores, novas “escolas” e outros países.

2 – Pessoalmente, comecei por selecionar alguns encontros em torno da banda desenhada finlandesa, turca, arménia ou asiática (Hong Kong e Taiwan, entre outras). Em nenhum outro lugar tenho a possibilidade de acumular, em poucos dias e ao vivo, tanta informação sobre a banda desenhada francófona e internacional.

3 – No momento em que a dimensão patrimonial está cada vez mais presente nos fóruns – cito apenas o Platinum Age Comics*, acessível aos investigadores de todo o mundo –, em certos “sites” – penso nomeadamente no “Coin du Patrimoine” [Canto do Património], uma belíssima rubrica animada por Gilles Ratier em BDZoom – ou em certos editores – Dupuis impõe-se como referência na matéria –, Angoulême também não esquece essse passado da banda desenhada e oferece-lhe uma formidável “caixa de ressonância” por via, entre outros, das suas exposições e encontros. Angoulême prepara também o futuro através de uma reflexão mais alargada sobre os desenvolvimentos digitais do “media”. A micro-edição também está presente graças ao seu festival “off”. Em síntese, há tantas descobertas e muito boas razões para não falhar este encontro incontornável.

(*) Nota do Kuentro: Fórum de discussão especializado e online, co-moderado por Bob Beerbohm e Leonardo De Sá.

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LA PLUS GRANDE LIBRAIRIE DE BANDE DESSINÉE DU MONDE

DES GRANDS ÉDITEURS À LA SMALL PRESS, DES ALTERNATIFS AUX BOUQUINISTES ET AU PARA-BD: UNE FOIS PAR AN À ANGOULÊME, UNE LIBRAIRIE GÉANTE UNIQUE EN SON GENRE.

Depuis sa création, le Festival international de la bande dessinée d’Angoulême présente la particularité d’être aussi un immense salon du livre. Quatre jours durant, dans de vastes structures temporaires spécialement déployées à cet effet, le Festival accueille par centaines des stands d’éditeurs, qui transforment ainsi la ville en une gigantesque librairie de bande dessinée, d’une taille sans équivalent.

Les grandes maisons d’édition généralistes qui constituent depuis toujours l’un des pôles majeurs du développement de la bande dessinée dans le monde franco-belge sont, bien sûr, présentes au rendez-vous. Elles sont, pour la plupart, regroupées au sein d’un site qui leur est spécifiquement dédié : le Monde des Bulles, installé en plein centre-ville sur la Place du Champ de Mars.

En contrepoint à cet espace d’inspiration volontiers familial et populaire, les acteurs de l’édition de bande dessinée dite alternative ou indépendante, souvent plus pointus ou plus radicaux dans leurs propositions éditoriales, sont rassemblés dans un autre site, également situé au coeur du centre-ville : le Nouveau Monde, installé place New York.

C’est également au sein du Nouveau Monde que se déploient les représentants d’un autre secteur clé de la bande dessinée : le monde des fanzines et de l’édition non-professionnelle – que les Anglo-Saxons préfèrent désigner du terme de small press, dont la vitalité et l’esprit de liberté contribuent de longue date à enrichir et renouveler la bande dessinée.

À cette offre très diversifiée proposée par le Monde des Bulles et le Nouveau Monde vient s’ajouter une autre spécialité : le para-BD, ou comment valoriser le monde du livre en éditant jeux, figurines, affiches, sérigraphies, cartes, objets, goodies et produits dérivés de toute nature. Regroupés au sein d’un site spécifique, place des Halles, les professionnels de ce domaine ont fait du Festival d’Angoulême l’un de leurs rendez-vous de prédilection.

Complétons enfin ce panorama en rappelant que sont aussi présents, pendant le Festival, de nombreux professionnels du livre de collection et du «vieux papier». Contribuant à leur manière à la mémoire du patrimoine historique de la bande dessinée, ces bouquinistes participent eux aussi de la vitalité de l’offre de librairie mobilisée chaque mois de janvier à Angoulême, le temps d’un festival.


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