terça-feira, 18 de janeiro de 2011

BDpress #217: AINDA OS 75 ANOS DE O MOSQUITO – Eurico de Barros no Diário de Notícias, 14 Janeiro 2011


Diário de Notícias, 14 Janeiro de 2011

'O MOSQUITO' FAZ HOJE 75 ANOS

A revista marcou uma época de ouro da edição do género em Portugal

Eurico de Barros

No dia 14 de Janeiro de 1936, há exactamente 75 anos, saia para as bancas o número um de O Mosquito, anunciado como "o semanário da rapaziada", e fundado pelo lendário Tiotónio (António Cardoso Lopes) e Raul Correia. O acontecimento teve anúncio no Diário de Notícias, cuja Empresa Nacional de Publicidade era a distribuidora de O Mosquito.

A nova publicação de histórias aos quadradinhos chegava ao mercado para concorrer com títulos como O Papagaio, O Senhor Doutor, Tic-Tac e Mickey, ao preço imbatível de cinco tostões, o mais baixo de todos. O Mosquito, que apresentava a novidade de uma pequena separata para meninas, A Formiga, foi um sucesso imediato. A sua tiragem chegou a atingir 40 mil exemplares e passou a sair duas vezes por semana em 1942. O que quer dizer que chegou a tirar um total de 80 mil exemplares por semana desde aí.

Entre os seus colaboradores portugueses contaram-se Reinaldo Ferreira, o Repórter X, Odette
De Saint-Maurice ou Maria Lamas, bem como autores como o grande Eduardo Teixeira Coelho (ou ETC), que fazia desde histórias até capas, ilustrações e cabeçalhos, e ainda Jayme Cortês, Vítor Péon, José Garcês e José Ruy.

A revista publicou-se até 24de Fevereiro de 1953. Saiu uma segunda série, dirigida por José Ruy (1960-61), que durou 30 números.A terceira (1961) teve só quatro números, a quarta (1975), um apenas, e, finalmente, houve uma quinta, entre 1984e 1986.

São vários os artigos e livros escritos sobre O Mosquito, que teve uma exposição evocativa, em 2006, no Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem, na Amadora, O Mosquito: Uma Máquina de Histórias. E há colectâneas de histórias em álbum, pelas Edições Época de Ouro.

EM CAIXA:

OS ESTRANGEIROS

De Hal Foster a Jesus Blasco

Entre os grandes autores de banda desenhada estrangeiros que foram publicados pelo Mosquito, para delícia dos seus leitores, contam-se nomes como os ingleses Colin Merritt, Percy Cocking, Reg Perrott ou Walter Booth; os espanhóis Jesús Blasco (o criador do Cuto), os seus irmãos Adriano e Alejandro, e a sua irmã Pili Blasco, bem como Emillo Freixas e Arturo Moreno, entre outros do país vizinho; os americanos Hal Foster (Príncipe Valente e Tarzan) ou John Lehti; e franceses como Paul Gillon, Gigi ou Marijac. Entre as séries que se puderam seguir na revista, recordem-se, pelos títulos que receberam em Portugal, Serafim e Malacueco, O Capitão Meia-Noite, Cuto, O Ardina Detective, Kit Carson, Os Flibusteiros, A Seita do Dragão Verde, A Nau Perdida ou O Rebelde.

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Atenção que este texto contém algumas imprecisões, nomeadamente na lista de colaboradores literários: nem o Reinaldo Ferreira, nem a Odette de Saint-Maurice nem a Maria Lamas colaboraram n'O Mosquito...
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