quinta-feira, 24 de maio de 2012

BDpress #345: DIÁRIO RASGADO DE MARCO MENDES – Pedro Cleto em “As Leituras do Pedro” e no P3 do Público online



DIÁRIO RASGADO
de Marco Mendes 

In As Leituras do Pedro, 22 Maio 2012
Pedro Cleto

DIÁRIO RASGADO
Marco Mendes
Mundo Fantasma/Associação Turbina/A Mula (Portugal, Maio de 2012)
210 x 280 mm, 84 p., pb e cor, cartonado
15,90 €

Este álbum, desde já uma das (boas) surpresas editoriais do ano - pelo conteúdo e pela bela edição - é uma recolha de bandas desenhadas, geralmente de uma única página – embora pontualmente haja sequência entre algumas delas - publicadas pela primeira vez no blog do autor com o mesmo nome e, nalguns casos, em fanzines nacionais e estrangeiros, entre os quais se conta “Tomorrow the chinese will delivery the pandas”, da responsabilidade do próprio autor, que nasceu em 1978 na Figueira da Foz e vive actualmente no Porto – reconhecível em boa parte destas pranchas -, onde foi fundador do Clube do Desenho e do colectivo artístico e editorial “A Mula”...

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Ver também o blogue do autor: Diário Rasgado






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P3 – Público online 

DIÁRIO RASGADO SÃO AS RUGAS 
DE MARCO MENDES 

Folheámos o blogue e ficamos a conhecer as manias do Didi, os vícios do Palas e os episódios da vida de um ilustrador

Texto de Luís Octávio Costa • 30, Setembro, 2011

Diário Rasgado é um blogue que é “um desabafo”. São tiras da vida real transformadas quase em piadas de caserna. É o passado e o presente de Marco Mendes, o personagem careca de uma colecção de ilustrações que podiam ser uma série televisiva – e que em 2012 vão ser editadas em livro.

“É um trabalho que fala sobre o tempo”, conta ao P3 o seu autor. “Há de tudo” como na vida real. “É fácil tornarmo-nos egocêntricos quando falamos da nossa vida. E a mim interessa-me falar de coisas que afectam toda a gente".

"Os personagens têm todos mais ou menos a mesma idade, têm todos mais ou menos a mesma forma de pensar, partilham mais ou menos a mesma ideologia, mas as coisas que lhes acontecem, as coisas de que falam dizem respeito a toda a gente. São coisas simples, o amor, a doença, a falta de dinheiro...”

É o retrato rasgado do Didi e do Miguel Ribeiro (com quem Marco Mendes fundou a editora Mula), do André e do Palas, “o tipo do boné que não pára quieto e que não consegue estar cinco minutos sem roer as unhas”. No fundo, são desenhos de pessoas com defeitos e virtudes.

“Não tem que ser um relato daquilo que se passou. Às vezes não é. Vivemos juntos uns três anos ou quatro e estas tiras são um pouco a exploração disso”.

O Diário Rasgado tem tanto de real como de ficção. “Já vivi em muitas casas e com muitas pessoas. Mas apresento quatro ou cinco pessoas na mesma casa. Logo aí há uma construção, uma ficção. Há coisas que se passaram exactamente como nós as lemos, há outras que se passaram com outros personagens, noutras casas”, conta Marco, docente no Porto (FAUP), Aveiro (ESAP) e Aveiro (UA).

O desenho cresce como uma ruga

Neste universo só há pessoas de carne e osso (OK, talvez um rato sentado no sofá a fumar um charro ou o Iggy Pop a invadir uma vinheta). “Volta e meia poderá acontecer uma coisa estapafúrdia. “Mas os personagens recorrentes são reais.” Viajam, embebedam-se, apaixonam-se, enervam-se e perdem a cabeça, fazem apostas e às vezes (só às vezes) ganham.

Marco Mendes, “um tipo um bocado inconstante por natureza”, explica o ruído do seu traço. “No início tentava ter um desenho muito uniforme, era muito inspirado pelos autores americanos como o Charles Burns, como o Adrian Tomine. Tentava aquele registo limpo, fluído, quase impossível. E depois vi que não era para mim porque eu sou uma pessoa que gosta da matéria, de sujar as mãos, do erro e da rasura, de trabalhar por camadas”.

Uma tira no seu blogue equivale a um episódio. Tudo ou nada. E o aspecto plástico do desenho cresce como uma ruga ou um cabelo branco. “Às vezes o registo gráfico muda completamente de quadradinho para quadradinho. E os personagens também, mesmo fisicamente. Eu se calhar sou o melhor exemplo: tinha cabelo e fiquei careca, não tinha óculos e passei a usar óculos”.

Andamos cá fora e somos absorvidos – como num teledisco dos A-Ha. São desenhos que evoluem, sem prazo de validade. “Depende muito de imprevistos, da manipulação da matéria, de certos acidentes, de certas coisas que correm mal e depois corrijo. É sempre uma coisa por camadas. Até achar ‘já chega’”. 





Exposição individual de Marco Mendes, Uma Formiga na Saia do Universo, 2007

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Ilustrações da responsabilidade do Kuentro

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