sábado, 8 de fevereiro de 2014

AMANHÃ – LANÇAMENTO DA REEDIÇÃO DE EUSÉBIO PANTERA NEGRA DE EUGÉNIO SILVA + BDpress 403: EUSÉBIO – E PLURIBUS UNUM, no jornal I, sobre o lançamento desta reedição


LANÇAMENTO DA REEDIÇÃO DE EUSÉBIO PANTERA NEGRA 
DE EUGÉNIO SILVA


É amanhã o lançamento da reedição de EUSÉBIO – PANTERA NEGRA, de Eugénio Silva, pela editora Arcádia, na FNAC Colombo – Centro Comercial Colombo –, às 15h30, com apresentação do jornalista Rui Tovar. A data/hora de apresentação desta reedição parece ter sido criteriosamente escolhida, poucas horas antes do Benfica-Sporting (18:00) ali mesmo do outro lado da 2ª circular. 

Eugénio Silva

Aqui fica o Convite

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Jornal I, 8 Fevereiro 2014

EUSÉBIO – E PLURIBUS UNUM

Eugénio Silva escreve e desenha "Eusébio, Pantera Negra" em 1990. O livro é agora reeditado pela Arcádia, com apresentação oficial marcada para este domingo, antes do dérbi [Benfica-Sporting], às 15h30, na Fnac do Colombo, em Lisboa. Numa viagem ao passado do goleador português, do seu nascimento, em 1942, a finais dos anos 80 como embaixador de todo um país, Rui Miguel Tovar folheia as 56 páginas entre fintas, golos, lágrimas e recordes. Eusébio à Eusébio. E pluribus unum (de muitos, um)

Damn it. Walter Winterbottom está histérico, vocifera sozinho, às vezes para o ar, outras para o relvado, em direcção aos jogadores, e não pára quieto. Só quando Eusébio pega na bola o seleccionador de Ingla­terra não se mexe. Fica hirto como uma barra de ferro. Mas depois é que são elas. E aí, pobres jogadores ingleses, que ouvem das boas.

Porque se cem mil em Wembley fazem muito barulho agora, antes, em Outu­bro de 1961, só se manifestam com uma acção perigosa. Não há cá olás, nem olés ou cânticos. Se a bola estivesse a ser tro­cada no meio-campo até se ouvia uma mosca.

Ou Winterbottom a descompor os joga­dores. Como é o caso nesse jogo de apu­ramento para o Mundial-62, ganho pela Inglaterra, com dois golos até aos 10', por Connelly e Pointer. Mas, mesmo assim, Winterbottom não relaxa. Nem pode.

Com apenas dois portugueses do rec­tângulo no onze (Cavem, algarvio, e Lino, açoriano, mais o brasileiro [naturalizado] Lúcio, os moçambicanos Costa Pereira, Hilário, Pérides, Vicente, Eusébio e Coluna, e os angolanos Águas e Yaúca), Portugal ati­ra três bolas ao poste. Duas delas são lan­çadas por um jovem de 19 anos chama­do Eusébio: é ele ele o causador da desordem verbal de Winterbottom, que era um gentleman, mais tarde (1978) feito cavaleiro.

"Flowers, look at the Black Panther", diz ele. Flowers é o defesa do Wolves, marcador de Eusébio e campeão mun­dial em 1966 sem jogar um minuto – só recebe a medalha de campeão em Junho de 2010, por cortesia de Gordon Brown, então primeiro-ministro inglês. E Black Panther é o Pantera Negra, ou Eusébio, anteriormente conhecido como Pérola Negra, alcunhado pela imprensa fran­cesa em Junho de 1961, e mais tarde cam­peão de tudo e mais alguma coisa. São tantos os títulos que nem dá para escre­ver tudo neste espaço. Damn it!

Esta é apenas uma das histórias recria­das pelo autor da BD "Eusébio, Pantera Negra", reeditada este mês depois do pri­meiro lançamento, em 1990. Nascido a 25 de Fevereiro de 1937, o barreirense Eugénio Silva encarrega-se dos textos e desenhos da vida do melhor jogador por­tuguês, desde o seu nascimento, a 25 de Janeiro de 1942, até ao final dos anos 80, quando Eusébio já trabalha na estrutu­ra do Benfica e da selecção nacional, como embaixador.

Pelo meio há de tudo e mais alguma coisa. O futebol a brincar pela equipa do bairro (Brasileiros), a entrada no Spor­ting de Lourenço Marques, aos 15 anos de idade, a viagem para Lisboa com o nome de código Rute Malosso, a estreia oficiosa (hat-trick ao Atlético, 4-2), a estreia oficial (um golo a Félix Mourinho [o pai de José Mourinho] nos Arcos, em Setúbal), a estreia internacional (hat-trick ao Santos de Pele, em Paris), a estreia na selecção (um golo ao Luxemburgo), o casamento com Flora e por aí adiante.

Eusébio, sempre Eusébio. O seu nome está intimamente relacionado com o sen­sacional terceiro lugar da selecção no Mundial-66, numa altura em que Por­tugal está longe de constituir uma potên­cia da modalidade. Além dos nove golos então marcados, quatro deles nos quartos-de-final à Coreia do Norte (5-3), o Pantera Negra é eleito para o onze ideal, considerado o melhor jogador do even­to e só não repete a conquista da Bola de Ouro (n.° 1 europeu) do ano anterior por escasso ponto de diferença em rela­ção ao inglês Bobby Charlton.

Impedido por Salazar de se transferir para Itália, com o pretexto de estar clas­sificado como "património nacional", Eusébio por cá se fixa, coleccionando vitórias atrás de vitórias, que ainda hoje o colocam no top dos predestinados: onze vezes campeão português (recorde) e pentacampeão da Taça de Portugal, é melhor marcador da Europa por duas vezes e da 1.' divisão por sete (recorde), com um total de 676 golos na carreira (recorde), 97 deles na Taça de Portugal (recorde).

Pondo um ponto final no Benfica em Junho de 1975, num particular em Casa­blanca com a selecção marroquina, Eusé­bio dá a volta ao continente americano (EUA, México, Canadá) e sagra-se cam­peão norte-americano em 1976, com 34 anos de idade, ao serviço dos Toronto Metro-Croatia, com um golo na Super Bowl. Tudo isto com sete operações aos joelhos, seis delas ao esquerdo. É muuuuito, damn it.

Páginas de Eusébio Pantera Negra, de Eugénio Silva

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